Água, água, água, que já foi o pedido de socorro do Rio então capital. Agora é o desespero de toda a Baixada, de São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, e mais e mais.

Helio Fernandes

Assisti ontem uma sessão da Alerj, presidida por Paulo Melo, que “brigava” com o assessor da Mesa, que sabia mais do que ele. Teve que suspender a sessão por dois minutos, para se acertarem. O assunto é importantíssimo, mais do que muitos outros, sejam quais forem.

A questão: praticamente 8 milhões de pessoas desses municípios, não têm uma gota dágua, embora o governador cabralzinho diga o contrario. Destaque para deputados do PSDB (apenas 1), do PSol e do PPS, que mesmo fazendo oposição, votaram por mais verbas para que esses municípios, possam viver de forma mais decente e digna. Como passar dias, semanas, meses, com as torneiras abertas mas vazias?

A deputada do PSol, foi a mais importante, elucidativa e competente: “Sou oposição, mas votarei por mais verbas por causa da população da Baixada, que somam 5 milhões de habitantes ou até um pouco mais”.

Textual: Caxias, Nilópolis, São João de Meriti, Seropédica, Nova Iguaçu. Belford Roxo, Queimados e Mesquita e muitos outros municípios. É uma constatação lancinante, degradante, vergonhosa. O Rio, antes da mudança da capital, conhecia muito bem a situação.

Assisti duas vaias monumentais no Maracanã, a primeira por causa da falta dágua. O prefeito era Dulcidio Espírito Santo Cardoso, primo de FHC. Foi ao Maracanã com sua belíssima namorada, a cantora Ester de Abreu. Anunciaram seu nome, quase 100 mil pessoas gritando, “água, água,água”, fiquei com pena dele.

A segunda, no dia da morte de Castelo Branco. O corpo estava sendo velado no Clube Militar. No Maracanã, jogavam América- Botafogo (América 3 a 1). Pediram um minuto de silêncio, vaia irreversivel. O que levou Nelson Rodrigues a dizer no dia seguinte no seu programa da TV Rio: “O Maracanã é implacável, vaia até minuto de silêncio”.

Depois, o deputado do PPS, (que já foi prefeito de Niterói), falou e citou 9 municípios, começando por São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, e terminando em muitos outros. Ai veio o deputado (único do PSDB) e relacionou tantos municípios que fiquei assombrado.

Sabia e tenho mostrado a inutilidade da “administração” cabralzinho. Mas depois de assistir longamente a sessão da Alerj, fiquei na obrigação de perguntar mais uma vez: “Qual a razão da reeeleição do seu mandato?” É evidente que seus 4 anos depois dos primeiros, representam a força de quem está no Poder. No caso de cabralzinho, tem que agradecer diretamente ao “inventor” desse segundo mandato.

O líder (?) de cabralzinho falou varias vezes, sempre com inenarrável e irrefutável subserviência. Defendeu a atuação de cabralzinho, mostrou números e mais números, tudo no futuro, como se o governador estivesse tomando posse agora.

Foi vastamente refutado. Ele e muitos deputados eleitos pela Baixada e pelos municípios abandonados, mas que continuam apoiando cabralzinho. Por que tanto “desprendimento” desses “representantes”?

Por causa disso, a deputada do PSol, e mais os deputados do PPS e PSDB pediram votação nominal, não adianta nada, votaram assim mesmo com cabralzinho.

O líder (?) do governo voltou a falar; “No máximo dentro de 9 ou 10 meses, todos esses municípios terão água”. Eu poderia dizer como Bernard Shaw, quando visitou pela primeira vez a Estatua da Liberdade: “Meu gosto pela ironia não vai tão longe”.

*** 

PS – Lamentável a bagunça e o abandono daquele plenário magnífico, que frequentei diariamente, de 1946, Constituinte, até 1960, mudança da capital. Que desalento do repórter.

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