Alexandre de Moraes retira parte do sigilo nas investigações contra o ministro Salles

Crédito: STF/ Carlos Moura

Moraes não gostou do atrevimento de Augusto Aras

Augusto Fernandes
Correio Braziliense

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou parte do sigilo do inquérito que investiga a suposta participação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em um esquema que facilitou a exportação ilegal de madeira.

A determinação de Moraes é de que apenas os autos principais do inquérito tenham o sigilo derrubado. Na decisão, publicada nesta quarta-feira (26/5), o magistrado, que é relator do caso, assinalou que, diante da natureza de seu conteúdo, toda a documentação autuada em anexo deverá permanecer em sigilo.

EM APARTADO – Além disso, tudo o que for disponibilizado em relação à medida cautelar de busca e apreensão e ao afastamento dos sigilos bancário e fiscal deverá ser autuado em apartado e tramitar em segredo de justiça.

O magistrado informou que embora a operação da Polícia Federal na semana passada ligada ao inquérito necessitasse, a princípio, da imposição de sigilo à totalidade dos autos, não há mais necessidade de manutenção da total restrição de publicidade.

Isso porque, segundo Moraes, a publicação de diversas matérias jornalísticas com trechos incompletos da investigação justifica a retirada de parte do sigilo do inquérito.

CONHECIMENTO PÚBLICO – “Assim, é certo que o objeto da investigação conduzida nestes autos é de conhecimento público, circunstância que, neste caso específico, reforça a necessidade do levantamento parcial do sigilo”, informou o ministro.

Mais cedo, nesta quarta-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um ofício ao STF para que Moraes fosse retirado da relatoria do inquérito. A PGR alegou incompetência do magistrado para atuar na investigação e pediu que o caso ficasse a cargo da ministra Cármen Lúcia, que relata outros dois processos sobre a um suposto auxílio de Salles a empresas que extraíram madeira da Amazônia de forma ilegal.

RECURSO A FUX – O próprio Moraes negou o pedido. Para o ministro, a atitude da PGR foi “peculiar”. Além disso, ele respondeu que os fatos que constam nas ações relatadas pela ministra “são absolutamente diversos” dos que constam no inquérito sobre o eventual envolvimento do chefe do Meio Ambiente no contrabando de produtos florestais, e frisou também que “não há qualquer dúvida” sobre a sua competência para continuar à frente do caso.

A PGR recorreu da decisão e pediu que o presidente do STF, Luiz Fux, defina qual ministro deve relatar a investigação ou que ele delegue ao plenário do Tribunal essa decisão.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Outro dia, o editor da TI disse que o Supremo está dividido entre a bancada do mal e a bancada do bem. Houve protestos. Hoje corrigimos a informação, que agora está correta, com toda certeza: o Supremo está dividido entre a bancada do mal e a bancada do mais ou menos. E ainda temos alguma esperança de que os ministros do mais ou menos se transformem na bancada do bem. (C.N.)

6 thoughts on “Alexandre de Moraes retira parte do sigilo nas investigações contra o ministro Salles

  1. A CPI da Covid vai servir para no ano que vem o STF barrar s candidatura do Bolsonaro.

    O Lula já está nas mãos do STF. Agora a mesma suprema corte já tem provas, e através da CPI, vai adquirir mais provas para barrar a candidatura do Bolsonaro.

    Resumindo: Tanto o Lula quanto Bolsonaro terão suas candidaturas impugnada ano que vem, e não participaram das eleições presidenciais.

  2. os ministros do mais ou menos se transformem na bancada do bem. (C.N.)

    Praticamente impossível.
    È mais fácil o camelo passar pelo buraco da agulha

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *