Além da cautela, a autodefesa

Nas reuniões, quase todos os ministros entram mudos e saem calados

Carlos Chagas

Suponha-se que dos 39 ministros, entre os que estão sendo escolhidos, os que vão ser e os que vão ficar, a presidente Dilma apresente todos, dentro de um mês, quando iniciar o segundo mandato. Festas, lantejoulas, confetes – tudo de acordo com o programado. Ministros para ninguém botar defeito, do PT, PMDB, partidos menores, quota pessoal e até improvisações.

Acontecerá o quê, se em fevereiro o Procurador Geral da República e o Supremo Tribunal Federal tiverem, depois da denuncia e da abertura dos processos, iniciado o julgamento dos deputados e senadores implicados no escândalo da Petrobrás? Entre eles, alguns ou até muitos ministros? A presidente Dilma poderá aguardar as condenações definitivas, transitadas em julgado, para demiti-los. No mínimo um ano terá decorrido, mas que ano? Fala-se apenas dos ministros, ainda que número razoável de parlamentares no exercício de seus mandatos deva encontrar-se em situação paralela, ou seja, acusados de envolvimento na roubalheira verificada à sombra da estatal. Apontados como corruptos, uns e outros estarão se defendendo em meio às suas atividades executivas e legislativas. Governo e Congresso poderão trabalhar como se poderia esperar?

Admita-se, então, que parte da inspiração de Itamar Franco tenha chegado à presidente Dilma e ela, ao primeiro sinal das denúncias e do início dos julgamentos, resolva livrar-se dos acusados logo depois de empossados, sugerindo que, demitidos, possam dispor de melhores condições para defender-se? Ou que os respectivos partidos dos denunciados os tenham afastado? Num caso e no outro, o desgaste do governo e do Congresso será imenso. Estarão paralisados, ou quase, Executivo e Legislativo.

A conclusão surge inevitável: se não conhecer dentro de um mês a relação dos políticos envolvidos nas delações premiadas dos bandidos do saque à Petrobras, melhor faria a presidente Dilma em protelar o início do segundo mandato. Empurrar o governo velho com a barriga, sem nomear ministros além do trio integrante da nova equipe econômica. Mais do que um gesto de cautela, seria a necessidade da autodefesa.

Acresce que à lambança na Petrobras outras denúncias começam a germinar: Eletrobrás, Fundos de Pensão, Correios, Caixa Econômica, Banco do Brasil e mais o quê? O governo reeleito transita em campo minado.

One thought on “Além da cautela, a autodefesa

  1. Combate à corrupção

    Lamentavelmente, a velha, muito conhecida corrupção vai continuar com sempre foi, de um jeito ou de outro. A roubalheira até agora mostrada, não é nada diante do que existe por todo o Brasil. Se resolvem autorizar a Polícia Federal a dar uma batida geral, sem exceção alguma, o povo ficaria estarrecido. Afinal, é o próprio povo que sempre paga a conta ficando sem a gigantesca grana perdida pela corrupção, que poderia ter ido para a saúde, educação, transporte de massa, pesquisa científica, etc.

    Assim opera a democracia capitalista, incapaz de extinguir a maldita roubalheira. Afinal, graças a corrupção, as elites em todo o mundo, estão ficando a cada dia, mais ricas.

    Já existem suficientes meios de informática para a drástica redução da roubalheira. Um deles, implantação da transparência bancária e de patrimônios, para todos, sem exceção alguma. No momento, somente uma instituição seria confiável para gerenciar semelhante sistema: a competente e honesta Polícia Federal – PF.

    Portanto, só falta vontade de política. A presidente Dilma Rousseff, sozinha, ou mesmo, com meia dúzia de gente honesta e de coragem, nunca conseguirão eliminar a grande corrupção. Para essa pesada missão, há que ter massa crítica patriótica e corajosa, ou tudo ficará onde sempre esteve, para a alegria dos traidores da Pátria e das corruptas elites.

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