Alemanha desiste da energia nuclear. Enquanto isso, aqui no Brasil, o ministro Lobão confirma a construção de novas centrais.

Carlos Newton

Uma das notícias mais importantes dos últimos tempos. A Alemanha tornou-se a primeira grande potência industrial a renunciar à energia nuclear, e os últimos reatores do país serão desativados até 2022. Quatorze dos 17 reatores alemães não estarão mais em serviço no fim de 2021, e os três últimos – os mais novos – serão utilizados até 2022 no mais tardar, segundo o ministro do Meio Ambiente, Norbert Rottgen, após sete horas de negociações com a chanceler Angela Merkel.

A pá de cal no programa nuclear alemã, lógico, foi a recente catástrofe da central nuclear japonesa de Fukushima. E o mais impressionante da decisão é o fato de o governo alemão sequer ter definido como substituir as fontes nucleares, responsáveis hoje pela geração de 22% da energia elétrica consumida no país.

Como a Alemanha não dispõe de significativo potencial hidrelétrico a ser explorado e as tecnologias atuais de energia eólica e solar ainda são insuficientes para gerar a gigantesca quantidade de energia necessária, o país certamente terá de instalar novas termoelétricas, que ainda são altamente poluidoras. Uma das alternativas devem ser as usinas a gás, porque poluem menos do que as movidas a carvão ou óleo combustível

Após a catástrofe da central nuclear de Fukushima, os sete reatores alemães mais antigos já haviam sido desconectados da rede de produção de energia elétrica, à espera de uma auditoria solicitada em março pela chanceler Angela Merkel E não serão mais reativados, assim como uma outra central, mais moderna, mas que vem registrando frequentes problemas.

O governo formalizará a decisão em 6 de junho. “Nosso sistema de energia deve e pode ser fundamentalmente modificado”, afirmou Angela Merkel, cujo governo terá agora que enfrentar o poderoso lobby nuclear alemão, que não hesita em mencionar o fantasma de apagões no país, especialmente no inverno.

 Os verdes, que viram sua popularidade disparar após o acidente de Fukushima, insistem na necessidade de recorrer às energias renováveis mais limpas, ao invés das centrais de carvão. “Não se trata apenas de saber como sairemos da energia nuclear, mas também a que velocidade, e com que ambição ingressaremos nas energias renováveis”, destacou Claudia Roth, uma das lideranças dos verdes.

 Ao decretar o fim da era nuclear civil em 2022, Merkel retoma uma das promessas mais importantes do início de seu segundo mandato, que foi também uma das principais bandeiras de sua campanha para as eleições legislativas de 2009.

Mas no fim de 2010, a chanceler alemã voltou atrás e conseguiu aprovar uma prorrogação de 12 anos em média para a duração legal da exploração dos reatores do país, contra a opinião pública do país, o que provocou uma explosão do sentimento antinuclear na Alemanha.

Com a decisão do fim do ano passado, Merkel provocou um aumento dos sentimentos antinucleares na Alemanha, que se traduziram em grandes manifestações, a última delas no sábado, com 160 mil pessoas em 20 cidades do país.

Em meio a essa reação, o momento decisivo foi a catástrofe da central nuclear de Fukushima em março. Merkel paralisou imediatamente as centrais mais antigas e iniciou um debate sobre o abandono do programa nuclear civil. Detalhe: o governo anterior, de social-democratas e verdes, também prometera deter o programa nuclear.

É interessante assinalar que os verdes são um dos mais poderosos partidos da Alemanha, como legítimos herdeiros dos votos comunistas. Na década de 80, antes da queda do muro de Berlim, os comunistas decidiram extinguir o PC da Alemanha Ocidental e doar todos os bens ao Partido Verde, inclusive o edifício-sede em Hamburgo, todo em vidro fumê, e uma fortuna em ações na Bolsa de Valores.

Naquela época, vivendo num país que já garantira direitos sociais a toda a população e com um regime praticamente de pleno emprego, os comunistas alemães descobriram que a ideologia não tinha mais futuro por lá e preferiram fortalecer o Partido Verde, para lutar contra a chuva ácida, que era um dos maiores problemas do país e hoje está praticamente sob controle.

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