Agressões até o fim na disputa presidencial

Heron Guimarães

Conversando com pessoas que não estão diretamente envolvidas com a disputa política, percebe-se uma saturação a respeito da campanha eleitoral. Diferentemente dos torcedores que assistem aos debates e aos programas eleitorais para depois defender seu candidato nas redes sociais e seus círculos de convivência, grande parte se mostra farta de tudo isso. Ninguém aguenta mais tanta denúncia de corrupção, casos de nepotismo e, após os últimos dois debates, malfeitos da vida pregressa de um ou de outro postulante ao cargo mais importante da República.

Neste finalzinho de segundo turno, as campanhas se igualaram em podridão e se nivelaram por baixo. As assessorias conseguiram neutralizar os discursos de ambos os candidatos, e não há mais, na altura do campeonato, baluartes de correção.

Pior é saber que o clima de agressão não irá sofrer qualquer alteração nesta última semana. Pelo contrário, espera-se uma nova e mais agressiva enxurrada de ataques pessoais.

A estratégia dos candidatos de se agredirem mutuamente deve permanecer, afinal, como os próprios institutos de pesquisa vêm atestando, não há mais espaço para convencer ninguém por meio da construção de propostas.

NÃO PROPÕEM NADA

Também, com o placar completamente indefinido, um e outro já não imaginam propor nada. Querem mesmo é arrancar sangue na tentativa de manter seus votos e avançar para cima do adversário com os dentes cerrados, arrancando, à força, os minguados votos que darão a vantagem necessária à vitória.

As explorações ocorridas após o encontro no SBT são exemplos disso. Dilma passa mal durante uma entrevista, e fanáticos azuis são capazes de imaginar que se trata de uma estratégia de marketing para sensibilizar a dona de casa.

Por outro lado, Dado Dolabella desfere uma besteira qualquer na rede, e os lunáticos vermelhos tomam como pensamento de Aécio a verborragia de um ator em decadência que há muito sobrevive na mídia por meio de factoides.

PANCADARIA

Parece mesmo que neste estágio em que a campanha se encontra não há outra forma de conquistar votos ou pelo menos anular alguns deles se não for por meio da pancadaria.
Os que se mantêm distantes da campanha, por desinteresse, falta de tempo ou pura antipatia, continuarão detestando o cenário, mas, não adianta, terão que tolerar a longa e confusa semana que se inicia amanhã e tomar a decisão.

A cristalização dos votos já ocorreu. O empate técnico será desfeito nas horas finais. Algo em torno de 6% a 9% do eleitorado que está indeciso e que ainda pode mudar de ideia até o dia 26 é quem vai entregar a faixa presidencial.

Enquanto isso, aquele que não quiser ser taxado de petista ou tucano é bom evitar roupas vermelhas e azuis. É nisso que se transformaram as eleições de 2014: um jogo entre rivais, e não mais uma disputa em que se deveria discutir o futuro do país. O direito de votar nulo é quase sempre mal interpretado e percebido como atitude aloprada e antipatriótica, mas, com candidaturas tão semelhantes, é ato que não pode ser desconsiderado.

4 thoughts on “Agressões até o fim na disputa presidencial

  1. Agora que o Aécio está 12% à frente em Minas, qual discurso sobrou para o Pudim de pinga? ( O Estado de Minas )….Pesquisa mostra Aécio Neves 12 pontos na frente em Minas

    Publicação: 18/10/2014 06:00 Atualização: 18/10/2014 08:31

    Pesquisa divulgada ontem pela Multidados Comunicações sobre a preferência dos eleitores mineiros para o segundo turno das eleições presidenciais aponta o senador Aécio Neves, que disputa o cargo pelo PSDB, 12 pontos à frente da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição. De acordo com o levantamento, 50% dos entrevistados afirmaram que votarão em Aécio, enquanto 38% disseram votar em Dilma. Entre os que não escolheram nenhum dos dois candidatos, 5% afirmaram que não rejeitam nenhum deles, e outros 7% ficaram indecisos ou não responderam à pergunta.

    Os entrevistados responderam também a questões sobre a imagem que têm dos presidenciáveis. Sobre o tucano, 11% afirmam ter uma imagem ótima; 45%, boa; 12% avaliam o candidato como regular; 10% o consideram ruim; e 18% disseram que sua imagem é péssima. A imagem da petista foi avaliada como ótima por 9% dos entrevistados; boa por 39%; por 14% regular; por 13% ruim; e 22% afirmam ter imagem péssima de Dilma. A pesquisa foi feita em 85 municípios, entre os quais 72 em que a petista venceu no primeiro turno e 13 onde Aécio foi o vencedor.

  2. Isso me faz lembrar daquela estorinha “O Velho, o Menino e o Burro”. O PT e seus 2.000 capangas contratados para atuar nas redes sociais com financiamento público atacaram Marina de forma covarde e mentirosa. Marina não rebateu. Perdeu. Então, eles passaram a empregar a mesma estratégia criminosa em cima do Aécio. Não querendo ser fritado igual a Marina, Aécio passou a rebater. Aí vem o petista disfarçado afirmando que a baixaria é de ambos. Acho que o Brasil ainda possui um pouco mais de 50 por cento de brasileiros não idiotas ou beneficiários de bolsas-estimuladoras do ócio e aliciadoras de votos. Dá para ter alguma esperança de que esta Banânia ainda vai se transformar em uma Nação.

  3. Há uma diferença enorme entre os dois candidatos, não há como compara-los,,
    enquanto o Aécio, faz esforço para debater os problemas nacionais, a candidata
    do PT parte para baixaria, obrigando o Aécio a se defender. Como disse o comentarista
    Antônio Rafael Rocha: se a baixaria deu certo contra a Marina, estão empregando o
    mesmo método contra o Aécio. Fica aqui uma pergunta: Qual candidato tem compostura para ser Presidente?

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