Agricultura bate recorde e dá uma lição ao governo

O governo despreza este exército, prefere as tropas de Stédile

Celso Ming
Estadão

Neste ano, a agricultura brasileira deverá ultrapassar um marco histórico. Produzirá mais de 200 milhões de toneladas de grãos, entendidos como tais cereais, leguminosas e oleaginosas.

Há pelo menos 40 anos, o Brasil deixou de ser conhecido apenas pelas suas monoculturas: café e cana. É hoje referência mundial num setor complexo, mais comumente chamado de agronegócio. Em apenas dez anos, a produção de grãos aumentou 62% e a de cana de açúcar, 66%.

Um dos mais notáveis feitos do agronegócio foi ter obtido esse aumento de produção de grãos com um crescimento de apenas 19,2% da área plantada, o que mostra o enorme incremento de produtividade.

Isso aconteceu não somente por meio de incorporação de tecnologias modernas de seleção de sementes, preparo de solo, plantio, armazenamento e processamento. Reflete avanço da mentalidade empresarial no setor, que abrange não apenas empresas, mas também a agricultura familiar.

SEM SUBSÍDIOS

Crítica recorrente que se faz à política econômica é a de que o Brasil não tirou proveito do último período de bonança, que se estendeu de 2002 a 2012, marcado pelo grande boom das commodities – e não só das agrícolas – graças, principalmente, ao forte movimento de inclusão da população asiática aos mercados de trabalho e de consumo.

Isso não vale para o agronegócio. O produtor brasileiro do setor se capitalizou, mecanizou-se, aprendeu a operar tendo como referência o jogo do mercado internacional.

No Brasil, o agronegócio não é regado a subsídios, como acontece na maioria dos países ricos. Se conta com boa oferta de crédito é também porque é merecedor. Vem obtendo sucesso num ambiente hostil em que outros setores, especialmente a indústria, vêm quebrando a cara. Avança a despeito da política econômica muitas vezes predatória.

GOVERNO ATRAPALHA

Nos últimos dez anos, por exemplo, o governo sangrou o setor do álcool e do açúcar com sua política de represamento dos preços dos combustíveis. Nada menos que 60 usinas foram fechadas desde 2009, cerca de 70 estão em recuperação judicial e sabe-se lá quantas mal conseguem sobreviver.

Centros de decisões importantes do governo trabalharam contra o uso de sementes geneticamente modificadas (transgênicas) e atrasaram o desenvolvimento da Embrapa nessa área.

CUSTO BRASIL

O agronegócio se tornou um setor vencedor a despeito da infraestrutura sucateada ou inexistente, que atravanca os corredores de exportação no auge da safra.

Enfrenta o alto custo Brasil e segue batendo recordes, apesar do forte período de estiagem que assola várias regiões do País, a mesma que vem servindo de desculpa para lambanças e fiascos da política econômica.

Não se pode ignorar os graves problemas da desigualdade e da fome que ainda persistem no Brasil. Nem os desastres ambientais provocados por manejos irracionais dos recursos naturais, especialmente nas áreas de fronteira agrícola.

Mas não dá para ignorar, também, que o sucesso do setor praticamente sepultou os problemas produzidos no passado pelo latifúndio e esvaziou os movimentos de reforma agrária.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Podemos imaginar o que aconteceria se o governo, ao invés de atrapalhar, fizesse sua parte e reduzisse o custo Brasil, melhorando as condições do escoamento da produção. Mas os três Poderes estão apodrecidos e preferem deixar que a produção agrícola também apodreça. (C.N.)

9 thoughts on “Agricultura bate recorde e dá uma lição ao governo

  1. Excelente artigo. Todo esse aumento da produtividade foi devido a pesquisa e inovação tecnológica, e o será cada vez mais, apesar dos governantes praticamente não reconhecerem esse importante ator do desenvolvimento nacional, relegado a programas mais publicitários e politiqueiros do que concretos e com aporte real de recursos. Se 10% do que saiu do BNDES para empresas escolhidas tivesse ido para as empresas públicas deste setor, teríamos números infinitamente melhores, e podendo pecar pelo exagero, julgo que economicamente estaríamos em situação mais confortável. As corriqueiras políticas de crédito agrário, fomento e extensão não são sustentáveis a longo prazo. São políticas de ciclo curto, que nos trazem pouco crescimento ou podem até reprimir a modernização do setor. Há inúmeros exemplos disto no nosso país. A pesquisa agropecuária visa a redução de custos de produção, melhoria na produtividade e na qualidade, combate a pragas e doenças, preservação do meio ambiente, entre diversos outros fatores, ou seja, visa atingir múltiplos objetivos para garantir a sustentabilidade do sistema produtivo econômico promovendo a ampliação do nível de bem-estar da sociedade, além de possibilitar a, tão sonhada, geração de oportunidades estratégicas para o país no longo prazo. Porém, a maioria das OEPAS (Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária) se encontram em situação desesperadora e o próprio Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA), que envolve a Embrapa e as organizações estaduais, também se encontra em xeque. Faço votos de que um dia a Ciência, a tecnologia e o conhecimento passem a ter um papel minimamente de relevância neste país.

  2. Caro Jornalista,

    Esse é o nosso papel no mundo, determinado pelos poderosos: Uma GRANDE FAZENDA exportadora de produtos primários! Exportamos um navio de soja para a Alemanha e trazemos de lá um aparelho de ressonância magnética que cabe em uma sala.
    Depois, pegamos o dinheiro da exportação e gastamos com o pagamento dos juros da dívida pública. E, depois do frigir dos ovos, percebemos que exportamos de graça!!!

  3. Prezado Efrom,
    JAMAIS o agronegócio será atendido pelo governo ou terá a sua atenção por uma razão muito simples:
    Deixa de existir o MST, a tropa paramilitar petista!
    As terras nacionais produzindo bem, rendendo bem, trazendo lucros para o Brasil, aumentando a sua produtividade anual, reforma agrária para quê?!
    Dar terras a vagabundos?
    Impulsionar a intranquilidade no campo?
    Recrutar mais abobados para o exército de Stédile?
    Esses pseudos comunistas querem o atraso e não o desenvolvimento ou, por acaso, existe o MST nos Estados Unidos, Alemanha, Japão, França, Itália, Reino Unido, até mesmo na Rússia, Leste Europeu, apesar da sua pobreza?
    Claro que não, tampouco em Cuba, pois seriam fuzilados imediatamente.
    Agora, Brasil e Venezuela, que passam por crises com algumas semelhanças quanto à governabilidade, tais movimentos falsamente sociais querem a instabilidade, o combate entre a população, a luta de classes, o país destroçado para que possam tomar conta do espólio, tomar a terra alheia, roubar o gado, destruir as plantações!
    A título de curiosidade, alguém já viu uma invasão promovida pelo MST que ele tenha deixado a fazenda ou sítio ajeitado?
    Ou ateou fogo ao prédio?
    Matou algumas cabeças de gado?
    Arrasou com a plantação?
    Destruiu laboratórios de pesquisa?
    O MST atual é mesmo um exército de vagabundos, gente improdutiva, vadios, e que invadem prédios públicos – semana passada o Levy não pôde entrar no ministério para dar expediente porque o MST impedia a sua entrada!
    Se qualquer um de nós cometesse este ato seríamos levados algemados e presos imediatamente.
    O Brasil está dominado por gente maligna, apátrida, que não se importa com esta terra e seu povo, mas com a sua ideologia, seu partidarismo e sua maneira de atuar com base na baderna, no desrespeito, e amedrontamento.
    Quanto mais o campo se desenvolve, mais o MST se revolta, e mais ainda o governo viras as suas costas para este segmento de vital importância ao País e sua população de brasileiros, e não de grupelhos que não se interessam pelo nosso progresso, mas à desordem!
    Um abraço, Efrom.

  4. “Se 10% do que saiu do BNDES para empresas escolhidas tivesse ido para as empresas públicas deste setor, teríamos números infinitamente melhores, e podendo pecar pelo exagero, julgo que economicamente estaríamos em situação mais confortável.”

    Não há absurdo maior, Caio! Se isso fosse feito, seriam pelo menos 10% a menos na nossa produção agrícola. Ou será que você acha que os canalhas do PT são capazes de produzir alguma coisa que não seja a desgraça?

  5. Prezado Bendl
    Nisso tudo a coisa mais triste e saber que o nosso agronegócio tem os “pés de barro”, me refiro aos fertilizantes.
    O Brasil importa, em média, 70% do nitrogênio, fósforo e potássio que o consome em fertilizantes, de acordo com dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).
    Mesmo assim o DNPM não está liberando os pedidos de pesquisa mineral enquanto não aprovarem o famigerado MRM que tem mais de 03 anos rolando no congresso, a pesquisa mineral praticamente parou no Brasil , nesse caso se inclui o fosfato e o potássio.

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