Ainda sobre o misterioso caso do crucifixo que sumiu do gabinete presidencial na mudança de Lula, pode mesmo ter sido um engano. Então, vamos desfazê-lo.

Carlos Newton

Em respeito aos comentaristas que se revoltaram (contra e a favor) com a matéria sobre a “mudança” de Lula, vamos voltar ao assunto. Primeiro, para reafirmar que, como dizia Orson Welles, é tudo verdade. Segundo, para dar mais detalhes esclarecedores.

Em relação ao crucifixo, trata-se de uma pesada prancha de madeira de lei, de 2 metros por 75 centímetros, onde está incrustada uma belíssima imagem de Cristo. É uma peça enorme, que chama por demais atenção no gabinete presidencial. Mas fatos são fatos, não se pode contraditá-los. Então, vamos exclusivamente aos fatos, em ordem cronológica:

Fato 1 – O crucifixo desapareceu do gabinete presidencial, justamente quando houve a transição de governo e a mudança de Lula.

Fato 2 – Os jornalistas que fazem a cobertura do Planalto deram pela falta da peça e no dia 9 de janeiro diversos jornais publicaram que a presidente Dilma havia determinado a retirada da peça.

Fato 3 – No dia seguinte, a Presidência da Republica informou, oficialmente, que o crucifixo havia sido levado por Lula, porque pertencia a ele, que ganhara a peça de presente, no início do primeiro mandato.

Fato 4 – Surgiram então as denúncias de que o crucifixo não pertencia a Lula, com diversas fotos mostrando que a peça já estava no gabinete presidencial antes dele. Numa dessas fotos, que foi encaminhada à Tribuna da Imprensa, o então presidente Itamar Franco aparece sentado numa poltrona vermelha, diante do crucifixo. Em outra foto, quem aparece é Lula (acompanhado de Gilberto Carvalho) junto ao crucifixo e à mesma poltrona vermelha.

Estes são os fatos, irrefutáveis. Alguns comentaristas disseram que, se na verdade ocorreram enganos ao fazer mudança, a culpa deve ser dos funcionários do Planalto. Essa hipótese não deve ser afastada, embora pareça absurda. Nenhum funcionário entraria no gabinete presidencial, sem estar autorizado, e retiraria da parece a pesada peça de madeira. Alguém deu esta ordem.

Bem, mas como realmente existe a remota possibilidade de o crucifixo ter sido levado “por engano”, como alegam esses comentaristas, por que não devolvê-lo? E mais: por que já se passou mais de um mês, e o ex-presidente e D. Marisa Letícia, que comandou a mudança, ainda não vieram a público desfazer o mal entendido? Por que até agora a peça não foi devolvida?

Os jornais já registraram que a mudança de Lula foi acompanhada pela ex-assessora especial do Planalto Clara Ant, que continuará assessorando o ex-presidente, certamente com salário pago pelo PT, conforme acontece com o nosso companheiro. Por que ela não vem a público desfazer o equívoco, se assumir como autora do “engano” e evitar constrangimentos e danos à imagem do ex-presidente?

Quanto à adega de Lula, muitos jornais, sites e blogs noticiaram, dia 6 de janeiro, que a ex-primeira-dama Marisa Letícia fez um pedido especial à transportadora Granero, responsável pela mudança: um cuidado redobrado com as roupas e a adega de Lula.

“Ela pediu uma atenção especial para as bebidas e as roupas”, contou um assessor envolvido diretamente com a mudança, segundo a Agência Estado. Naquela manhã de 6 de janeiro, o primeiro dos 11 caminhões vindos de Brasília chegou em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, com 200 caixas com roupas do casal.

As diversas reportagens deram conta de que, por exigência do Planalto, a transportadora providenciou um caminhão climatizado para levar a adega do ex-presidente, que inclui garrafas de vinho, uísque e outras bebidas. A adega está num armazém climatizado até que a assessoria do ex-presidente defina o destino de cada peça de seu acervo geral.

O restante da mudança do ex-presidente seguiu para seu sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, e para um guarda-móveis da Granero, de acordo com a empresa (que alguns jornais dizem ter cobrado R$ 500 mil para transportar os pertences, enquanto outros dizem que este era o valor do seguro).

Outro mistério é o destino dos objetos mais caros dados ao ex-presidente, que não vieram de caminhão. Lula ganhou quadros, tapetes, estátuas, peças em cristal, presentes com ouro e pedras preciosas e até uma escultura de um camelo em ouro maciço e cristal. Um avião da Força Aérea Brasileira foi usado especialmente para trazer joias e presentes mais valiosos, que estavam guardados em três armários em Brasília.

Para o jurista Hélio Bicudo, um dos mais importantes e históricos fundadores do PT, o ex-presidente não deveria se apropriar dos presentes obtidos no desempenho da missão. “O presidente já ganha salário pelo cargo que exerce. Pode até receber presentes, mas destinar tudo ao Estado. Na função pública, os políticos têm de pensar na melhoria da vida das pessoas, e não usar cargos para obter vantagens e se dar bem”, disse o jurista.

A justificativa de Lula, para levar na mudança os objetos que recebeu como representante da Presidência da República do Brasil, e não como pessoa física, é a futura criação do Instituto Lula, que certamente será apenas mais “um museu de grandes novidades”, destinado a perpetuar a idolatria por si mesmo.

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