Ainda sem um grande favorito, disputa pela presidência da Câmara será acirrada

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Rodrigo Maia ainda é o mais cotado, mas há controvérsias

José Carlos Werneck

Enquanto no Senado Federal a candidatura de Tasso Jereissati (PSDB-CE) ,vem se consolidando, a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados começa com muitas candidaturas, mas sem grandes favoritos. Como ocorre no Senado, os políticos mais próximos ao presidente Jair Bolsonaro optaram pela neutralidade, para dar força e legitimidade ao vencedor. O atual presidente, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) até mesmo por sua visibilidade na mídia, aparece como favorito, mas o quadro pode mudar a qualquer momento.

Não há consenso em torno de um único pré-candidato entre os diferentes partidos políticos. Sem união de forças e com diferentes candidaturas ao cargo, o quadro atual sinaliza que a disputa tende a ser muito acirrada.

CONCORRÊNCIA – No influente e antológico Centrão, Rodrigo Maia enfrenta a concorrência dos deputados João Campos,do PRB de Goiás, e do Capitão Augusto, do PR de São Paulo .

A renovação da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura, que se deu pelo discurso de Segurança Pública e no respeito a valores conservadores do presidente eleito Jair Bolsonaro, faz estes dois parlamentares acreditarem em suas pré-candidaturas. Outro nome falado é do atual vice-presidente, Fábio Ramalho, do MDB de Minas Gerais.

A disputa entre os parlamentares ligados aos partidos de centro encontra a concorrência da direita, representada pelo PSL, partido do presidente eleito. O deputado Júnior Bozzella, representante do PSL paulista, também lançou sua pré-candidatura. “Vamos nos tornar a maior bancada da Câmara em alguns meses e temos que ter protagonismo nesse processo. A renovação na Câmara é uma resposta significativa para nós”, disse o parlamentar.

CONFIANÇA – Sua pretensão ainda será objeto de apreciação pelo partido, mas ele vem demonstrando confiança de ter apoio do presidente do PSL, Luciano Bivar, de Pernambuco, mas ainda não há certeza de nada. A corrente mais próxima a Bolsonaro é, sem dúvida, liderada por Joice Hasselmann, deputada recém-eleita por São Paulo, que prefere a neutralidade na disputa.

“Tenho conversado com todos os partidos do ‘bem’ e nossa ideia é costurar blocos com outros partidos”, disse a atuante Joice.

A intenção de Bolsonaro, conhecida por todos e sempre reafirmada por ele é não interferir na eleição pelas presidências de nenhuma das Casas Legislativas, visando assim obter a indispensável e muito importante governabilidade junto ao Poder Legislativo. Há um temor de que o lançamento de uma candidatura própria possa desagradar aliados, prejudicando a aprovação de importantes projetos de vital interesse do novo Governo.

NEUTRALIDADE – Esta saudável neutralidade é muito bem-vista pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que sempre manteve excelentes relações com o presidente eleito, e os parlamentares mais conservadores acreditam na vitória do deputado democrata, por ele deter grande capacidade de diálogo com a esquerda e principalmente deter o poder da caneta, o que é de vital importância para os indecisos, que até o momento são maioria.

Para observadores mais atentos um apoio mais enfático do PSL faria de Rodrigo Maia um “trator” que os mais próximos de Bolsonaro tanto almejam, salienta o deputado Sóstenes Cavalcante, do Democratas do Rio de Janeiro, um dos responsáveis pela organização da pré-candidatura de Maia.

“Se tiver a neutralidade do governo, já é uma brilhante sinalização. Mas é o que tenho falado a alguns da bancada do PSL: ‘Se vocês o apoiarem, ele não vai precisar deixar recibo na mão da esquerda”.

HABILIDADE – O perfil do deputado Rodrigo Maia não é de ‘tratorar’ na Câmara dos Deputados. Muito ao contrário, ele é um parlamentar hábil e muitíssimo bem educado. O apoio dado pelo PSL pode evitar que ele precise do voto da esquerda e, assim, venha a ser o presidente da Câmara que serenamente possa encaminhar os projetos que Jair Bolsonaro quer.  “Aí, apesar de não ser o perfil dele, ele pode ser o trator que eles sempre falam que precisa ser”, ressaltou Sóstenes.

No decorrer da semana, Maia sugeriu a necessidade de uma reforma no regimento interno da Casa para restringir os “kits obstrução”.

Os aliados de Maia trabalham com a meta de se compor com pelo menos quatro ou cinco partidos além do DEM. Sóstenes e outros aliados tem conversado com o PSDB, PP, PV, olidariedade, PSD, PTB e o próprio PRB, de João Campos.

“Se fecharmos com cinco partidos, Maia se garante no segundo turno. Se ele chegar lá, é uma eleição praticamente ganha, seja com quem for”, afirmou Sóstenes Cavalcante.

OBSTÁCULOS – Os correligionários de Rodrigo Maia podem, esbarrar em mais obstáculos que imaginam. A pulverização de concorrentes ao importantíssimo cargo pode frustrar as expectativas do DEM. O mesmo ocorre, no entender do cientista político Enrico Ribeiro, coordenador legislativo da Queiroz Assessoria Parlamentar e Sindical,  com a alta renovação na Câmara, o que explica o elevado número de pré-candidaturas, que podem, também, impor obstáculos a Maia,.

“Os novatos que estão chegando com a resposta das urnas de renovação podem interferir em como os deputados eleitos vão votar” disse o renomado especialista.

Com muitas candidaturas entrechocando-se e sem chegarem a um consenso, isso pode até resultar em um revés para Jair Bolsonaro. A pulverização beneficia os parlamentares novatos ou sem qualquer base política sólida, como ocorreu na célebre e de triste memória eleição de Severino Cavalcanti , do PP de Pernambuco, que impôs uma derrota ao ex-presidente Lula ao vencer em 2005 a disputa pela presidência da Câmara.

SEM CONSENSO – A falta deste tão sonhado consenso não é exclusividade do Centro e da Direita. A Esquerda encontra-se, também, esfacelada. O PDT busca entendimento com partidos da esquerda, através do lançamento de uma candidatura única, mas quer manter o PT sem protagonismo, sob pena de que a corrida seja minada pelo antipetismo, que ficou evidente nas últimas eleições, o que não agrada os petistas, que se reuniram neste fim de semana para começar a estabelecer um norte a ser seguido.

“O PT mantém conversas com todos os partidos da esquerda, embora reconheça problemas com o PDT”, afirma o deputado Carlos Zarattini de São Paulo, vice-líder do PT na Câmara. “É por conta do Ciro Gomes. Mas não acho que essa divergência do PDT pode atrapalhar a união da esquerda”.

120 VOTOS – Realmente, o repetitivo e enfadonho discurso de “Lula Livre”, fragorosamente derrotado nas urnas, é o que mais incomoda os pedetistas. O objetivo do PDT é evitar que a squerda fique submissa ao PT e à retórica petista, disse o deputado Pompeo de Mattos do Rio Grande do Sul, vice-líder do partido na Câmara.

 “Não ficaremos na subserviência. Estamos conversando com a esquerda para lançar uma candidatura única e reunir pelo menos entre 100 e 120 votos para chegarmos ao segundo turno. Mas com certeza não será o PT que capitaneará essa disputa. Pode estar junto, mas não será ele o hegemônico”, declarou.

3 thoughts on “Ainda sem um grande favorito, disputa pela presidência da Câmara será acirrada

  1. Sobre o caso do abuso de poder do ministro Lewandowsky ficou patente o seu pequeno saber jurídico. Sua assessoria deu em nota que “ao presenciar um ato de injúria à Corte, sentiu-se no dever funcional de proteger a instituição a que pertence, acionando a autoridade policial para que apurasse eventual prática de ato ilícito, nos termos da lei”.
    A Injúria só se aplica a Pessoa Física, ministro! Para que o crime de injúria seja configurado, o sujeito passivo deve ter a capacidade mínima de fazer um juízo de valores sobre si mesmo. A injúria atinge à honra subjetiva!
    Portanto EU ACHO (e tenho o direito de achar!!!! art.5, inciso IV) que o STF é uma vergonha…

  2. Se meu eterno governador do Ceará Tasso, conseguir a cadeira de presidente do Senado, é um grande prêmio à sua impecável carreira política.É competente e ficha limpa.

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