Além de Collor, dois senadores e um deputado sofrem buscas

Polícia Federal está fazendo buscas em sete Estados

Eduardo Militão
Correio Braziliense

A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira (14) mandados de busca e apreensão relacionados a políticos investigados na Operação Lava-Jato determinados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles em endereços do ex-presidente da República e senador Fernando Collor (PTB-AL). Os policiais ainda fizeram buscas em endereços de mais três parlamentares: os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Bezerra (PSB-PE) e o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE).

A Operação Politéia cumpre 53 mandados de busca e apreensão expedidos de seis processos abertos a partir do caso. A ação acontece em conjunto com a Procuradoria Geral da República (PGR). A assessoria de Collor disse que não foi informada oficialmente das ações e, por enquanto, não comenta o caso.

Segundo a PF, Os mandados, que foram expedidos pelos ministros Teori Zawascki, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski, estão sendo cumpridos no Distrito Federal (12), na Bahia (11), Pernambuco (8), Alagoas (7), Santa Catarina (5), Rio de Janeiro (5) e São Paulo (5). Cerca de 250 policiais federais participam da ação.

EM VÁRIOS LOCAIS

As buscas ocorrem na residência de investigados, em seus endereços funcionais, sedes de empresas, em escritórios de advocacia e órgãos públicos. Foram autorizadas apreensões de bens que possivelmente foram adquiridos pela prática criminosa. As medidas decorrem de representações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal nas investigações que tramitam no Supremo. Elas têm como objetivo principal evitar que provas importantes sejam destruídas pelos investigados.

Os investigados, na medida de suas participações, respondem a crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude a licitação, organização criminosa, entre outros. O nome da nova operação, Politéia, em grego, faz referência ao livro “A República” de Platão, que faz referência a uma cidade perfeita, onde a ética prevalece sobre a corrupção, diz a PF.

“RESGUARDAR PROVAS”

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu as buscas da Polícia Federal em endereços de políticos investigados na Operação Lava Jato realizadas na manhã desta terça-feira, 14. Em nota, Janot afirmou que as medidas “são necessárias ao esclarecimento dos fatos investigados no âmbito do STF”.

“Sendo que algumas se destinaram a garantir a apreensão de bens adquiridos com possível prática criminosa e outras a resguardar provas relevantes que poderiam ser destruídas caso não fossem apreendidas”, explicou o procurador-geral.

A Polícia Federal, em conjunto com a PGR, realiza nesta manhã 53 mandados de busca e apreensão em sete Estados. De acordo com a Procuradoria, esta é a primeira fase da Operação Lava Jato no âmbito do STF, que foi batizada de Politeia. “Adsumus (aqui estamos)”, afirmou Janot em nota, ao considerar que as medidas refletem atuação “firme” do Ministério Público Federal.

12 thoughts on “Além de Collor, dois senadores e um deputado sofrem buscas

  1. Não sei como esse senhor ainda continua na política. pois pasmem, as suas contas referentes a 1990 e 1991 ainda estão tramitando na Comissão de Orçamento !

  2. Deu na Folha de S. Paulo hoje, 14.7.2015

    Além de financiar a compra de helicópteros, lanchas e carros importados, o dinheiro desviado da Petrobras pelo esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato também foi usado para pagar serviços de prostituição de luxo com “famosas” da TV e de revistas para diretores da estatal e políticos, segundo relatos de delatores às autoridades do caso.

    A história foi explicada ao Ministério Público e à Polícia Federal pelo doleiro Alberto Youssef e o emissário dele, Rafael Angulo Lopez, após eles terem sido questionados sobre expressões usadas nas planilhas nas quais registravam o fluxo do dinheiro do esquema de corrupção.

    De acordo com os controles dos dois delatores, só em 2012 cerca de R$ 150 mil foram gastos para financiar a contratação das garotas, algumas delas conhecidas pela exposição em programas de TV, capas de revistas e desfiles de escolas de samba.

    Colaboradores explicaram que todos os valores associados aos termos “artigo 162” e “Monik” nas planilhas foram destinados ao pagamentos de prostitutas que cobravam até R$ 20 mil por programa.

    A expressão “artigo 162” era uma referência ao número do endereço de uma cafetina conhecida como “Jô”, que agenciava os programas para os dirigentes da Petrobras e políticos.

    Nas planilhas entregues aos investigadores, há vários lançamentos de R$ 5 mil e R$ 10 mil ligados a esses termos. Muitas vezes as prostitutas buscavam os pagamentos em dinheiro no escritório de Youssef, segundo os relatos.

    O dinheiro do esquema de corrupção também era usado para bancar festas com as garotas. Só em uma delas, no terraço do hotel Unique, em São Paulo, foram gastos R$ 90 mil principalmente em bebidas, de acordo com os delatores.

    Um comprovante de transferência bancária de um ex-diretor da Petrobras para uma garota conhecida na mídia, no valor de R$ 6 mil, foi encontrado em uma das buscas autorizadas pela Justiça na Lava Jato, e ficou famoso entre os investigadores do caso.

    A força-tarefa da Lava Jato não utilizou esse papel e as explicações dos delatores sobre o emprego de valores desviados para contratação de prostitutas, pois a mera solicitação ou aceitação de propina ou vantagem pessoal já confere o crime de corrupção —não importando, para fins penais, a maneira como o dinheiro sujo foi utilizado.

    Embora a prostituição não seja crime, explorar o trabalho de garotas de programa é.

  3. Logo após o Collor ser jogado rampa abaixo, o grupo Folha publicou um interessante livro: Todos os Sócios do Sr. Presidente. Nele fica demonstrado como o Paulinho Gasolina montou entre outras coisas, uma frota de aviões, liderada pelo ‘Morcego Negro’. O mais irônico é que o prefácio desse livro foi feito pelo reeducando José Dirceu, onde ele teceu enormes elogios a figura do impeachment e a liberdade de imprensa, considerando a deposição do Collor o maior ato de cidadania já ocorrido no Brasil….

  4. Entre às Vossas Excelências tudo não passa de:

    “Reunião de Bacanas”

    Se gritar pega ladrão
    Não fica um meu irmão (Refrão)
    Se gritar pega ladrão
    Não fica um

    Você me chamou para esse pagode
    Nem me avisou que aqui não tem pobre
    Até me pediu pra chegar de mansinho
    Porque sou da cor, eu sou escurinho

    Aqui realmente está toda a nata
    Senhores, doutores até magnata
    Com a bebedeira e a discussão
    Tirei a minha conclusão

    Se gritar pega ladrão
    Não fica um meu irmão (Refrão)
    Se gritar pega ladrão
    Não fica um

    Lugar meu amigo é minha baixada
    que ando tranqüilo e ninguém me diz nada
    E lá camburão não vai com a justiça
    Pois não há ladrão e é boa a polícia

    E até parece a Suécia bacana
    Se pega o bagulho e deixa a grana
    Não é como esse ambiente pesado
    Que você me trouxe para ser roubado

  5. Senhores,

    -Se a Lava Jato abocanhar mais ladrões do que poderá engolir, correrá o risco de fracassar e de não manter nenhum deles preso!
    -Afinal, ainda estamos no Brasil e por aqui o andor não pode ir rápido demais, haja vista que as esburacadas vias da Justiça são pavimentadas pelas atuais tartarugas do Supremo Tribunal Federal!

  6. Levando-se em conta as informações provindas da Polícia Federal e transcritas hoje nos órgãos de imprensa, a saber : “A expressão “artigo 162″ era uma referência ao número do endereço de uma cafetina conhecida como “Jô”, que agenciava os programas para os dirigentes da Petrobras e políticos”, deixo aqui neste órgão de imprensa a sugestão para que o Procurador Geral da República, bem como a CPI da Lava Jato convoquem a “Jô” para depor, pois ela sabe quais foram os seus “clientes” políticos e empresários que lhe pagavam o cachê da cafetinagem com o dinheiro desviado da Petrobras em negociatas que seus “clientes” estão sendo investigados. O depoimento de Jô pode ser fundamental para que a Justiça se faça e se promova, ironicamente, a moralização da República.

Deixe uma resposta para Mao Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *