Dois assuntos importantes: 1) Alckmim dialoga com Campos; 2) crise com Aécio e Marina

Pedro do Coutto

Em reportagem na edição de 28 de maio da Folha de São Paulo, Marina Dias revela as conversas que vêm ocorrendo entre o governador Geraldo Alckmim e Eduardo Campos sobre a possibilidade de o PSB apoiar a reeleição do atual chefe do Executivo paulista, abrindo assim espaço para, no maior colégio de votos do país, divulgar melhor sua campanha à presidência da República. A perspectiva de tal acordo concretizar-se abrirá duas dissidências.

Uma no PSDB com o senador Aécio Neves, outra na legenda de Marina Silva, que inclusive já havia se pronunciado publicamente contra qualquer acordo da coligação da qual faz parte com os tucanos em São Paulo. Eduardo Campos, ao retornar ao tema, provavelmente provocará nova reação contrária por parte de Marina Silva que poderá até fazê-la deixar de ser candidata à vice presidência, desmontando a chapa voltada para as urnas de outubro.

Quanto a cisão no PSDB, ela será inevitável. Simplesmente porque uma aproximação da principal corrente partidária com Eduardo Campos será insuportável para Aécio Neves. Destruirá sua candidatura antes mesmo de iniciada a campanha oficial, o que, pela lei acontece a partir de primeiro de julho. A ruptura entre Aécio Neves e Alckmin, um sonho para Dilma Rousseff, já vem se desenhando há algum tempo, na medida em que o governador de São Paulo, pelo menos até agora, não vem demonstrando entusiasmo em relação a Aécio neves.

Vem fazendo falta à movimentação nacional do PSDB. O motivo parece ser o temor de que uma subida de Aécio no Estado termine forçando uma participação mais efetiva do ex-presidente Lula na área paulista, cujo reflexo poderia atingir a candidatura de Alckmin à reeleição. Não que Lula não apoie Dilma, mas pelo menos não dirija ataques veementes à sua administração. Alckmin conquistaria essa alternativa não se empenhando com vigor por Aécio. A aproximação com Eduardo Campos, na realidade, abriria o caminho para o distanciamento que lhe convém no ano eleitoral. Isso de um lado.

De outro, Eduardo Campos, além de poder tentar atingir parte do eleitorado paulista, obteria, como me referi anteriormente, um pretexto para livrar-se de Marina Silva, cujas posições vêm sendo interpretadas pelo PSB como prejudiciais à aliança firmada. Como foi o caso da entrevista (publicada pela Folha de São Paulo) prevendo a derrota de Aécio Neves se for ao segundo turno contra Dilma Rousseff, e a defesa da candidatura de João Paulo Lobianco, ambientalista, ao governo de São Paulo. Com isso tudo, torna-se provável o afastamento entre Campos e Marina. Da mesma forma que a ruptura envolvendo Alckmin e Aécio Neves. São dois lances bastante sensíveis no panorama da sucessão presidencial.

 

2 thoughts on “Dois assuntos importantes: 1) Alckmim dialoga com Campos; 2) crise com Aécio e Marina

  1. Boa ! Tomara que o Eduardo Campos faça o acordo com o Geraldo e enfraqueça a candidatura do Aécio FHC Neves. Se for para tirar o PT, que entre o PSB, porque o PSB realmente significa uma mudança. Porque a polaridade PT X PSDB já tem pelo menos 20 anos. Meu voto é para Presidente Dilma, mas prefiro um segundo turno com o PSB porque seria mais justo, e o Brasil mostraria maturidade política.Se é para mudar que entre o PSB. PSDB NUNCA MAIS !
    PS: Segundo turno Dilma X Eduardo, seria bom para a Dilma, porque se ela vencer,o segundo mandato terá todas as credenciais, afinal ela ganharia de uma nova oposição. Seria o cala boca final. Inclusive um mandato menos traumático sem a oposição barata do PSDB, porque este já teria sido eliminado no primeiro turno provando que o povo rejeita este partido de financistas patrimonialistas.

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