Ainda em recuperação, Bolsonaro viajará sob várias restrições médicas

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Guilherme Mazui
G1 — Brasília

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse nesta sexta-feira (20) que a viagem do presidente Jair Bolsonaro para participar da assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, está “assegurada”. Nesta manhã, ele fez exames, em Brasília, para verificar o estágio de recuperação da cirurgia.

A viagem está marcada para o próximo dia 23. Bolsonaro passou no início do mês por uma cirurgia para corrigir uma hérnia no intestino. Antes da operação, Bolsonaro havia dito que iria a Nova York, nem que fosse de “cadeira de rodas”, para falar sobre Amazônia.

APTO A VIAJAR – Segundo o porta-voz, os resultados mostraram que o presidente está apto a viajar. “O nosso presidente está pronto para o combate, com viagem assegurada para Nova York”, afirmou Rêgo Barros.

De acordo com o médico Antônio Macedo, responsável pela cirurgia do presidente e que o examinou em Brasília, Bolsonaro foi liberado para uma dieta leve, com rroz, purê de batata, legumes e “um pouco” de filé mignon grelhado.

O presidente deverá seguir algumas orientações médicas na ida para os Estados Unidos.

RECOMENDAÇÕES – Segundo o médico, o maior risco em viagens longas após uma cirurgia é de problema vascular. Por isso, Bolsonaro utilizará meias para ativar a circulação, tomará injeções anticoagulantes e foi orientado a não ficar muito tempo sentado. Durante o voo, a recomendação é de que ele faça caminhadas no avião a intervalos regulares e fique a maior parte do tempo deitado.

O médico ainda disse que o presidente continuará, “até segunda ordem”, utilizando uma espécie de colete, que cobre abdômen e parte do tórax, utilizado para protegê-lo e facilitar a recuperação.

A ONU realiza assembleia-geral todos anos, em Nova York, no fim de setembro. Tradicionalmente, os presidentes do Brasil são os primeiros a discursar no plenário. A fala de Bolsonaro está marcada para o próximo dia 24.

AMAZÔNIA EM PAUTA – Neste ano, um dos principais temas deve ser a preservação ambiental. As queimadas na Amazônia, que tiveram em 2019 o pior ano desde 2010, causaram reações em todo o mundo contra a política do governo brasileiro para a proteção da natureza.

Uma das principais vozes contrárias à postura do governo foi a do presidente francês, Emmanuel Macron. Ele chegou a dizer que Bolsonaro mentiu sobre o compromisso do Brasil com o acordo do clima de Paris.

Em resposta, Bolsonaro sugeriu que a preocupação de Macron com a Amazônia é motivada por interesses econômicos.

ACORDO COM A UE – A política ambiental do Brasil é considerada um obstáculo para a ratificação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Nesta semana, o parlamento da Áustria rejeitou o acordo. Em agosto, Macron já havia dito que, diante da postura do governo brasileiro na área do meio ambiente, a França também não confirmaria a aliança com o Mercosul.

O governo brasileiro argumenta que a posição desses países contra o acordo, na verdade, tem o objetivo de proteger comercialmente os produtores locais da competição com o agronegócio do Brasil.

LÍDER DO GOVERNO – Rêgo Barros afirmou que Bolsonaro ainda não avaliou a situação do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado. O parlamentar foi alvo de uma operação da Polícia Federal na quinta-feira (19), assim como o filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (DEM-PE).

Bezerra colocou o posto de líder à disposição, porém o Palácio do Planalto ainda não se posicionou sobre a permanência do senador na liderança do governo.

O porta-voz destacou que o “foco” de Bolsonaro no momento está no discurso que fará na Assembleia Geral da ONU. A situação de Bezerra deverá ser analisada após o retorno dos Estados Unidos. “Ele [Bolsonaro] tem o foco direcionado exclusivamente à ida a Nova York”, afirmou o porta-voz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Toda cirurgia com cinco horas de duração envolve alto risco. Por isso, é uma temeridade permitir uma viagem longa para quem está se recuperando da quarta operação de risco no período de um ano. É claro que os médicos estão se curvando às imposições de Bolsonaro, que não tem o juízo de uma franga, como se diz lá no interior. Na ONU, sua imagem é de um populista de extrema direita, uma posição política altamente desprezível. Por isso, é até provável que seja hostilizado. Seria melhor ficar em Brasília, recuperando inteiramente a saúde. (C.N.)

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