Alucinados do PT 2011 repetem Brizola e a esquerda de Jango em 64

Pedro do Coutto

Reportagem – aliás excelente – de Gerson Camaroti e Dandara Tinoco, O Globo, edição de 17, focaliza movimento de (por sorte) um pequeno grupo de alucinados do PT tentando mobilizar setores partidários e populares contra a visita do presidente Barack Obama ao Brasil. Absurdo completo.

Os radicais de 2011 repetem o radicalismo de Leonel Brizola e da esquerda do antigo PTB em 64, que culminou com a total desestabilização do presidente João Goulart e sua queda pelo movimento militar de 64. Há 47, Brizola não compreendeu a dificuldade de Jango em controlar as correntes que aparentemente o apoiavam, mas na realidade empenhavam-se inconsequentemente pela superação de sua liderança.

Hoje, os alucinados petistas não conseguem entender que se encontram no governo e que todo sistema de poder possui suas contradições. Isso de modo geral. No caso de Barack Obama, em particular, não existe contradições alguma. Uma rematada loucura pensar o
contrário. Os dois repórteres de O Globo apresentaram os fatos, como compete ao jornalismo, e ouviram as partes.

O ministro Luiz Sergio, das Relações Institucionais, considerou um absurdo, para não dizer estupidez. Mas o coordenador do movimento contra Obama, Indalécio Vanderlei Silva, retorna ao passado e acentua a participação da Casa Branca no movimento que conduziu à ditadura militar. E faz a comparação impossível: Lindon Johnson e Barack Obama, os EUA de ontem, os Estados Unidos de hoje.

São completamente diferentes. A política externa de Washington em 64 era intervencionista e conservadora ao extremo. Basta citar o exemplo do Vietnam. Com Obama, não é intervencionista, tampouco conservadora. É reformista na medida do possível em volta dos interesses americanos estatais e privados. Obama deseja negociar.

A proposta relativa ao Pré-Sal é uma síntese de uma ótica moderna e de sua disposição conciliatória. Além disso, é fortemente voltada em favor dos regimes democráticos e não da hipótese de sua ruptura. Por isso, exatamente por isso, vem ao Brasil e vai ao Chile. Condenação aos crimes das ditaduras brasileiras e chilena. A frase parece equivocada em matéria de concordância. Não é.

De 64 a 85, em nosso país, o ciclo militar desenvolveu-se através de várias sucessões de generais. No Chile, a partir da morte de Salvador Allende, apenas um general – Pinochet – ocupou o poder. Este aspecto é essencial. Outro: Pinochet terminou condenado pela Justiça Internacional. Na Argentina, que Obama não incluiu em seu roteiro, o general presidente Rafael Videla foi condenado à prisão perpétua. Mas estas são outras questões.

O absurdo das posições radicais situa-se na contradição máxima de a falange encontrar-se no poder e agir como se fosse oposição. Impossível. Em 1964, depois de garantir a posse de Goulart em 61, Brizola não percebeu a fragilização de Jango, seu cunhado, atacado duramente por Carlos Lacerda, um demolidor dramático que não deixou herdeiros, e por ele próprio.

João Goulart não resistiu ao fogo cruzado. Desabou. Além disso, existia uma oposição fortemente organizada no país formada pelos famosos bacharéis da UDN, todos conservadores, por certo, mas de nível intelectual alto. Hoje na política brasileira só existem conservadores. Nem  oposição ao governo existe mais. Lula, ao longo de seu mandato, a destroçou através da política salarial e da expansão do crédito. Os oposicionistas não conseguem reorganizar-se.

O fato de Obama vir ao Brasil encontrar-se com Dilma Rousseff e não ter vindo avistar-se com Lula decorre da mudança da política externa brasileira. Como poderia Barack Obama chegar aqui e falar com Lula sobre o Irã e a Venezuela? Como poderia aterrisar se Lula afirmou-se satisfeito com os problemas que envolviam a economia americana? Não há dois governos iguais entre si. O quadro mudou.

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