Aliança de centro-esquerda não basta para vencer Bolsonaro, dizem analistas

Resultado de imagem para haddad CHARGESPatrícia Campos Mello , Joana Cunha e Flavia Lima
Folha

Para o candidato Fernando Haddad (PT), não será suficiente criar uma grande aliança democrática, aglutinando partidos de centro-esquerda, para ter alguma chance —pequena— de derrotar o líder Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno, afirmam cientistas políticos. Matematicamente, Haddad teria de herdar todos os votos de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) para conseguir vencer no segundo turno, algo improvável.

Para cientistas políticos, a única maneira de uma coalizão derrotar o candidato do PSL, que venceu por uma margem de quase 20 pontos porcentuais, é tirar votos dele. “E, para isso, não adianta insistir em questões levantadas no primeiro turno, como oposição à tortura e importância da democracia. Isso não afeta o eleitor de Bolsonaro”, afirma a cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília.

DEFESA DOS DIREITOS – Seria necessário o PT investir na narrativa de retirada de direitos, como esboçado na polêmica do vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, sobre o décimo terceiro salário. “É por aí que poderia haver algum desgaste para o capitão reformado”, diz Flávia.

No entanto, seria um movimento delicado porque, ao mesmo tempo que um ataque às políticas ultraliberais defendidas pela chapa de Bolsonaro ajudaria a tirar votos dele, o PT precisa fazer um exercício de conquistar o centro e o mercado financeiro com acenos para políticas macroeconômicas mais ortodoxas.

Entre economistas, é consenso de que Haddad teria que caminhar em direção ao centro. Espera-se alinhamento com Ciro Gomes (PDT) e parte de suas propostas. “Se radicalizar para o lado da esquerda, certamente vai perder”, diz o economista Nelson Marconi, da coordenação de campanha de Ciro.

EVANGÉLICOS – Um desafio será o movimento das igrejas evangélicas, que conseguiram mobilizar eleitores pró-Bolsonaro unindo a chamada teologia da prosperidade, que prega a ascensão social por mérito e empreendedorismo, aliada ao conservadorismo em costumes. “Certamente o ‘kit gay’ e outras questões de gênero ressurgirão com força”, diz a cientista política.

Para Flávia, o PSDB é o grande perdedor dessa eleição e o PT sai vitorioso, apesar da distância entre Haddad e Bolsonaro. “Mesmo após um processo de desmonte, Haddad teve 29%, ou seja, a transferência de intenções de voto de Lula para ele foi quase integral, considerando-se a margem de erro.”

LEI E ORDEM – Para o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da UFMG, não se pode creditar totalmente ao antipetismo a enorme vantagem obtida por Bolsonaro. “Acredito que, nas camadas mais altas de renda, o antipetismo seja o principal motor para o apoio a Bolsonaro. E essas camadas influenciam camadas mais baixas”, diz. No entanto, na classe média e nas mais baixas, o principal é uma psicologia social de apoio ao discurso de lei e ordem, afirma Reis.

“Embora em tese as pessoas apoiem a democracia, como mostrou a pesquisa Datafolha desta semana, elas apoiam um conceito abstrato. Quando se pergunta como elas veem a tortura em delegacias e chacina de bandidos, o apoio é gigantesco. Indagados se um homem honesto e forte capaz de unificar o país substituiria partidos políticos, a grande maioria dirá que sim”, diz Reis. “Esse ideário fascista de bandido bom é bandido morto é o grande apelo de Bolsonaro.”

Flávia acredita que o salto nas pesquisas que Bolsonaro teve nos últimos dias foi devido ao antipetismo —quando Haddad começou a subir, muitos eleitores de Alckmin e Marina migraram para o candidato do PSL. “Mas existe um grande porcentual dos eleitores que vota em Bolsonaro porque ele conseguiu mobilizar suas inseguranças e frustrações.”

DIAS MELHORES? – No mercado financeiro, a vitória de Bolsonaro é considerada provável e festejada. Mas não é recebida pela maioria dos economistas como garantia de dias melhores. Existe uma preocupação sobre qual será a real chance de o economista Paulo Guedes emplacar a agenda de reformas de que o país precisa.

“O mercado financeiro acordou de bom humor, animadíssimo com a liderança de Bolsonaro, mas vai ser uma vitória de Pirro”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Continuo achando que Paulo Guedes e a agenda dele não serão longevos”, diz Vale, para quem Bolsonaro e seu economista teriam um “diálogo de surdos”.

Para a economista Alessandra Ribeiro, sócia da consultoria Tendências, o mercado vai receber bem o resultado do primeiro turno, com forte liderança do candidato Jair Bolsonaro (PSL), e deve haver alta dos preços dos ativos de modo geral.

QUADRO DIFÍCIL – No entanto, a situação econômica sera difícil em 2019 e a necessidade de reformas “deve colocar uma faca no pescoço do futuro presidente”, diz a economista. Ela acha que o candidato que sair vencedor deve apresentar uma reforma da Previdência.

A cientista política Marta Arretche, professora titular da Universidade de São Paulo (USP), afirma que Bolsonaro será obrigado a explicitar suas posições em temas macroeconômicos cruciais, pela primeira vez.  “Até agora, ele só foi o candidato anti alguma coisa – anti-PT, anticorrupção, antiviolência. Agora, terá de explicar, por exemplo, como irá manter a política de salário mínimo e, ao mesmo tempo, equacionar a Previdência? Como vai promover o equilíbrio das contas públicas que vem prometendo?”

15 thoughts on “Aliança de centro-esquerda não basta para vencer Bolsonaro, dizem analistas

    • Espectro
      Enquanto a esquerda elege e tenta manter bandidos em seus quadros, a nova democracia busca nas forças amadas o reforço.
      Resta perguntar o que o povo prefere.
      Certamente os petitas preferem os bandidos! O grão chefe está na casa das grades.
      Fallavena

  1. É de lamentar a oportunidade que o Lula perdeu nos seus 2 governos de dar um grande impulso ao país . Naquela época o mundo todo estava crescendo. Até os países da america latina tiveram crescimento comparavel com o nosso – foi uma época maravilhosa para a economia mundial.
    Infelizmente Lula não teve noção da sua interinidade no poder e não valorizou o quanto seria melhor ajudar o povo a roubar o que não era seu. Dentro de uns 60 anos todos seremos ou pó ou um esqueleto descarnado e desmantelado. Pra que insistir em ser filho da puta eu não entendo.

    • O fato, é que o lulalau tinha certeza que o PT se perpetuaria no poder! Então, quando eles assaltavam os empresas e roubavam o dinheiro público, estavam, apenas, pegando o que era deles.

  2. Maior respeito mas essa aliança é merda com merda.

    Falar nela, muitos analistas diziam que a TV era ainda o veículo fundamental para eleger alguém.
    Bolsonaro nem foi na TV e tá aí na frente. Só não levou agora por que houve fraude.

  3. Estou começando a me surpreender com a habilidade politica por parte do Jair Bolsonaro. Vamos ao fato:
    – Bolsonaro agradece penhorado o apoio externado por João Dória no 2º turno. Ao mesmo tempo, libera os apoaidores dele em São Paulo para votarem em quem quiser, tanto faz se em João Dória como em Marcio França. Com isso já abre canal de negociação com ambos e ajuda a tirar um peso das costas de Marcio França que também pode declarar a mesma coisa, sem se sentir forçado a declarar um apoio ao PT o que seria desastroso em termos eleitorais. Além disso, o PSL fez a maior bancada na Assembléia Legislativa de São Paulo, assim o PSL não tem nenhum interesse em atrapalhar a vida do futuro governador, seja Dória seja Márcio França.
    Pelo menos em termos de politica o Bolsonaro mostra que não tem nada de tosco.

  4. Brasileiros foram muito MAUS nessa eleição!!!!!
    Ao invés de dar um tiro de misericórdia na Petralhada, resolveram ir matando aos poucos, humiliando, e vendo a rataiada se debatendo, estrebuchando aos poucos….três semanas morrendo, morrendo,…
    Maldade, isso, viu???

  5. Então agora o PSDB, que sempre foi tachado de centro-direita pelos petistas, virou centro-esquerda?
    Ainda estão sob o pânico do barata voa!!! kkkkkkk
    Jornalistas ativistas quando percebem que vão ficar sem o coffee-break com os amiguinhos políticos se desesperam…

  6. Que mudança o governo de Haddad faria, se o seu próprio partido não conseguiu fazer nos 14 anos quando estava á frente da presidência do Brasil?
    O PT venceu em 2002, também em 2006, ganhou de novo em 2010, assim como 2014, mas a culpa da crise é sempre dos outros.
    O PT representa o maior esquema de corrupção do mundo ocidental e da História Brasileira.

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