“Ajuste fiscal já nasce torto”, diz Paulo Rabello de Castro

“Do jeito que vamos, não cresceremos mesmo”, diz Rabello

Marta Vieira
Estado de Minas

Formados na mesma escola de pensamento econômico, a de Chicago, que teve o prêmio Nobel de Economia Milton Friedman como mentor, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o economista Paulo Rabello de Castro não se reconhecem na defesa do ajuste das contas públicas. Crítico contumaz do descontrole fiscal em todas as esferas de governo no Brasil, Paulo Rabello não vê qualquer sentido na proposta que o ministro tenta aprovar no Congresso Nacional, e a considera o retrato de uma inflação de impostos. “Ela nasce torta, fruto de uma visão de contabilidade, quando o Brasil precisa é de uma agenda completa e articulada para a retomada do crescimento, que começa com a volta do controle das contas públicas”, afirma o economista.

Nas últimas duas semanas, o economista tem se dedicado à construção de uma série de sugestões para o país retomar a capacidade de crescer, que serão apresentadas pela recém-criada Associação Brasileira de Cidadania Pela Democracia (ABCD), com sede em Belo Horizonte. Nas projeções da empresa de consultoria que leva o sobrenome de Paulo Rabello, a RC Consultores, o país está às vésperas do ápice da crise, entre setembro e outubro, sob o risco de cair num cenário de “absoluta desconfiança”. Essa é também, na visão dele, a percepção dos brasileiros que vão aderir às manifestações de rua neste domingo.

Desalinho histórico

“Há semelhanças do Brasil de hoje com o país do Plano Cruzado (em 1986), que, à época, nós dissemos que não tinha condições de funcionar porque começou errado, com um congelamento geral de preços. Tudo o que começa sem ser sustentável no tempo, a não ser que seja uma paulada, um ajustamento de arrumação como foi a URV do Plano Real (em 1994), não funciona. O truque da URV foi, justamente, a sua transitoriedade. Em 1986 havia um dever de casa fiscal a ser feito, que, tal como hoje, diz respeito, ao controle do estado, à redefinição do seu tamanho e ao seu modo de intervir. Naquele momento, nós tínhamos estatais para tudo quanto é lado, déficit de empresas estatais mais do que hoje, subsídios para segmentos considerados coitadinhos e uma disfuncionalidade cambial decorrente da fragilidade financeira do Brasil. Não temos uma inflação galopante como naquele tempo, mas temos algo que galopa, a carga tributária. Falando em planos econômicos, vamos nos lembrar de que o Plano Real transformou a hiperinflação monetária em hiperinflação tributária.”

Emergência e crescimento

“Do jeito que estamos não vamos crescer mesmo. Estimamos para este ano uma queda de 2% a 3% e 2016 é uma grande incógnita, mas, no ritmo atual, vamos ter de crescimento zero a uma retração de 1%. Vamos chegar entre setembro e outubro no ápice da crise com o risco de uma absoluta desconfiança. Por isso, a nossa proposta é uma lei emergencial para o crescimento e o orçamento, que chamamos de Leco. Temos de fazer uma política fiscal de estabilidade e equilíbrio, não para sermos bons gestores apenas, mas para propiciar que as forças produtivas da nação se libertem do governo. Na medida em que por tantos anos não fizemos o dever de casa, eu me proporia a uma agenda de crescimento gradual, mas com vistas a estar em 2018, pelo menos, numa velocidade média de crescimento de 5% ao ano. O custo da atual política monetária e cambial é altíssimo. Nos últimos 12 meses até maio, o setor público desembolsou nada menos de R$ 408,8 bilhões em juros da dívida. Comparado ao período do governo Lula, a cifra significa um salto superior a R$ 250 bilhões nos últimos cinco anos na conta dos juros. Isso equivale a mais de oito Copas do Mundo por ano.”

Programa estrutural

“O lado emergencial da nossa Leco consistiria em um ano de aperto, mas seguido de um programa estrutural de melhoria da gestão, que vai atacar, por exemplo, a maneira de o SUS (Sistema Único de Saúde) trabalhar. Gasta-se a mesma coisa, mas atende-se 20% a mais de pessoas, com mais eficiência. Na conta da emergência, ficariam cortes de R$ 110 bilhões distribuídos entre 2016 e 2017, que, basicamente, se limitam a não fazer o repasse inflacionário para as verbas que hoje comandam, obrigatoriamente, aumentos ao arrepio e em ofensa à situação do povo brasileiro. Um Poder Judiciário que hoje envia para a Câmara ou as assembleias legislativas pedido de recomposição da inflação passada fere o preceito constitucional de solidariedade e, portanto, merece rejeição.”

Pura contabilidade

“O ajuste fiscal já parte torto. Não vou citar a figura do ministro porque o respeito muito. Ele vem, inclusive, da mesma escola que eu, tem muita boa vontade, está ali no sacrifício, mas está errando. O que se pretende fazer é o que se fez nos anos 90, mas que não se aplica mais hoje, quando o Brasil continua com uma alta carga de impostos, depois de uma hiperinflação tributária. Naquele momento do Plano Real criou-se um lema hoje repetido por Joaquim Levy:  Onde houver despesa pública cobrirei com uma receita correspondente. Não importa a forma. Aí começa a escalada tributária. A inflação de impostos nasce dessa frase. É uma forma de ajuste fiscal arcaico pelo lado da receita. Ela (a proposta) nasce torta, fruto de uma visão de contabilidade, quando o Brasil precisa é de uma agenda transformadora e articulada para a retomada do crescimento, que começa com a volta do controle das contas públicas.”

Recado das ruas

“Que tal olharmos o ajuste fiscal necessário pelo lado da despesa, depois de uma década de esbanjamento das contas públicas? Essa é a mudança filosófica e ideológica que a sociedade brasileira quer. Quer que ao governo caiba solidariamente uma atitude compatível com o sacrifício que a sociedade tem feito há 30 anos para sustentar o estado brasileiro. As pessoas percebem essa necessidade de uma agenda completa. A presidente Dilma Rousseff não pode é continuar o discurso da mandioca e, como ela não tem programa, então que copie a agenda que é do povo.

(entrevista enviada pelo comentarista Wilson Baptista Jr.)

25 thoughts on ““Ajuste fiscal já nasce torto”, diz Paulo Rabello de Castro

  1. AJUSTE RADICAL

    PRIVATIZAÇÃO JÁ DE TUDO O QUE FOR POSSIVEL DE SER PRIVATIZADO! COMEÇANDO PELA QUE PROVOCOU A MAIOR SANGRIA E QUE MAIS ABASTECEU E SUSTENTOU O MAIOR PROJETO CRIMINOSO DE PODER DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE:
    NOVA CAPITALIZAÇÃO DA PETROBRÁS COM O FIM DO CONTROLE ESTATAL DA MESMA! É A ÚNICA MANEIRA DE SE COMEÇAR UM VERDADEIRO AJUSTE FISCAL! O RESTO É SÓ EMBROMAÇÃO, A SOCIEDADE NÃOI SUPORTA MAIS AUMENTO DE TRIBUTOS! CHEGA! BASTA!

  2. “…quando o Brasil continua com uma alta carga de impostos…”, em relação a que e a quem cara-palida? Só para não passar em branco dou um dado: carga tributária média na Europa é de 55% do PIB.
    Como todo bom economista falou, falou, e não disse nada.

  3. Com apoio ou consentimento do Congresso Nacional ocorreram desmandos e ajustes foram concretizados sob distintos rótulos, no curso ou ao término de variados governos: José Sarney (Plano Cruzado), Itamar Franco (Plano Real), Fernando Henrique Cardoso (decretou ajuste para entregar o governo ao Lula que embrulhou no rótulo “Fome Zero” o aprofundamento de “políticas compensatórias”).

    O atual “Ajuste Fiscal” era pra ter caído no colo de Aécio Neves, lembrem que até anunciou na campanha iniciada com uma pérola: “O Brasil vinha crescendo e nos últimos quatro anos começou a andar pra trás”. A tática tucano-lulista não colou e ele redefiniu seu marketing, mas ao final ocorreu precisamente o que as cúpulas dirigentes não queriam: Dilma Rousseff reeleita.

    Melhor para o Brasil, as cúpulas que se partam desde que não rompam a ordem constitucional vigente. Esta é a ponte para o futuro, cobrar responsabilidades de todos pelo país. A falta de respeito a instituições e o péssimo exemplo da fulanização de questões partidárias ou públicas não tem base na realidade e nos fatos, daí porque se revelam meras provocações que devem ser evitadas.

      • BOM SENSO E SERENIDADE FARIAM BEM AO LULISMO

        Não entro nas implicações de Lula na ‘Lava-Jato’ ou em qualquer outra operação faxina necessária ao país, seja de escova ou vassoura, porque isto cabe a ele se defender e aos tribunais o veredicto. A ninguém mais.

        A questão é política e aí o lulismo – nem culpo o Lula senão pela falta de comando – tem se apresentado pior que encomenda. Ao contrário de elevar o debate, a cada manifestação há rebaixamento de nível.

        Qualquer pessoa de bom senso e desprendida de questões menores, porque do contrário até a capacidade de percepção se perde, sabe que os desmandos corriam consentidos em outras gestões (‘FHLula’).

        Só três fatos reforçam meu raciocínio: 1. Ministros não iam depor no Congresso Nacional; 2. Delatores do caso Petrobras foram demitidos por Dilma em 2011 e 2012; 3. O título abaixo é falso dilema..

        Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/100/lula-exclusivo-quem-arrumou-a-casa-fomos-nos-diz-1117.html

  4. O economista erra feio quando diz que a proposta de ajuste fiscal é arcaico por ser feito em cima de uma visão contábil em “cima do aumento de receitas” e que o correto seria um corte de gastos.

    Corte de gastos é também um viés da administração contábil, amplamente estudada e praticada na contabilidade gerencial, especialmente, na contabilidade de custos. E é justamente uma solução de controle contábil que o país necessita.

    Aforando este erro crasso, acerta o economista quando diz que passamos dos anos 80 de uma hiperinflação monetária para os anos 90 com uma hiperinflação tributária. É isso mesmo. O governo que antes se financiava com a hiperinflação passou a se financiar com o crescimento desmesurado da carga tributária, que, aliás, não foi suficiente para cobrir a voracidade da máquina pública, ocorrendo, também, a hiperinflação do endividamento público através da emissão, sem precedentes, de títulos públicos.

    Veja-se, então, que alternamos uma hiperinflação monetária para duas hiperinflações: a tributária e a do endividamento público.

    Veja a evolução da carga tributária brasileira:

    Governo………..Período……….Variação da CT sobre o PIB………Variação no período
    ——————————————————————————————————-
    Sarney……….1986/1989…………de 22,39% a 22,16%………………..-0,23%
    Collor…………1990/1992………..de 22,16% a 25,38%…………………3,22%
    Itamar………..1993/1994………..de 25,38% a 28,61%…………………3,23%
    FHC…………….1995/2002……….de 28,61% a 32,36%…………………3,75%
    Lula…………….2003/2010……….de 32,36% a 33,76%…………………1,40%
    Dilma………….2011/2014………..de 33,76% a 35,42%…………………1,66%
    ——————————————————————————————————–
    Total………….1986/2014…………de 22,39% a 35,42%……………….13,03%

    Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

    Veja a evolução da Dívida Bruta no Brasil:

    2002: R$994,0 bilhões
    2003: R$1,048 trilhões
    2004: R$1,101 tri
    2005: R$1,215 tri
    2006: R$1,337 tri
    2007: R$1,543 tri
    2008: R$1,741 tri
    2009: R$1,973 tri
    2010: R$2,011 tri
    2011: R$2,243 tri
    2012: R$2,583 tri
    2013: R$2,748 tri
    2014: R$3,252 tri

    Fonte: Política Fiscal/ Nota para a imprensa/Banco Central do Brasil.

    Não há como contornar esta situação sem cortar profundamente o gasto público e produzir um ajuste eficiente no mais breve espaço de tempo. Se não cortar eficientemente o gasto público de maneira a produzir um superávit fiscal suficiente para cobrir os juros da dívida e estabilizá-la, a economia continuará se arrastando sem solução de continuidade para o fenômeno recessivo ao qual nos atolamos.

  5. O IBGE informa que a taxa de desemprego é de 7,5%, que significam 1,8 milhões de pessoas procurando emprego.
    Portanto o universo de trabalhadores no Brasil é de 24 milhões (100%).
    Segundo o IBGE temos, então, 22,2 milhões de pessoas que trabalham (CLT, servidores, autônomos, MEIs, camelôs, empresários, etc).
    Obviamente, com uma população de mais de 200 milhões de pessoas é impossível um país funcionar com tanta gente apenas olhando a vida. Nunca vai dar certo sem uma mudança radical na visão do trabalho, da produtividade pessoal, do valor em fazer algo diariamente, da necessidade de diminuir a burocracia improdutiva.

    • Sr. Aranha, esta estatística mensal é o resultado de uma amostragem de seis regiões do país. Melhor aguardar os resultados da PNAD contínua que abarca todo o Brasil.

      Seguramente estamos caminhando céleres para o desemprego de duas casas decimais, isto é, de 10% acima.

      Mais uma coisa, somos 204 milhões de brasileiros e a PEA (população economicamente ativa) corresponde à metade da população, isto é, 100 milhões de trabalhadores. Portanto, por exemplo, 10% de desemprego corresponde a 10 milhões de trabalhadores.

      A última PNAD trimestral revelou que a desocupação atingiu 8% da PEA, isto é, 8 milhões de trabalhadores.

      Grande abraço!

      • Sr. Wagner, os números que citei são os que o IBGE divulgou. Segundo eles temos 1,8 milhões de desempregados que eles consideram 7,5%. Como ocorre a tortura dos números nos porões do IBGE não sei. Esta é outra jabuticaba brasileira, as estatísticas.
        Abraços!

  6. wagner,

    Sem colocar a evolução da dívida pública bruta dos perídos de Itamar e fhc, não da para se aferir quem fez o que. Seja pelo mesmo sincero e não omita esses dados, são importantes, sem eles voce não mostra que fhc multiplicou a dívida recebida por mil.

    • Veja a evolução da Dívida Bruta no Brasil:

      2000: R$745,8 bilhões
      2001: R$885,9 bi
      2002: R$994,0 bi
      2003: R$1,048 trilhões
      2004: R$1,101 tri
      2005: R$1,215 tri
      2006: R$1,337 tri
      2007: R$1,543 tri
      2008: R$1,741 tri
      2009: R$1,973 tri
      2010: R$2,011 tri
      2011: R$2,243 tri
      2012: R$2,583 tri
      2013: R$2,748 tri
      2014: R$3,252 tri

      Fonte: Política Fiscal/ Nota para a imprensa/Banco Central do Brasil.

      Sr. Luiz Antônio, não consegui encontrar o montante da dívida pública bruta para anos anteriores ao ano 2000 no site do Banco Central.

      Se o sr. achar a informação me avise, por favor.

  7. Fazer o ajuste fiscal pelo lado da despesa é complicado porque cerca de 90% da despesa orçamentária do Governo é obrigatória, a rigidez da despesa é um empecilho importante. Mesmo assim, o Governo cortou no seguro desemprego e vai cortar no “Ciência sem fronteiras” e no PRONATEC. Uma proposta de reforma tributária que considero boa foi a que consta do Jornal dos Economistas do CORECON RJ de julho de 2015, a qual está no link abaixo.
    http://www.corecon-rj.org.br/documents/11827/95658/Julho+-+2015+%28n%C2%B0312%29/a068a25b-fedd-48bb-9424-8b791173791d

  8. Parabéns Prof. Dr. CARLOS FREDERICO ALVERGA, pela postagem dos excelentes artigos acima, referentes a análises e sugestões sobre: Planejamento de longo prazo para acelerar nosso crescimento Econômico, dos Economistas CARLOS LESSA; JOÃO PAULO DE ALMEIDA MAGALHÃES; WILSON CANO e ANTÔNIO CORRÊA DE LACERDA.
    Todos enfocaram muito bem a questão, cada um dando destaque a determinado assunto, sendo que eu me alinho mais com a explanação do Econ. CARLOS LESSA. Mas todas são muito boas.
    Na minha modesta opinião, os nossos dois problemas estratégicos de longo prazo são:

    1- Deficit Público Federal causado por CUSTEIO, gerador de crescente ENDIVIDAMENTO PÚBLICO, causando alta Taxa de Juros e transferência crescente de Renda do setor Produtivo da Economia para o setor Rentista.

    2- Crescente Deficit de nosso Balanço de Pagamentos Internacional, o que DESNACIONALIZA nossa Economia. Uma grande Economia como a nossa, 7º/8º do Mundo, mas muito DESNACIONALIZADA, capitaliza internamente só +- 25% do total da Renda Nacional, eis que os Donos do Capital sendo estrangeiros, não desenvolvem aqui TECNOLOGIA, e levam a parte do Leão dos Lucros, para fora.

    Nosso desafio é portanto, ir reduzindo até eliminar nosso Deficit Público Federal por CUSTEIO, e ir re-NACIONALIZANDO nossa Economia, via eliminação de nosso Deficit do Balanço de Pagamentos até termos Superavit sensível.

    A atuação do GOVERNO FEDERAL é fundamental para se atingir ambas as Metas. Abrs.

  9. AS FALHAS DE JOAQUIM LEVY

    O Brasil está no pior dos mundos e o pior mesmo é que o governo está inerme.

    O ministro Joaquim Levy está longe de ter posto em prática as medidas recomendadas pelo chamado “Consenso de Washington”, que poderiam liberalizar a economia brasileira e trazer de volta a prosperidade perdida. Mas ele fez ainda pior, ao abandonar o tripé de sustentação da saúde econômica do Estado, que bem ou mal foi seguido pela gestão do ex-presidente Lula. O desenvolvimentismo de Dilma Rousseff fez renascer a prática da irresponsabilidade fiscal com toda força, que trouxe o Brasil para a grave crise em que se encontra mergulhado. Assassinou o Plano Real.

    O tripé é composto pelo superávit primário, suficiente para impedir o crescimento da dívida pública, o câmbio flutuante e o regime de metas de inflação, que baliza a política monetária. O que estamos vendo? A busca de superávit primário simplesmente foi abandonada em face da queda verificada na arrecadação tributária e da impossibilidade, ideológica assim como política, de a presidente Dilma Rousseff fazer qualquer corte nas despesas correntes. Como a arrecadação continuará a cair nos próximos meses, até onde a vista alcança, é possível dizer que Joaquim Levy assiste, de braços cruzados, à criação de um déficit gigantesco nas contas do governo.

    O regime de câmbio flutuante também foi abandonado, com o Banco Central tentando controlar a aceleração da desvalorização cambial. Esta é agora impossível de ser controlada porque a expectativas pioraram muito e o fluxo de capitais para o Brasil minguou. A perda do grau de investimento, que pode ocorrer a qualquer momento, irá piorar a questão cambial em muito. Mesmo que o governo continue a fazer o câmbio “sujo”, vendendo dólares, não conseguirá deter a depreciação do câmbio. Ademais, essa tentativa retarda o alcance da taxa cambial “verdadeira”, que retrate o momento que a economia está vivendo e possibilite ter grandes superávits na balança comercial, necessários para a administração da economia brasileira.

    As metas inflacionárias foram esquecidas, mesmo abandonadas. A inflação disparou em face do desarranjo das contas do Estado e do tarifaço atabalhoado que foi realizado nos final do ano passado. Podíamos aqui arremedar a presidente Dilma Rousseff: ela vai esperar ter o número da inflação e, aí então, dobrar a meta.
    A inflação está sem administração alguma. Já alcançou a fatídica taxa dos dois dígitos. A taxa de juros está sendo elevada unicamente para permitir que os detentores da dívida pública tenham remuneração positiva, acima da inflação. Do contrário, teríamos fuga de capitais e incapacidade do governo de gerenciar a dívida pública.

    O Brasil está no pior dos mundos e o pior mesmo é que o governo está inerme. É claro que o ministro Joaquim Levy sabe qual é o caminho das pedras, mas está impedido de trilha-lo. Não tem apoio da presidente da República e não tem qualquer força política. Está como boi de presépio, enfeitando a Esplanada dos ministérios. Deixou de ser o garantidor da boa política econômica. Rendeu-se ao status quo petista.

    A propósito, a única coisa que o ministro Levy tem feito é negativa, que é a reiterada proclamação que fez e continua fazendo de tentar elevar impostos. Isso não pode acontecer e penso que o Congresso Nacional não endossaria iniciativas para novos tributos e elevação dos antigos. O ministro Levy assim endossou a proposta política do PT, que é elevar a tributação onde for possível e deixar os gastos correntes galoparem, numa suposta política anticíclica.

    O que esse ministro está fazendo lá? Meramente esquentando a cadeira e comendo os pratos feitos na Casa Civil e no Ministério do Planejamento. Assina os decretos que nunca redigiu e endossa proposituras legislativas que são a própria negação de sua boa formação de economistas. Se eu pudesse diria para o Levy o que Roberto Jefferson disse para o José Dirceu, em outra situação, mas muito apropriado: “Sai já daí, Levy.”

    http://nivaldocordeiro.net

  10. Na verdade o Congresso Nacional desfigurou completamente o ajuste fiscal preconizado pelo Executivo, o qual propôs até a redução de despesas obrigatórias, tais como o seguro desemprego e o seguro defeso. Em vez de colaborar com o ajuste fiscal, o Congresso, comandado por Cunha, só fez solapá-lo e sabotá-lo, junto com a oposição, criando despesas crescentes inoportunas e totalmente incompatíveis com o momento econômico atual, tais como o fim do fator previdenciário e a extensão ,a todas as aposentadorias do INSS, da mesma sistemática de reajuste do salário mínimo, jogando no “quanto pior melhor”. Certamente Dilma cometeu graves erros no 1º mandato, com destaque para a renúncia tributária excessiva das desonerações seletivas e a diminuição forçada das tarifas de energia, além da contenção indevida do preço da gasolina, o que redundou no tarifaço e no aumento da inflação que, entretanto, já começa a ceder, sendo que o mercado, segundo o último boletim FOCUS do Bacen já aponta para inflação anual de 6% no final do ano que vem. Agora o “Consenso de Washington” não é panacéia de nada. Veja-se a trajetória explosiva da dívida pública no Brasil no período FHC no qual, apesar da privatização maciça do aparato do Estado Empresário e prestador de serviços (me refiro especialmente à Telebrás e à antiga Siderbrás) o endividamento público nacional passou de cerca de 30% do PIB para aproximadamente 60% do PIB.

  11. x
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    Divisão dos recursos orçamentários empenhados em 2014 e 2015 por função de governo:

    FUNÇÃO DE GOVERNO…………………….2014………………….%…………….2015……………………..%
    ——————————————————————————————————————————————-
    Legislativa…………………………………….R$6,680 bilhões…………0,3……….R$6,762 bilhões…………0,30
    Judiciária………………………………………R$28,532 bilhões………..1,2………R$25,040 bilhões………..1,12
    Essencial à Justiça………………………….R$5,563 bilhões………….0,2………R$4,172 bilhões………….0,19
    Administração………………………………..R$21,235 bilhões……….0,9………R$14,890 bilhões………..0,67
    Defesa Nacional……………………………..R$40,250 bilhões……….1,7………R$29,362 bilhões………..1,32
    Segurança Pública……………………………R$8,945 bilhões………..0,4………R$6,323 bilhões………….0,28
    Relações Exteriores………………………….R$2,437 bilhões………..0,1………R$1,761 bilhões………….0,07
    Assistência Social…………………………….R$70,433 bilhões……….3,1……..R$68,848 bilhões………..3,08
    Previdência Social……………………………R$495,306 bilhões….21,46……..R$518,737 bilhões…….23,24
    Saúde………………………………………………R$94,065 bilhões………..4,1……R$77,573 bilhões…………3,48
    Trabalho………………………………………….R$71,640 bilhões………..3,1……R$62,224 bilhões…………2,79
    Educação…………………………………………R$93,897 bilhões…………4,0…..R$81,998 bilhões…………3,67
    Cultura…………………………………………….R$1,836 bilhões…………0,07…..R$0,794 bilhões…………..0,03
    Direitos da Cidadania………………………..R$1,485 bilhões…………0,06……R$0,742 bilhões………….0,03
    Urbanismo……………………………………….R$4,143 bilhões……………0,2…..R$1,216 bilhões………….0,05
    Habitação…………………………………………R$0,048 bilhões………..0,002…..R$0,000 bilhões………….0,00
    Saneamento………………………………………R$1,691 bilhões………….0,07…..R$0,564 bilhões………….0,02
    Gestão Ambiental………………………………R$6,792 bilhões……………0,3…..R$2,921 bilhões………….0,13
    Ciência e Tecnologia…………………………..R$8,337 bilhões…………..0,4……R$4,931 bilhões…………0,22
    Agricultura…………………………………………R$18,852 bilhões…………0,8……R$17,268 bilhões……….0,77
    Organização Agrária……………………………R$4,292 bilhões…………..0,2……R$1,591 bilhões…………0,07
    Indústria…………………………………………….R$2,289 bilhões…………0,09……R$1,423 bilhões…………0,06
    Comércio e Serviços……………………………R$4,748 bilhões…………..0,2…….R$3,130 bilhões………..0,14
    Comunicações…………………………………….R$1,517 bilhões…………0,07…….R$0,973 bilhões………..0,04
    Energia………………………………………………R$1,160 bilhões…………0,05…….R$1,931 bilhões………..0,09
    Transporte………………………………………….R$21,124 bilhões…………0,9…….R$10,493 bilhões………0,47

    Desporto e Lazer…………………………………R$2,417 bilhões…………..0,1…….R$1,213 bilhões………..0,05
    Juros e Encargos da Dívida Pública……….R$170,552 bilhões………7,4……..R$217,977 bilhões……9,76
    Amortização/Refinanciamento da DP……R$808,540 bilhões……35,03……..R$778,754 bilhões…34,89
    Outros Encargos Especiais…………………….R$309,529 bilhões…….13,4…….R$290,629 bilhões…13,00
    ——————————————————————————————————————————————–
    TOTAL……………………………………………….R$2.308,335 bilhões…..100……..R$2.232,240 bilhões…100.

    Fonte: Portal Orçamento do Senado Federal

    Divisão dos recursos orçamentários empenhados em 2014 e 2015 por grupo de despesa de governo:

    GRUPO DE DESPESA…………………………………….2014…………………%………………2015…………………………..%.
    —————————————————————————————————————————————————
    Pessoal e Encargos Sociais………………….R$239,420 bilhões……..10,38……..R$204,457 bilhões…………….9,16
    Juros e Encargos da Dívida………………….R$170,552 bilhões………….7,4…….R$217,977 bilhões…………….9,77
    Outras Despesas Correntes…………………R$957,721 bilhões………41,49…….R$950,973 bilhões…………..42,60
    Investimentos…………………………………….R$56,012 bilhões……………2,4…….R$16,084 bilhões………………0,72
    Inversões Financeiras…………………………R$76,090 bilhões……………3,3…….R$63,995 bilhões………………2,86
    Amortização/Refinanciamento da DP…..R$808,540 bilhões………35,03…….R$778,754 bilhões…………..34,89
    —————————————————————————————————————————————————–
    TOTAL……………………………………………….R$2.308,335 bilhões…….100……..R$2.232,240 bilhões………….100

    Fonte: Portal Orçamento do Senado Federal

      • Destaque para o corte de investimentos – em torno de R$40,0 bilhões -, e quase que insignificantes R$7,0 bilhões nos gastos correntes.

        E tem gente, ainda, esperando crescimento dentro do governo da gerentona. Mas, nem com reza “braba”!

        • 44,65% do orçamento está engessado com a rolagem da dívida e o pagamento dos juros.

          Outros 42,65% engessados com despesas correntes pelo tamanho da máquina pública.

          Dilma bucéfalo vai levar este país e o povo a loucura!!!

        • 44,65% do orçamento está engessado com a rolagem da dívida e o pagamento dos juros.

          Outros 42,65% engessados com despesas correntes pelo tamanho da máquina pública.

          Dilma bucéfalo vai levar este país e o povo a loucura, pois empurrou o país para um circulo vicioso recessivo que vai durar exatamente o mesmo tempo em que a inflação esgotar todo o ganho real dos salários tido nos últimos vinte anos.

          E ponto final.

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