Almirante corrupto era cultuado como herói na Marinha

Pai do programa nuclear era um corrupto de alta especialização

André Borges e Talita Fernandes
Estadão

O presidente llicenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso nesta terça-feira, 28, pela Polícia Federal, por ter sido acusado de recebimento de R$ 4,5 milhões de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, é tido como uma referência na comunidade científica por estudos sobre o uso de combustíveis nuclear.

Engenheiro naval pela Escola Politécnica de São Paulo, formado em 1966, Othon é autor de um projeto de criação de centrífugas usadas no enriquecimento de urânio para propulsão nuclear em submarinos. Em 1994, chegou a receber do então presidente da República Itamar Franco a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, por conta de suas colaborações à ciência e à tecnologia.

Othon se especializou em engenharia nuclear no Massachussetts Institute of Technology (MIT), em 1978. Foi diretor de pesquisas de reatores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) entre 1982 e 1984, além de fundador e responsável pelo Programa de Desenvolvimento do Ciclo do Combustível Nuclear e da Propulsão Nuclear para Submarinos entre 1979 e 1994. Atuou ainda como diretor da Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha (Copesp), atual Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), de 1986 a 1994.

Na Marinha, Othon chegou ao posto de vice-almirante. Ele estava no comando da Eletronuclear desde 2005, até que se licenciou do cargo em abril deste ano, a partir de apurações de denúncias envolvendo contratos firmados na construção da usina de Angra 3.

PAGAMENTOS VULTOSOS

Paralelamente à presidência da Eletronuclear, Othon era dono da empresa Aratec Engenharia. Sua empresa é investigada por ter recebido “pagamentos vultosos” de outras companhias que compõem o consórcio que atua nas obras de Angra 3, o consórcio Angramon. Os pagamentos, que teriam sido feitos pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix, ambas com contratos com a Eletronuclear, ocorreriam por meio de empresas intermediárias: CG Consultoria, JNobre Engenharia, Link Projetos e Participações Ltda., e a Deutschebras Comercial e Engenharia Ltda., “algumas com características de serem de fachada”, segundo a PF.

O despacho que autorizou a prisão temporária de Othon, assinado pelo juiz Sérgio Moro, informa que “embora os pagamentos das empreiteiras à Aratec possam eventualmente ter causa lícita, pela prestação de serviços reais de assessoria ou consultoria ou por eventuais direitos de patentes, pelo menos considerando as conhecidas qualificações técnicas de Othon Luiz, há aqui um possível conflito de interesses que coloca em suspeita esses pagamentos”.

NA ATIVA, JÁ ERA CORRUPTO

No mesmo documento, Moro ponderou que “não passa sem atenção o fato de Othon Luiz ser militar da reserva”.

“Apesar do prestígio das Forças Armadas, o fato é que as provas indicam possíveis crimes de corrupção em tempo muito posterior a passagem dele para reserva e no exercício de atividade meramente civil. Então a investigação não tem qualquer relação com atividade militar, não sendo os fatos em apuração crimes militares nos termos do art. 9º do Código Penal Militar.”

Reportagem publicada pelo Estado no último domingo, 26, revelou que a construção de Angra 3 já custou R$ 1 bilhão aos cofres públicos, sem nunca ter entregue energia.O valor total da obra, antes estimado em R$ 9,6 bilhões, já ultrapassa R$ 16 bilhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A prisão do vice-almirante corrupto, que na ativa já estava no crime, é uma lição para aqueles que defendem novo governo militar. No caso em questão, Othon era cultuado na Marinha como uma espécie de herói tecnológico. Agora, sabe-se que é um ladrão requintado, com especialização no MIT, apenas isso. (C.N.)

29 thoughts on “Almirante corrupto era cultuado como herói na Marinha

  1. Se corrupção fosse um impecilho então, no Brasil, não poderíamos ter mais nenhum governo civil. Sim, poderíamos ter um presidente militar, desde que eleito pelo voto do povo.

  2. Se em um dado momento as FFAA se mostraram salvadora da pátria, nos seguintes foi totalmente desastrosa, deixou de cumprir seu papel na educação do povo brasileiro.
    Militares não corruptos, mas obtusos, com dogmas arcaicos e de horizonte pequeno.
    Em momento algum as FFAA demonstram ser capazes de administrar uma nação.

  3. A descoberta de militares fazendo parte de corrupção no governo petista, trata-se de uma grande decepção!
    Mesmo que tenha sido contagiado pelo PT a se tornar desonesto, o Almirante não só manchou o seu nome como de resto a instituição Marinha do Brasil.
    Certamente, em nenhum momento da história, Maquiavel teria sido tão pródigo e correto ao afirmar taxativamente que, “o poder corrompe”, principalmente no Brasil, onde não há canto que não existam irregularidades, e graves.
    A conduta criminosa do marinheiro corrobora o que venho escrevendo seguidamente, que o problema é o homem, razão pela qual não há regime ou sistema político, econômico e social que dê jeito, pois ainda temos o agravante de uma Educação e Ensino deprimentes e de baixíssima qualidade, afora os exemplos sempre negativos de nossas autoridades quando no poder.
    O Brasil jamais será desenvolvido e seu povo sentir o gosto de progredir, enquanto continuar teimando em não investir na área educacional, cerne de nossas questões pendentes há décadas, enquanto somente se concentrar nesta política deletéria, suja, indecente, e apenas dar soluções aos problemas urgentes através de paliativos (Bolsa Família), no lugar de apresentar um plano de governo capaz de amenizar as nossas mazelas, pelo menos.
    O PT sempre teve, e nada mais que isso, plano de poder, expressão conhecidíssima do povo brasileiro mas, em tempo algum nesses treze anos que nos governa, soube levar adiante o Brasil e proporcionar ao povo a devida segurança, e não oferecer crédito para um consumo desenfreado e depois deixar que retornasse com violência a inflação, o desemprego, a crise na economia e o agravamento nas relações entre o Executivo e Legislativo, tentando compensar a sua incompetência explícita com aumento brutal nos impostos cobrados do cidadão.

    • Prezado Bendl, não é bem assim. Em meados da década de 80, o Othon foi superintendente da Coordenadoria de Projetos Especiais – COPESP – então localizada no interior do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. Nessa ocasião eu e um jornalista, petista, amigo, denunciamos que ele tinha 3 contas secretas ( Delta 1 , 2 e 3 ) na agência Vital Brasil do Itaú. Cheguei a vistoriar, junto com o Suplyci, as instalações da COPESP. Portanto não dá para o PT dizer que não sabia, o que o PT fez foi desenterrá-lo.
      Para piorar, o PT passou o projeto desse anacrônico submarino, para a Oebrecht e praticamente doou toda a tecnologia que havia na Coordenadoria de Metalurgia Nuclear do IPEN/CNEN á Odebrecht, não sei a que custo.
      Resumindo: Figurinha carimbada.
      Agora o PT quer vender a imagem dele como o ‘pai’ do projeto nuclear, quando na realidade os pais foram o Pr. Marcelo Damy de Souza Santos e Romulo Ribeiro Pieroni.

      • Meu caro Virgílio,
        Não entrei na seara nuclear ou quem foi o autor disso ou daquilo.
        Apenas enveredei sobre o aspecto de, também os militares, serem pegos com a boca na botija, como se dizia na minha época.
        E, generalizando, da mesma forma que o autor da célebre frase, concordei que, independentemente de quem está poder, esta pessoa é corrompida de uma maneira ou outra, tanto pecuniária – a maioria dos casos no Brasil – quanto apenas pela influência ou obtenção de cargos para amigos ou uma vaga no serviço público (em concurso) para outros.
        Quanto a quem roubou de quem o projeto nuclear ou a planta do nosso submergido, eu não poderia comentar uma letra pelo meu total desconhecimento deste caso.
        Obrigado pela intervenção, meu caro Virgílio.
        Um abraço.

        • Prezado Bedl, só comentei esse caso para demosntrar que ele não é um fato novo. Um dos problemas que deveria ser analisado é a da transferência de tecnologia. Ela se deu a que custo ou foi mais um presente do Lula….

      • Caro Ednei Freitas,
        Obrigado pelo apoio ao que escrevi.
        Primeiro, pela surpresa de um militar de alta patente envolvido em escândalos típicos de petistas;
        Segundo, o Juiz Moro não seria tão leviano como deixaram a entender quando liberou à imprensa o envolvimento do Almirante em questão.
        Um abraço, meu amigo.

    • Tu continuas em pecado ainda?
      Segues teimando nesta falsidade ideológica, QUE É CRIME, para te lembrar?
      E as rezas, abandonaste ou sequer começaste?
      Não queres seguir os meus conselhos?
      Reza, Darcy, e muito, pois estás precisando desesperadamente de ajuda espiritual, basta ler qualquer comentário teu.
      Aproveita que estás acordado a esta hora, e escrevendo o que não deves, te recolhe a teu quarto e, ora, com fervor, com fé.
      Vou te ensinar uma oração poderosa:

      Salve Rainha

      Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida e doçura esperança nossa salve! A vós bradamos degredados filho de Eva.
      A vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
      Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa ó doce e sempre Virgem Maria.
      Rogai por nós Santa mãe de Deus, para que sejamos dignos da promessa de Cristo. Amém.

      Vai lá, Darcy, te ajoelha e reza.

  4. Acharam um almirante corrupto. Nem sei, pode até ter mais militares corruptos, não tenho a menor ideia. Mas, francamente, se o critério for corrupção… a quantidade de jornalistas, nos dias de hoje, que são pagos para falar bem de uns e mal de outros é uma enormidade. Taí a esgotosfesra que não me deixa mentir.
    Por esse critério, jornalista não pode exercer o poder.
    “Gerentona” que quebrou loja de R$ 1,99, que está enroscada até o pescoço, não deveria poder ter poder.
    Vai ser difícil achar. Pelo menos no Brasil de hoje.
    ET.: antes que algum desavisado venha tirar conclusões: sou contra ditaduras. Qualquer ditadura.

  5. Se gritar pega ladrão
    Não fica um meu irmão
    Se gritar pega ladrão
    Não, não fica um…

    Se gritar pega ladrão
    Não fica um meu irmão
    Se gritar pega ladrão
    Não, não fica um…

  6. Deve-se ressaltar que o Almirante OTHON, Presidente Licenciado da Eletronuclear, AINDA NÃO FOI CONDENADO pela Justiça. Ele foi preso PREVENTIVAMENTE como suspeito de uma sua Empresa, ARATEC ENGª, ter recebido pagamentos que o Juiz Dr. SÉRGIO MORO, informa que: ” embora os pagamentos das Empreiteiras à ARATEC ( Empresa do Almirante OTHON), possam eventualmente TER CAUSA LÍCITA, pela prestação de serviços reais, de assessoria ou consultoria ou por eventuais Direitos de Patentes, pelo menos considerando as conhecidas qualificações Técnicas de OTHON LUIZ, há aqui um possível conflito de interesse que coloca em suspeita esses Pagamentos”.
    Qual Jurado, mediante tal Acusação, tida com CERTEZA ALÉM DE QUALQUER DÚVIDA, Condenaria o Acusado?

    Ora, relações entre Empresas são complexas. A Legislação Comercial é complexa. NÃO SE PODE DIZER NADA, ANTES DO DEVIDO JULGAMENTO.

    Sinto algo estranho no ar, quando um Cientista-Empresário, expoente do estratégico setor de Domínio do Ciclo Nuclear do Urânio, especialista em Refino de Urânio 238 até para construção de Armas Atômicas, o que nos daria PLENA SOBERANIA POLÍTICA-ECONÔMICA, é tratado desse Jeito, e JÁ CONDENADO ANTES DO JULGAMENTO. Abrs.

  7. Tenho a impressão que um magistrado do porte de Sérgio Moro não iria cometer tamanha imprudência jurídica ao comentar sobre o pagamento de serviços à empresa do Almirante que, aparentemente lícitas, podem estar conduzindo valores cujas origens não seriam honestas.
    Moro pode acarretar para si problemas graves com relação à ética, talvez perder a carreira que o vem consagrando à testa da Operação Lava-Jato, na eventualidade de, ali adiante, tais afirmações não serem comprovadas.
    O Juiz sabe que estão em seus calcanhares, e qualquer comportamento ou medida que não estejam rigorosamente dentro da lei ou do processo em si, ele será retirado do caso inevitavelmente.
    Assim, não se trata de pré-julgamento, indubitavelmente, mas outro nome que surge nesse mar de lama e detritos que investigações, inquéritos e julgamentos, apontam, acusam e condenam ou não.

    • De forma alguma, Carmen, mas sei que eles são exatamente iguais aos civis. São Apenas seres humanos. Inclusive, há militares covardes, como há policiais covardes, jornalistas covardes, e assim por diante. Prefiro os militares nos quartéis, embora reconheça que eles têm grande capacidade administrativa e intelectual. Recentemente, trabalhei com um grupo de oficiais da reserva, das três armas, e fiz grandes amigos.

      Abs.

      CN

  8. O Carlos está certo:

    -Não se pode julgar uma classe pelo que foi feito por um ou por um grupo de indivíduos dessa classe.
    Se fosse assim, não poderíamos mais ter professor (sociólogo?) presidente ou ministro;
    Não poderíamos mais ter advogado presidente ou ministro;
    Não poderíamos mais ter médico presidente ou ministro;
    Não poderíamos mais ter empresário presidente ou ministro;
    E nem poderíamos mais ter um torneiro mecânico presidente… pois representantes de todas essas classes profissionais já se envolveram em escândalos desde a fundação da Nova República do Maranhão.

    Além disso, da mesma forma que existe o ÓTIMO ADVOGADO que trabalha para o crime organizado, mesmo consciente do que seja certo e do que seja errado, é possível ser um EXCELENTE ENGENHEIRO e um criminoso, simultaneamente.

    O conhecimento não é incompatível com a ética ou com a vergonha na cara. Da mesma forma, é MUITA PRESUNÇÃO achar que o doutor seja melhor do que o peão de obra, no que diz respeito à HONESTIDADE e ao CARÁTER, só porque estudou mais, uma vez que na escola se adquire o CONHECIMENTO e até uma profissão, mas a retidão de caráter só se aprende em casa com a família, ainda na infância, no dia a dia!

    Abraços.

  9. Por outro lado…

    O artigo mostra a ESTUPIDEZ que é encher o peito e falar “Partido Militar” como se a palavra “militar” fosse um “bactericida moral” dos filiados, como se o cargo ou ocupação formasse o homem e como se só bastasse essa palavra no nome de um partido para acabar se com a BADERNA em que vivemos atualmente.

    Essa mesma CEGUEIRA (ou seria má-fé mesmo?) de se ROTULAR e de se julgar melhor do que “o outro lado” também acomete os atuais governantes, quando falam em representantes da “sociedade civil”, como se houvesse uma “sociedade militar”, secreta, arquitetando o atraso do país e a derrubada do governo, e quando se referem aos “civis mortos” pelas polícias militares, colocando todos os brasileiros que não são militares na mesma SACOLA MORAL e comportamental dos TRAFICANTES e homicidas, também civis, diga-se de passagem, e não como vítimas destes!

  10. me pareceu um pouco infeliz a mediação do sr. CN.
    pela acusação a um militar corrupto ele parece estender a pecha de desonesto a todos os militares.
    então, com a prisão dos inúmeros civis, todos os que o somos seremos tachados de corruptos?
    inclusive ele?

  11. Meu caro xará, de Brasília, DF, Francisco Vieira,
    Acredito que não esteja em discussão qual seria a categoria de profissionais mais ou menos corrupta e desonesta, mas a surpresa que foi o fato de um Almirante estar envolvido em ilicitudes.
    Por que a surpresa?
    Ora, sabemos que os militares são atualmente o arqui-inimigo do PT, onde alguns comentários, artigos, passeatas e protestos pelas ruas e avenidas deste País, pedem pelo retorno do regime militar.
    A quebra desse corrente de pensamento que dá guarida para uma intervenção militar é fundamental, e nada como apresentar um fato, e comentado por um Juiz que por onde anda é aplaudido e cantam o Hino Nacional em sua homenagem, como descoberta de algo que somente o PT e seus aliados mais próximos estão sendo acusados, até o surgimento de um nome pertencente ao alto escalão militar, simplesmente um Almirante, e fora do meio Legislativo e empresarial.
    Não que os militares sejam melhores ou piores que qualquer cidadão, não, mas, e justamente por serem cidadãos como qualquer um de nós estão sujeitos às facilidades e ofertas tentadoras que lhe são colocadas no colo diariamente.
    Se não justifica a ilicitude, pelo menos encontramos na fragilidade de caráter uma das causas de tanta corrupção e desonestidade no País, mesmo por parte de um militar, que tem poucas chances de ser corrompido em face de cargos que não lhes possibilitam grandes roubos e desfalques, tipo Petrobrás, então a surpresa.
    Um abraço, meu caro amigo.

  12. Putz! Estava cheio de entusiasmo para fazer um comentário mas, depois de ler a “Nota da Redação do Blog”, desisti! Não valeria a pena! Desliguei o computador e fui tomar um chimarrão! Argh!

  13. Interlocutor respeitado por líderes como D. Paulo Arns, Júlio de Mesquita Neto e Ulysses Guimarães. Odiado pela linha-dura e radicalmente anticomunista e antidemocrático. Nacionalista e defensor da industrialização subordinada ao estrangeiro. Pensador autodidata, eclético, de estilo rocambolesco e árido, que não dispensava consultas a pais-de-santo. Em uma palavra: controvertido. Este é o perfil de Golbery do Couto e Silva, homem do poder, mas que preferia os subterrâneos aos holofotes.

    Nascido em agosto de 1911, sua participação ativa na história se iniciou em 1952, quando ingressou na ESG, dando início a uma relação estreita e profícua. Em 1954 redigiu o Memorial dos Coronéis, estímulo à demissão do ministro do Trabalho, Jango, e o Manifesto dos Generais, contra o próprio presidente Vargas. Em 1955, foi um dos articuladores da “novembrada”, movimento que visava a impedir a posse do presidente eleito JK e seu vice, Jango, o que o levou à prisão.

    Nomeado para o Conselho de Segurança Nacional do governo Jânio Quadros, foi surpreendido pela renúncia do presidente e movimentou-se amplamente pelo impedimento da posse do vice Jango. Foi dele a idéia de oferecer a Goulart a Presidência sob regime parlamentarista, solução de compromisso finalmente aceita. Já na reserva, passou a liderar o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), e ligou-se ao Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) e ao Movimento Anticomunista na intensa conspiração contra o governo.

    Com o sucesso do golpe de 1964, foi nomeado por Castelo Branco chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), com status de ministro. Juntamente com Geisel, tinha grande influência sobre o presidente, mas caiu no ostracismo durante o predomínio da linha-dura, que chegou ao poder com Costa e Silva, e foi trabalhar na filial brasileira da multinacional Dow Chemical em 1969.

    Retornou ao poder em 1974, na Chefia do Gabinete Civil de Geisel. Na condução da transição transada, cujo ritmo queria aumentar, realizou muitos contatos com membros da Igreja Católica e outras lideranças. Para ele, a “distensão política” deveria ter ocorrido ainda no momento de auge do autoproclamado “milagre brasileiro”, diminuindo as resistências da direita e agradando controladamente à esquerda.

    Mesmo com as promessas de distensão, o governo Geisel foi palco de graves violações aos direitos humanos, censura e arbitrariedades. Era, em parte, obra da linha-dura, que resistia a qualquer proposta de abertura e criava artificialmente um clima de conspirações comunistas. Mas o grupo no poder não tinha muita convicção na democracia: em 1977, diante da rejeição do anteprojeto do governo, de reforma do Poder Judiciário, o Congresso foi fechado por 14 dias e baixado o célebre Pacote de Abril, mudando no meio do jogo as regras eleitorais e buscando garantir o controle do processo de auto-reforma.

    Golbery aconselhava a “distribuir pauladas à esquerda e à direita”, mas também a demonstrar boa vontade para com ambos, como em 1978, quando ocorreu a revogação do AI-5, o restabelecimento do habeas-corpus para crimes políticos, a anistia aos cassados 10 anos antes. Acreditava que inimigos deveriam ser enfraquecidos e monitorados, nunca aniquilados, para não fortalecer demais um outro lado nem criar mártires. Guiou-se por essa visão ao conduzir a distensão.

    Em 1979, foi reconfirmado no Gabinete Civil pelo novo presidente, João Figueiredo. Sua permanência seria curta: em 1981, divergindo da atuação em relação ao recrudescimento do terrorismo de direita, saiu do governo e ingressou na diretoria do Banco Cidade. Até sua morte, em 1987, aos 76 anos, manteve-se afastado da vida pública. Se bem que “pública” não é o melhor termo para definir sua atuação prática e sua ideologia. Estava a serviço da burguesia brasileira, devotado à busca de uma ideologia voltada a responder conservadoramente aos problemas da realidade nacional.

    Conhecido como o principal ideólogo do Governo Militar brasileiro iniciado em 1964 e Ministro Chefe da Casa Civil dos dois últimos generais-presidentes, Golbery do Couto e Silva foi também o grande arquiteto da abertura do Regime que ajudou a criar.

    A distensão, “lenta, gradual e segura”, iniciada sob sua batuta já no governo Geisel, prepararia o retorno da democracia ao país e a volta dos partidos políticos.

    Segundo os cálculos de Golbery, uma vez que a esquerda armada já havia sido derrotada no campo de batalha, uma nova esquerda poderia assumir seu lugar.

    Para o “bruxo”, o problema da esquerda combatida pelo Regime era o fato de ser, justamente por seu caráter revolucionário, um movimento anti-sistêmico.

    Sua idéia era patrocinar a criação de uma esquerda ligada aos sindicatos e às reinvidicações trabalhistas usuais – uma esquerda “administrável” – que não fosse revolucionária e respeitasse as regras.

    O ideólogo acreditava que o sindicalismo do final dos anos 1970 e início dos anos 1980 estaria divorciado da concepção marxista de “lutas de classes” e priorizaria disputas e acordos salariais.

    Golbery alimentou os opositores do regime – entre eles, o próprio ex-presidente Lula, na época, líder das greves do ABC paulista – cedendo-lhes espaço, acreditando que estava preparando a oposição democrática ao legado de 1964.

  14. CORRUPÇÃO NO SIAD MATA MILITARES IDOSOS NO HOSPITAL NAVAL MARCILIO DIAS

    Idosos doentes e mais pobres da reserva da Marinha do Brasil, depois de prestarem serviços com excelência, dedicação e amor à profissão, sofrem com os desvios e a fiscalização fraudulentamente omissa do SIAD, serviço de assistencia domiciliar para pacientes graves, em estagio avançado de doenças degenerativas e impossibilitados de se locomoverem, sob responsabilidade da autoritaria, corrupta e arbitraria capitao-de-mar-e-guerra Silvia da Costa Orazem, conforme denuncia de pacientes e familiares, que foram surpreendidos pela negativa de prestaçao do serviço, as lesoes e a morte prematura por negligencia.

    Faltam os atendimentos medicos essenciais e o resgate de pacientes em situaçoes de extrema necessidade, o que frequentemente causa o obito por omissao de socorro.

    Esse serviço altamente custeado pelos pacientes (vinte porcento) e pela União (oitenta porcento). ontratos superfaturados, fraudulentamente fiscalizados, nao executados pelas empresas contratadas, mas pagos com os recursos da Uniao e dos pacientes. O dinheiro e desviado tambem para a compra de relatorios de fiscalizaçao inveridicos, sendo pagos mensalmente å oficial coordenadora e responsavel pela fiscalizaçao e pelo repasse dos recursos publicos.

    Os pacientes e familiares sao humilhados e amedrontados pela oficial corrupta e cheia de costas quentes na Marinha, Silvia da Costa Orazem.

    Muitos como o suboficial reformado Reginaldo Silva Pereira foram assassinados no Hospital Naval Marcilio Dias para que os desvios no SIAD do setor de geriatria do hospital, sob responsabilidade da capitao de mar e guerra Silvia da Costa Orazem fossem acobertados e como retaliaçao e ameaça aos familiares.

    Há uma terrivel quadrilha mafiosa no SIAD, na geriatria do Hospital Naval Marcilio Dias, responsavel pelo desvio de recursos da Uniao por meio de contratos administrativos do Comando da Marinha do Ministerio da Defesa.

  15. Escrevo este comentário quatro anos depois da histeria da famigerada “Operação Lava-Jato” contra o herói nacional Almirante Othon. Agora, em 2019, informações levantadas pelo jornalista Glen Greenwald, de renome mundial e ganhador do “Prêmio Pulitzer”, o mais importante do jornalismo estadunidense mostram que Sérgio Moro e seus procuradores amestrados agiram de foram ilegal, a mando dos EUA, para prender o Almirante Othon como forma de puni-lo por ter levado em diante com todo apoio do Presidente Lula o projeto das centrífugas de enriquecimento de urânio em Resende (RJ). Centrífugas projetadas de modo inovador no mundo, e que atraíram a fúria dos EUA ainda no Governo Lula, que resistiu com bravura e não permitiu inspeções de fiscais da AIEA fora dos parâmetros anteriormente fixados em tratados escritos e assinados pelo Brasil. A História é implacável. Sérgio Moro foi desmascarado como traidor da Pátria e o Almirante Othon tem o seu lugar garantido no panteão dos grandes heróis da nacionalidade brasileira.

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