Aliado de Bolsonaro, o governador de Santa Catarina volta atrás e mantém isolamento

Carlos Moisés, governador de Santa Catarina Foto: Reprodução

Moisés diz que ficou “estarrecido” com a postura de Bolsonaro

Rayanderson Guerra
O Globo

O Governo de Santa Catarina prorrogou por mais sete dias as medidas de restrição e isolamento das pessoas que podem ficar em casa no estado. O governador Carlos Moisés (PSL) – eleito com o apoio do presidente Jair Bolsonaro – chegou a determinar a volta das atividades nesta semana, voltou atrás e manteve as ações de isolamento.

O decreto publicado nesta terça-feira mantém a quarentena no estado, com comércios, parques, praias e locais públicos fechados e transporte público suspenso.

219 CONFIRMADOS – Santa Catarina tem 219 casos confirmados de Covid-19 e duas mortes causadas pela doença. De acordo com o governo de Santa Catarina a prorrogação tem por objetivo diminuir o ritmo de crescimento da disseminação do novo coronavírus entre os catarinenses.

Moisés sinalizou em uma reunião com prefeitos neste domingo que prorrogaria as medidas. Na quinta-feira, o governador havia afirmado em coletiva que pretendia reabrir o comércio e retirar as medidas de isolamento de uma forma gradual e que a ideia era “promover a convivência dos catarinenses com a pandemia, conciliando o convívio social, com preservação da vida e da atividade econômica”.

O governador, considerado um aliado de Bolsonaro, tem se posicionado contrário às ideias do presidente de fim das medidas de restrição de convívio e circulação de pessoas para superar a crise do novo vírus. 

FICOU ESTARRECIDO – Após o pronunciamento oficial do presidente na semana passada, Moisés divulgou um vídeo em que se diz “estarrecido” com as declarações de Bolsonaro, que pediu a “volta à normalidade” e o fim do “confinamento em massa”.

“Estarrecido com o pronunciamento da presidente República em relação às medidas de isolamento, medidas responsáveis adotadas por diversos governos dos estados e alguns governos municipais, venho a público informar à população de Santa Catarina que nesta quarta-feira, 25 de março, iniciamos mais uma quarentena de sete dias por determinação de decreto deste governador, mais sete dias para ficar em casa. […] Ficar em casa, é o local mais seguro”, afirmou o governador.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Prevaleceu o bom senso e o governador recuou. Melhor assim. (C.N.)

3 thoughts on “Aliado de Bolsonaro, o governador de Santa Catarina volta atrás e mantém isolamento

  1. Um artigo que me pareceu interessante, de uma revista inglesa. Peço desculpas por ser tão longo:

    Quão mortal é o coronavírus? Ainda está longe de ser claro
    Há espaço para diferentes interpretações dos dados
    28 de março de 2020

    A maneira mais simples de julgar se temos uma doença excepcionalmente letal é examinar as taxas de mortalidade. Há mais pessoas morrendo do que esperávamos morrer de qualquer maneira em uma semana ou mês? Estatisticamente, esperamos que cerca de 51.000 morram na Grã-Bretanha este mês. No momento da redação deste artigo, 422 mortes estavam ligadas ao Covid-19 – 0,8% do total esperado. Em uma base global, esperamos que 14 milhões de pessoas morram nos primeiros três meses do ano. As 18.944 mortes de coronavírus no mundo representam 0,14% desse total. Esses números podem disparar, mas agora são mais baixos do que outras doenças infecciosas com as quais vivemos (como a gripe). Não são figuras que, por si só, causariam reações globais drásticas.
    Os números iniciais relatados da China e da Itália sugeriram uma taxa de mortalidade de 5% a 15%, semelhante à gripe espanhola. Dado que os casos estavam aumentando exponencialmente, isso elevou a perspectiva de taxas de mortalidade com as quais nenhum sistema de saúde no mundo seria capaz de lidar. A necessidade de evitar esse cenário é a justificativa para a implementação de medidas: acredita-se que a gripe espanhola tenha infectado cerca de uma em cada quatro da população mundial entre 1918 e 1920, ou aproximadamente 500 milhões de pessoas com 50 milhões de mortes. Desenvolvemos planos de emergência pandêmicos, prontos para entrar em ação caso isso aconteça novamente.
    No momento da redação deste artigo, as 422 mortes e 8.077 casos conhecidos no Reino Unido apresentam uma taxa de mortalidade aparente de 5%. Isso é freqüentemente citado como motivo de preocupação, em contraste com a taxa de mortalidade da gripe sazonal, estimada em cerca de 0,1%. Mas devemos olhar com muito cuidado para os dados. Esses números são realmente comparáveis?

    https://www.spectator.co.uk/article/The-evidence-on-Covid-19-is-not-as-clear-as-we-think

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