Alegar que a reforma da Previdência Social pode tirar o país da crise é uma farsa

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Guedes não pode exagerar os efeitos da reforma da Previdência

Pedro do Coutto         

Na minha opinião, sintetizada no título, a reforma da Previdência Social defendida pelo Ministro Paulo Guedes não pode resolver os problemas econômicos e sociais do Brasil, entre eles a queda do consumo e, portanto, da receita tributária. No universo político e econômico não há fatos isolados. Eles se ligam e interligam de alguma forma. Paulo Guedes, por sua cultura econômica e financeira, sabe disso muito bem. O mesmo raciocínio se aplica aos integrantes de sua assessoria, penso eu, todos de alto nível.

A situação é difícil para o ministro e para aqueles que seguem seu comando. Trata-se, acrescento, de uma divergência consigo mesmo. E não estão sozinhos no campo. 

DEFESA SEM BASE – Muitos defendem a reforma mesmo não sendo capazes de abordar qualquer ponto do projeto e os efeitos produzidos concretamente. Na sucessão presidencial de 1960, o mesmo aconteceu com a reforma agrária. Transformou-se em um slogan e ela não foi realizada até hoje.

Aproveito para dirigir uma observação aos jornalistas da Globonews que produzem programas muito superiores ao do jornal Nacional. Não naveguem no mero slogan. Examinem o conteúdo dos temas. Vão constatar no projeto de emenda a separação entre a lógica e a mágica.

Pois como é possível que adiar aposentadorias possa mesmo influir no mercado de capitais. Nas importações, exportações, numa escala maior de investimentos, na queda dos juros, na retomada do nível de emprego, na redução do não emprego de jovens que lutam para começar a trabalhar, portanto, a produzir renda.

DRIBLAR A VERDADE – Defender essa estranha tese é driblar a verdade, entrar em conflito com os fatos, colocar uma penumbra em volta do espelho.

Se a reforma previdenciária fosse capaz de ser tal panacéia, estaríamos falando do Brasil todo e não apenas do INSS dos celetistas e da seguridade social do funcionalismo público. Basta comparar o orçamento da União para 2019, da ordem de 3,3 trilhões de reais para se diagnosticar, como primeiro passo, a dúvida, que é a base de análise de qualquer proposição.

Até hoje, Paulo Guedes, realmente sem dúvida um bom ator, escapa sempre de cotejar os cortes com os reflexos financeiros de sua aplicação. Por quê? Ora, porque vai emergir um resultado incapaz de equilibrar as contas públicas. Ele não se preocupa e jamais menciona a possibilidade de aumento das receitas do INSS, a começar por um firme combate a sonegação, passando pela cobrança de dívidas que se elevam à escala de 479 bilhões de reais, e também pela ilegalidade da pejotização.

E A DÍVIDA? – É fundamental ser sincero para com a opinião pública. Revelar, por exemplo, que a dívida bruta nacional alcança 5,4 trilhões de reais. E que sobre grande parte desse total incidem juros de 6,5%a/a. Com uma agravante: o volume financeiro é progressivo com a capitalização dos juros, resultando na emissão de mais notas do Tesouro Nacional, papeis que lastreiam o endividamento.

Para terminar: o mInistro da Economia está propondo ao presidente Jair Bolsonaro o absurdo de cortar as deduções de despesas com educação e da saúde nas declarações do Imposto de Renda das pessoas físicas. Com isso, Paulo Guedes, indiretamente contesta o presidente da República que propôs a correção do imposto a pagar com base na inflação do IBGE para o exercício anterior.

HOMEM FATAL – O ministro Paulo Guedes me lembra o homem fatal, personagem de Nelson Rodrigues. Será que condiciona também o crescimento do PIB à reforma da Previdência? Encerro o artigo sugerindo a Paulo Guedes não esquecer de dizer que qualquer avanço do PIB tem que ser cotejado ao índice de crescimento demográfico, que no Brasil é de 1% ao ano. 

 Se a recuperação da economia brasileira empatar com o índice do crescimento demográfico, a renda per capita ficará estagnada.

14 thoughts on “Alegar que a reforma da Previdência Social pode tirar o país da crise é uma farsa

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO tem toda razão quando diz que: A Reforma da Previdência Social não tira o País da Crise.

    Mas é o início para acabar com o Deficit Primário,
    para após formar Superavit Primário e conter e ir diminuindo o alto Endividamento Público.

    Mas a Reforma da Previdência Social não pode ser feita via emissão pelo Congresso de “um cheque em branco” para o Ministério da Fazenda ( Economia). O Congresso deve analisar, pedir todas as Auditorias necessárias, e visando o interesse do Povo Brasileiro, VOTAR.
    Isso é Urgente e pode ser feito em 90 dias úteis de Trabalho.

    O Congresso deve decidir também a questão fundamental: Se mantém o Modelo Nacional Desenvolvimentista semi-Estatal que vem desde o grande Presidente VARGAS, que industrializou o País, mas que foi INCHADO nos últimos Governos, especialmente os do PT-Base Aliada, DesInchando-o, ou se dá uma Guinada de 180º e parte para o Modelo Liberal Laissez-Faire como quer o Ministro da Fazenda.

    É necessário ter em conta que a Argentina em 1990 com o Presid. MENEM e seu super-Ministro da Fazenda Dr. DOMINGO CAVALLO deram uma guinada de 180º dessas Liberalismo Laissez-Faire, tiveram um voo de galinha, e depois entraram numa Crise da qual até hoje não saíram.

    A nosso ver, o Congresso Nacional deveria manter nosso Modelo Nacional Desenvolvimentista semi-Estatal DESINCHADO.
    Pode fazer isso em 6 meses.

  2. Perder tempo com o Guedes. Não passa de mais um CAPATAZ DA COLÔNIA DE BANQUEIROS que chamam de BRASIL.

    Em 1933, Gustavo Barroso escreveu o livro: BRASIL, COLÔNIA DE BANQUEIROS.

  3. A Reforma da Previdência do Paulo Guedes, vai inibir o consumo. Não poderá haver progresso com medidas que vão inibir o consumo.
    Se o Paulo Guedes colocasse na Reforma da Previdência, que iria acabar com a pejotização, a Globo News estaria defendendo com unhas e dentes a Reforma da Previdência de Paulo Guedes?

  4. “Pois como é possível que adiar aposentadorias possa mesmo influir no mercado de capitais”. Só por imposição do mesmo, pois não há correlação alguma, pelo contrário, quem se aposenta mais cedo tem mais tempo para investir no mercado. Só em se conseguir que não fujam ao teto, já seria um grande ganho, mas como convencer o pessoal do Judiciário a ganhar menos? Só como exemplo. Este governo está gastando muita energia e tempo para aprovar um projeto que ainda incorre em grandes dúvidas e incertezas da população, pois seu começo no governo Temer foi coberto de mentiras e a impressão que deixou foi que a iniciativa privada era a maior interessada, não o povo, já bem irritado com sua classe política governantes. Por isso Bolsonaro foi eleito, como foi. Parece que foi esquecido, mas não foi.

    • Prioritária também no governo Temer, mas prioritária para quem? Para o mercado de capitais? Para o sistema financeiro? Para os donos do dinheiro? Essa argumentação é pífia. Importante, pode ser, mas prioritária, perguntem ao povo se é. Sem frases de efeito e pregação do apocalipse, joguem limpo com o povo.

        • ºº̥Glubºº̥̥̥̥̥̥̥ₒ̥̥̥̥̥̥ₒglub̥̥̥̥̥̥ₒºº̥̥̥̥̥̥̥glubₒºº̥̥̥̥̥̥̥ glubºº̥ₒºº̥̥̥̥̥̥̥glubₒºº̥……

          qual governo ????

          ºº̥Glubºº̥̥̥̥̥̥̥ₒ̥̥̥̥̥̥ₒglub̥̥̥̥̥̥ₒºº̥̥̥̥̥̥̥glubₒºº̥̥̥̥̥̥̥ glubºº̥ₒºº̥̥̥̥̥̥̥glubₒºº̥……

  5. Senhor Pedro, Paulo Guedes e outros, sabem disto tudo.
    Apostam como sempre na total ignorância do povo brasileiro, estimulados pela imprensa desonesta e interesseira.

    Se nosso Congresso fosse composto por homens patriotas, e preocupados com o país, a situação seria outra.
    A preocupação deles é uma só, tirar o máximo proveito….

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