Alexandre de Moraes, o juiz que confraterniza com seus réus

Brasília - Líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, recebe Alexandre de Moraes, indicado a ministro do STF. Moraes foi ao Congresso Nacional apresentar suas credenciais aos senadores (Débora Brito/Agência Brasil)

Moraes com Renan, que o chamou de “Chefete de Polícia”

Bernardo Mello Franco
Folha

Imagine um tribunal em que os réus tenham o poder de escolher quem vai julgá-los. É o que acontece neste momento com o Supremo Tribunal Federal, responsável pelos processos contra parlamentares acusados de corrupção. Citado 43 vezes na delação de um lobista da Odebrecht, o presidente Michel Temer indicou seu ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para a vaga aberta na corte. Agora a nomeação precisa ser confirmada pelo Senado, que reúne mais de uma dezena de investigados na Lava Jato.

Apesar de o governo ter ampla maioria da Casa, Moraes não tem poupado esforços para ser aprovado. Desde que foi anunciado, ele se dedica em tempo integral a cortejar senadores e pedir votos, como um candidato em campanha eleitoral.

CENAS CONSTRANGEDORAS – O beija-mão tem exposto o futuro ministro a cenas constrangedoras. Na semana passada, ele participou de um animado jantar na chalana “Champanhe”, ancorada no lago Paranoá. O barco pertence a um suplente goiano e é conhecido como “love boat”. Nas noites de Brasília, costuma receber políticos e belas mulheres em festas sem hora para terminar.

Nesta terça-feira (dia 14), Moraes fez nova romaria pelo Senado. Numa das paradas, posou sorridente ao lado de Fernando Collor, acusado de receber R$ 29 milhões no petrolão. O ministro tem dado atenção especial aos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça, que reúne dez suspeitos de envolvimento no esquema.

MAIS COMEDIDO… – A Constituição estabelece que os ministros do Supremo são escolhidos pelo presidente e referendados pelo Senado. A regra é antiga, e Moraes não pode ser responsabilizado pela ficha corrida dos parlamentares.

No entanto, as circunstâncias deveriam impor uma atitude mais sóbria de quem pretende vestir a toga de ministro do Supremo. Não pega bem que o futuro juiz confraternize tão abertamente com os políticos que terá que julgar. Moraes deveria ser mais comedido, nem que seja só para manter as aparências.

15 thoughts on “Alexandre de Moraes, o juiz que confraterniza com seus réus

  1. A cada notícia como essa (e são muitas), tenho a impressão que não existe mais Lei (no sentido freudiano) no país.
    A observância à Lei no sentido freudiano é aquela fruto de uma tensão entre id, ego e superego. Ou seja, resultaria de uma elaboração entre o sujeito, a realidade (objeto) e possibilidades ou não de satisfação. Consequentemente se espera que a Lei resulte de sublimação, ou melhor, reflexão sobre a importância do limite sobre os próprios desejos, o que incorreria em reconhecimento de si no outro e respeito pelas diferenças. A Lei ideal e civilizada passaria por valores constituídos para a socialização humana exemplo: a ética.
    Bem, o que se vê no Brasil?
    O predomínio da sobreposição do ego sobre id e superego, a conciliação psicótica pela satisfação instintual individualista, narcísica, que se sobrepõe á sociedade, cultura e humanização.

    É isso que vejo hoje nas instâncias mais altas de nossa representatividade: O êxito do instinto de morte que sobrepuja a pulsão de vida.

    Mas nossos políticos jamis entenderão tudo isso dessa forma…a negação é um mecanismo de defesa do âmbito do recalque…
    isso é uma outra história…
    tenham um bom dia.

  2. Isso mesmo Bendl!!
    estou cá a morrer de rir..
    porque é isso mesmo.
    Falta formação, educação, moral, bom senso, solidariedade: amor…ou seja, sobra mal caratismo, narcisismo, irresponsabilidade, individualismo, desumanização: corrupção.

  3. Escárnio, decepção, constrangimento… Que esperança o cidadão de.bem ,honesto,que estuda, trabalha, PAGA A MAIS ALTA CARGA TRIBUTÁRIA DO.MUNDO e sem a reciprocidade do estado tem? Mas uma minoria vê ou lê….. . Que vergonha, meu Deus…

  4. “Na próxima segunda feira, 20 de feveiro, a partir das 18h00, reuniremos juristas em um Ato no Largo de São Francisco para expressar por que Alexandre de Moraes não pode ser Ministro do Supremo Tribunal Federal.

    O Largo de São Francisco — casa de formação e docência do indicado — fica no centro de São Paulo, próximo às estações de Metrô Sé e Anhangabaú.

    Assine também o abaixo assinado:

    https://www.change.org/p/senado-federal-contra-a-indicação-de-alexandre-de-moraes-para-o-stf

    Entidades organizadoras:

    Centro Acadêmico XI de Agosto – Direito USP
    Centro Acadêmico João Mendes Jr. – Direito Mackenzie
    Centro Acadêmico 22 de Agosto Direito PUC SP
    Centro Acadêmico Direito GV
    Conectas
    Justificando
    IBCCRIM
    Barão de Itararé
    UNE – União Nacional dos Estudantes
    CLADEM
    SASP – Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo
    CA Lupe Cotrim – CALC
    Diretório Acadêmico Getulio Vargas”

  5. Sr. Carlos Newton, sugiro que coloque reportagem sobre o movimento do dia 26 de março, promovido pelo MBL, Vem pra Rua e afins.
    Eles, dizem, são a favor da lava-jato.

    Mas são a favor da reforma da Previdência e trabalhista. Parece brincadeira o povo ir para as ruas pedir reforma previdenciaria e trabalhista, nos moldes que estão sendo apresentado.

    Vão pedir para sermos prejudicados.

    Grande concorrente a piada do ano, não acha?

  6. Lembrando MIllôr Fernandes :
    “Este é um Congresso eficiente ;
    Êle mesmo rouba ;
    Êle mesmo investiga ;
    êle mesmo absolve ”
    … e agora êle escolhe qual juiz vai julgar a roubalheira de seus membros.

  7. Este governo de Michel Temer só tem mentiroso, o ministro indicado para o stf já mostrou sua mentira com o plágio, agora é a ministra dos direitos humanos, com título que a ONU desconhece e dizendo ser a primeira negra juíza da Bahia, desmentida pelo próprio órgão da justiça dizendo que é a 3ª negra a ser juíza.
    Qual será o próximo mentiroso?

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