Ala dos generais do Planalto preocupa-se com o Twitter e com Olavo de Carvalho

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de página inteira de Vinicius Sassine e Bernardo Mello, edição de ontem de O Globo, focaliza as preocupações com o desempenho e rumo do governo e destaca que os generais mantém atenção essencial no uso do Twitter pelo presidente Jair Bolsonaro. E também por sua dubiedade em relação a Olavo de Carvalho, considerado pelos generais como um extravagante ideólogo da direita, que por diversas vezes atacou os militares do governo ofendendo-os com xingamentos.

Os generais ouvidos por Vinicius Sassine e Bernardo Mello concordaram em dar declarações desde que não tivessem seus nomes revelados.

DESCONTENTAMENTO – A reportagem é muito mais importante do que normalmente se possa pensar. A meu ver, constitui forte sinal de um processo de descontentamento, que começa a se tornar visível no convés da nave do poder. A reportagem cristalizou essa certeza.

Um dos generais, inclusive, pediu serenidade ao presidente da República: “Você não precisa dos radicais”. Tal frase só se tornou possível com base em forte amizade, pois, caso contrário poderia ser interpretada como uma ameaça.

As frases e até as palavras, digo eu, possuem entonações que variam de uma situação para a outra. Os generais estão atentos e se preocupam com a responsabilidade em torno dos tropeços do presidente.

NUVEM DE CONFLITO – A reação às interferências de Olavo de Carvalho acentua uma divergência, envolvendo-os numa nuvem de conflito entre o professor da Virgínia e os setores mais próximos do poder. Mas as preocupações não se esgotam nesse patamar, embora bastante críticas. Duas outras questões se colocam. São elas: a liberação de armas de fogo e a troca de cargos no Ministério da Educação.

Um general afirmou: como ficariam as forças armadas se recebessem a pecha de terem contribuído e terem sido responsáveis pela venda de armas de fogo?

O mesmo general acrescentou: os militares torcem para o governo dar certo. Caso contrário, os militares serão criticados a respeito de como os salvadores da Pátria falharam.

ENTREVISTAS – Após a ironia leve as entrevistas se sucederam. O Comandante do Exército Edson Leal Pujol é da mesma turma de Jair Bolsonaro na Academia de Agulhas Negras, como o general Otávio Rego Barros. Também por coincidência os generais Augusto Heleno, Carlos Alberto Santos Cruz e Floriano Peixoto já integraram forças de paz em atuação no exterior.

O general Eduardo José Barbosa, presidente do Clube Militar disse que os tempos agora são outros, o que contribui para o perfil moderado dos oficiais que participam diretamente no governo.

Como expuseram Vinicius Sassine e Bernardo Mello, que realizaram as entrevistas, todas as declarações não foram proferidas de uma só vez.

MUITA PREOCUPAÇÃO – A atmosfera de Brasília não é de calmaria, ao contrário, é de preocupação. Essa preocupação cuja existência já se sentia nas ruas, passou a ter forma e tom. Para atestar tal situação basta ler e reler a redação final da matéria.

Então na releitura surge de forma cristalina a reação negativa principalmente contra Olavo de Carvalho, personagem sombrio do processo democrático. E como os generais o acusam de provocar a dubiedade, tal assertiva se encontra tanto na posição do presidente Bolsonaro quanto nas mensagens do filósofo da Virgínia.

A reportagem de página inteira representa uma análise que traduz e ilumina uma verdade até então oculta no sistema de poder.

8 thoughts on “Ala dos generais do Planalto preocupa-se com o Twitter e com Olavo de Carvalho

  1. Com esse congresso e esse STF o Brasil não dá um passo no sentido da moralização.
    Quem é contra a Lava Jato, contra as reformas, contra a lei anticrime não precisa nem dizer o que quer.
    Querem um corrupto, lavador de dinheiro, chefe de organização criminosa livre para voltarem a atacar o país essa é a verdade.
    Nesse contexto só existe uma saída. Melhor uma ruptura do que uma falsa democracia.
    Viveremos pra ver.

  2. O jornalista deste artigo só escreve em cima de matérias de outros jornalistas? Não tem fontes próprias? Só é capaz de repetir o que diz a Impren$a do Mecanismo? O nosso jornalismo vai mal…

  3. As várias nuances das prosopopeias dos jornalistas engajados vai de vento em popa.
    Uns dão meias cusparadas outros dão meias lambidas.
    Mas no fundo eu ‘si divirto’ como diz minha amiga Adriana, chega a ser um deleite ler elucubrações bizantinas sobre as variações do mesmo tema, piruetas e saltos escarpados prenhes de falsa erudição para todos os gostos.
    Minha constatação é, como já foi dito, papel aceita tudo, até ser higiênico.

  4. Pedro do Coutto é um jornalista experiente, sabe o que escreve, sabe o que é uma nação e tem credibilidade, diferentemente de alguns que o criticam sem base, tão despreparados quanto o Presidente da República, sem argumentos cabíveis, ofendem e agridem.

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