Ai, que saudade de Mário Lago!

O advogado, ator, radialista, poeta e letrista carioca Mário Lago (1911-2002) é autor de alguns clássicos da MPB, entre ele, “Ai Que Saudade da Amélia”, samba gravado por Ataulfo Alves, em 1941, pela Odeon, que popularizou o mito da Amélia: idealização da mulher que aceita tudo por amor, que é conformada com o destino. O samba de clima enfadonho, depressivo, melodia triste, traz um conteúdo polêmico que mobiliza os modos de comportamento ditados pela solidariedade e pelo afeto.

Alguns afirmam que a intenção dos autores era fazer de Amélia um símbolo da mulher compreensiva, amiga, solidária. É certo, entretanto, que permanece até hoje o símbolo da mulher dominada, humilhada, explorada e submetida, gerado também pela letra da música. É sobre este símbolo que se centram as restrições libertárias feministas, buscando independência pessoal e profissional das mulheres anos depois.

O feminismo dos anos 60 mostrou que a condição de gênero social (homem/mulher) é construída pela sociedade, pois esta determina os papéis que os homens e as mulheres devem desempenhar. Além disso, o feminismo desmascarou a falsa ideologia de que a condição biológica feminina impunha a mulher à domesticidade.

Se a sociedade brasileira, em muitos casos, ainda hoje acredita que a mulher deve ser colocada na condição de sustentada, pode-se imaginar como era ainda mais evidente a visão da sociedade machista do século passado sobre a mulher.

Lago, grande figura

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AI, QUE SAUDADE DA AMÉLIA

Ataulfo Alves e Mário Lago

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Quando me via contrariado
Dizia: “meu filho, o que se há de fazer!”
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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