Aliança PT-PMDB vai se romper em São Paulo, Rio e Belo Horizonte

Pedro do Coutto

As matérias publicadas pelas repórteres Adriana Vasconcelos, no Globo, e Cristiane Samarco, no Estado de S. Paulo, ambas a 12 de maio, deixam bem claro que a aliança nacional entre o PT e o PMDB vai ser rompida nas eleições municipais de 2012, principalmente nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Tendência natural que não abala, pelo menos até a sucessão de 2014, a posição da presidente Dilma Rousseff e a ampla maioria que detém no Congresso.

A dificuldade de aprovar o novo Código Florestal é muito mais uma questão envolvendo a propriedade rural do que uma lacuna do Executivo. Ressurge a velha questão da reforma agrária, tema da sucessão presidencial de 60, bandeira de João Goulart em 63, um dos principais motivos de sua queda em 64. A Lei do Estatuto da terra, elaborada por Roberto Campos em novembro daquele ano, mas que não consegue sair do papel. Incrível. Porém, este é outro problema.

O fato é que em São Paulo, a filiação ao PMDB do empresário Paulo Skaf, presidente da FIESP, está sendo incentivada pelo vice Michel Temer, que apareceu publicamente com ele em manifestação partidária interna, já prevendo a luta nas urnas pela Prefeitura da capital. Reúne um terço do eleitorado paulista, sem foi base política fundamental de poder e de projeção de imagem. Vejam só, por exemplo, o que conseguiu de apoio o prefeito Gilberto Kassab em seu impulso bem sucedido de esvaziar o DEM e o PSDB e fortalecer o PSD.

Em São Paulo, o PMDB anuncia para a Prefeitura a candidatura do deputado Gabriel Chalita, que, da mesma forma que Skaf, está deixando o PSB. Com o apoio de Temer, o projeto – admitido pelo próprio vice – é Chalita para 2012, Paulo Skaf para o governo de São Paulo em 2014. Chalita, daqui a dezesseis meses, deve enfrentar, pelo PT, ou Marta Suplicy ou Fernando Haddad. A candidatura Mercadante parece mais fraca do que a de Marta. Entretanto, a de Haddad pode se viabilizar na medida em que Dilma Rousseff se empenhar para finalmente vê-lo afastado do Ministério da Educação;

O prazo de desincompatibilização é de seis meses para os ministros de estado. Portanto, a definição das candidaturas tem que ser tomada até 3 de abril do ano que vem. Faltam assim na realidade dez meses para a primeira etapa eleitoral, as convenções partidárias.

Segundo revelou Adriana Vasconcelos, Michel Temer afirmou-se favorável a uma candidatura própria do PMDB para enfrentar a reeleição de Geraldo Alckmin. O candidato, admitiu, seria o atual presidente da Federação das Indústrias. Quem correria pelo PT. Mais provável, hoje, que venha a ser Marta Suplicy. Fernando Haddad ficaria destinado à disputa pela Prefeitura. Dessa forma, sairia do MEC em abril do ano que vem. Dilma Rousseff alcançaria a solução que ela deseja sem magoar Lula, que se empenhou pela manutenção de Haddad no cargo. Coisa de política.

No Rio de Janeiro, o PT se prepara para concorrer ao Palácio da Cidade com o senador Lindberg Farias, que já trocou de domicilio eleitoral. Deixou Nova Iguaçu pela Zona Sul carioca. Enfrentaria Eduardo Paes, pois este tentará a reeleição. Lindberg é também um  nome forte no Partido dos Trabalhadores para concorrer, em 2014, à sucessão de Sergio Cabral.

Finalmente Belo Horizonte. A coligação PT-PMDB foi amplamente derrotada por Aécio Neves, que elegeu Antonio Anatasia, em 2010. O prejuízo foi do PT, que não teve oportunidade de disputar o Palácio da Liberdade com Fernando Pimentel e deslocar o desfecho para o segundo turno. Agora no episódio da luta por BH não deve repetir o esquema. Deve concorrer isolado. Pois antes só do que mal acompanhado. A política é assim.

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