Alvo de operação da PF, Witzel acusa Bolsonaro por “perseguição política” e diz que Flávio “deveria estar preso”

Governador classificou a operação como “desproporcional”

Rafael Nascimento de Souza
O Globo

Horas após ser alvo da Operação Placebo da Polícia Federal, o governador Wilson Witzel (PSC-RJ) fez um pronunciamento nesta terça-feira, dia 26, no Palácio Laranjeiras. O governador classificou a operação como “desproporcional” e chamou a investigação de “fantasiosa”.

Ele voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro e disse que quem deveria estar na cadeia é o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). O governador disse ainda que continuará “lutando contra esse fascismo que se instala no país e contra essa ditadura de perseguição”.

FANTASIA – “Quero manifestar a minha absoluta indignação com o ato de violência que o Estado de Direito sofreu. Tenho todo respeito ao ministro Benedito Gonçalves (do Superior Tribunal de Justiça), mas essa busca e apreensão foi construída com uma narrativa fantasiosa. O ministro foi induzido ao erro”, afirmou Witzel, que se mostrou irritado com a operação da Polícia Federal que apreendeu seus computadores e celulares.

“Esse é um ato de perseguição política que se inicia nesse país e isso vai acontecer com governadores inimigos. O senador Flávio Bolsonaro, com todas a provas que já temos contra ele, que já estão aí sendo apresentadas, dinheiro em espécie depositado em conta corrente, lavagem de dinheiro, bens injustificáveis, ele já deveria estar preso”, pontuou.

O governador disse ainda que vai manter sua rotina de trabalho “para salvar vidas e corrigir erros que são passíveis”. “Vou lutar contra esse perigo que estamos passando. Inicia uma perseguição política para aqueles que ele considera inimigo. Continuarei lutando contra esse fascismo que se instala no país e contra essa ditadura de perseguição. Não permitirei que esse presidente, que eu ajudei a eleger, se torne mais um ditador da América Latina. Não abaixarei minha cabeça, não desistirei do estado do Rio de Janeiro, e continuarei trabalhando para uma democracia melhor”, afirmou.

DESVIOS – Antes do pronunciamento, o governador já havia negado qualquer tipo de envolvimento no esquema de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública. Quinze equipes da PF participaram da ação, que teve a finalidade de apurar os indícios de desvios em hospitais de campanha.

“Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade. Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará. A interferência anunciada pelo presidente da república está devidamente oficializada”, disse, em nota oficial.

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ÍNTEGRA DO PRONUCIAMENTO

“Quero manifestar minha absoluta indignação com o ato de violência que, hoje, o Estado Democrático de Direito sofreu. Uma busca e apreensão que, eu tenho todo respeito ao ministro Benedito (Gonçalves), mas a narrativa que foi construída e levada ao ministro Benedito é absolutamente fantasiosa. Não vão conseguir colocar em mim o rótulo da corrupção. Todas essas irregularidades foram investigadas e estão sendo investigadas por determinação minha. A busca e apreensão, além de ser desnecessária, porque o ministro foi induzido ao erro, é fantasiosa a construção que se fez e não resultou em absolutamente nada.

Não foram encontrados valores, não foram encontrados joias. Se encontrou, foi apenas a tristeza de um homem e de uma mulher pela violência com que esse ato de perseguição política está se iniciando no nosso país. O que aconteceu comigo vai acontecer com outros governadores que forem considerados inimigos. Narrativas fantasiosas, investigações precipitadas, um mínimo de cuidado na investigação do processo penal, levaria aos esclarecimentos necessários. Ao contrário, o que se vê na família do presidente Bolsonaro é a Polícia Federal engavetar inquéritos e vaza informações. O senador Flávio Bolsonaro, com todas a provas que já temos contra ele, que já estão aí sendo apresentadas, dinheiros em espécie depositado em conta corrente, lavagem de dinheiro, bens injustificáveis, ele já deveria estar preso. Esse sim.

A Polícia Federal deveria fazer o seu trabalho com a mesma severidade que passou a fazer no estado do rio de Janeiro, porque o presidente acredita que eu estou perseguido a família dele, e ele só tem essa alternativa de me perseguir politicamente. Acusações levianas estão feitas em relação a mim, mas tudo isso será absolutamente demonstrado de forma clara e precisa nos processos que tramitam no STJ.

Quero dizer ao povo do Rio de Janeiro que estou com a minha consciência tranquila. Eu prometi ao povo que não os decepcionarei e não irei decepcioná-los, mesmo lutando contra forças muito superiores a mim. Continuarei trabalhando de cabeça erguida, manterei minha rotina de trabalho, para continuar salvando vidas e corrigindo erros que todos nós estamos passíveis de sofrermos diante desse momento tão difícil que atravessa o Brasil, governado por um líder que, além de ignorar o perigo que estamos passando, inicia perseguições políticas a quem ele considera inimigo.

Continuarei lutando contra esse fascismo que se instala no país e contra essa ditadura de perseguição. Não permitirei que esse presidente que ajudei a eleger se torne mais um ditador da América Latina. Não abaixarei minha cabeça, não desistirei do estado do Rio de Janeiro, e continuarei trabalhando para uma democracia melhor.

Eu continuarei lutando contra esse fascismo que está se instalando no país, contra essa nova ditadura de perseguição. Até o último dos meus dias, eu não permitirei que, infelizmente esse presidente que eu ajudei a eleger, se torna mais um ditador na América Latina. Vamos lutar contra isso, vou apresentar tudo que for necessário para esclarecer e acabar com esse circo que está sendo feito em relação ao Estado do Rio de Janeiro. A democracia vai vencer. Nós vamos lutar e, tenho certeza, que a Justiça será feita em momento oportuno”.

16 thoughts on “Alvo de operação da PF, Witzel acusa Bolsonaro por “perseguição política” e diz que Flávio “deveria estar preso”

  1. A quem interessar a verdade, sugiro ouvir, várias vezes, a entrevista da dep. Carla Zambelli ao Time Line – matéria ZH. https://soundcloud.com/radiogaucha/carla-zambelli-25052020
    É impressionante a forma “descolada” com a deputada faz suas afirmações e colocações. Se tivermos alguns deputados federais salvados do “covid-parlamentar”, esta senhora deve ser encaminhada à comissão de etica (como soa mal a existência de tal comissão no câmara federal) para prestar esclarecimentos sobre o que disse. Só não irá, se protegida por seus pares!
    A sociedade brasileira paga muito caro por cada parlamentar (nos tres níveis) para ter retornos tão sem valores, sem lógica e sem produtividade alguma.
    Reformar o estado é preciso, mas tem de começar pelo legislativo. É nele que são construídas as “barbaridades nas leis que nos regem” é dele que sem as maiores aberrações, muitas delas dos eleitores.
    Fallavena

  2. Para todos, com as exceções de sempre:

    RIO — Depois de analisar os contratos emergenciais firmados pela Secretaria estadual de Saúde do Rio para a compra de respiradores, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) constatou que houve superfaturamento na compra de mil respiradores por R$ 123 milhões — três vezes o valor de mercado. A auditoria do órgão responsabilizou pela irregularidade o então titular da pasta, Edmar Santos, e o ex-subsecretário Gabriell Neves, que foi preso há duas semanas por conta de investigações. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo “RJ TV”, da Rede Globo. Técnicos do TCE, que encaminharão o estudo ao Ministério Público estadual, sugerem que os dois devolvam R$ 36 milhões aos cofres fluminenses. Eles podem apresentar recurso.

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    Desde que vieram à tona as denúncias de irregularidades na compra dos equipamentos e na construção de sete hospitais de campanha durante a pandemia do coronavírus, o governador Wilson Witzel determinou o cancelamento de 44 dos 66 contratos emergenciais firmados no período. As investigações sobre a compra do respiradores são do Ministério Público estadual, e a força-tarefa da Lava-Jato apura irregularidades na montagem dos hospitais de campanha.

    Cinco pessoas já foram presas, entre elas o empresário Mário Peixoto, acusado de ser o chefe do esquema de irregularidades em contratos com os hospitais de campanha. As empresas ligadas a ele atuam na rede estadual desde 2012, quando Sérgio Cabral estava à frente do governo. Por conta de indícios de envolvimento de integrantes da cúpula do governo nas fraudes, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu um inquérito contra Witzel, que tem foro privilegiado. O governador diz que envolveram seu nome em “negociações espúrias” e que nada tem a temer.

    Grampo telefônico
    Edmar Santos foi afastado da pasta por “falhas” na gestão, segundo uma nota oficial. Mesmo assim, não foi excluído do governo. Witzel o nomeou para o cargo de secretário extraordinário e lhe deu a missão de coordenar um grupo de pesquisadores que atuam como conselheiros nas ações de combate à Covid-19. Procurado nesta sexta-feira para se pronunciar sobre o parecer do corpo técnico do TCE, Edmar informou, por meio de sua assessoria, que não recebeu o relatório do TCE e, assim, não poderia se manifestar. Witzel também não comentou o caso.

    Os técnicos do TCE ainda analisam os valores lançados nas notas fiscais de contratos emergenciais. A Operação Favorito, conduzida pela força-tarefa da Lava-Jato, obteve escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça, com diálogos que sugerem adulteração nos preços pagos pelos respiradores. Em um deles, o empresário Luiz Roberto Martins, que seria o operador financeiro de Mário Peixoto, conversa com o diretor de uma organização social sobre notas fiscais.

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    “Um respirador de 32 mil reais, tem gente do estado querendo que coloque na nota 250 mil. Depois vai todo mundo preso, depois que passar isso aí, vamos ter uma nova Lava-Jato”, afirmou Luiz Roberto.

    No fim de abril, o TCE detectou irregularidades no chamamento público para a aquisição, sem licitação, de ventiladores pulmonares e de testes rápidos para a Covid-19. Segundo o tribunal, as empresas ARC Fontoura, A2A e MHS, contratadas pela Secretaria de Saúde, não tinham aptidão para fornecer todos os equipamentos encomendados.

    Investigações separadas que se cruzaram
    Há duas frentes nas investigações sobre desvios na saúde durante a pandemia do coronavírus. Uma delas é do Ministério Público estadual, que levou à prisão o então subsecretário de Saúde Gabriell Carvalho dos Santos e outras quatro pessoas. Ao ser preso, ele já tinha sido afastado por Witzel, porque o acesso às informações públicas sobre os contratos emergenciais fora suspenso. O governador mandou que o serviço fosse restabelecido.

    O inquérito do MP é conduzido pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc). Um dos focos é a compra de respiradores. Na semana passada, a força-tarefa da Lava-Jato prendeu cinco pessoas após grampos indicarem o envolvimento delas em outras fraudes. O empresário Mário Peixoto faz parte desse grupo.

    A Controladoria Geral do Estado (CGE) ainda não foi comunicada do resultado da auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e, por isso, não pode se manifestar. Cabe, no entanto, ressaltar que todas as denúncias estão sendo auditadas pela Controladoria Geral do Estado para verificar possíveis ilegalidades e danos aos cofres públicos. Enquanto durar a auditoria da CGE, todos os pagamentos aos fornecedores fiscalizados estão suspensos e, caso sejam encontradas irregularidades, poderão ser cancelados.

    Em nota, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) afirma que já obteve na Justiça o bloqueio de bens e valores de empresas e pessoas físicas envolvidas nas denúncias de irregularidades de compra de respiradores, cobrando o ressarcimento do que foi pago. Diz ainda que esses contratos já haviam sido suspensos por inúmeras irregularidades e o não cumprimento dos prazos para a entrega dos equipamentos pelas empresas Arc Fontoura, MHS e A2A. E que uma força tarefa no estado do RJ está investigando todos os contratos emergenciais realizados pela Secretaria de Estado de Saúde.

    Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/tce-responsabiliza-ex-secretario-de-saude-por-superfaturamento-na-compra-de-respiradores-24442399

    • Um belo relato de fatos. É claro que tais operações, medidas e ações não foram praticadas em menos de 1 mes!
      Portanto, nada da organização foi provocado pelo governo central, após as troca das PF.
      Ou seja, eram tarefas que se desenvolveram bem antes dos relatos da reunião de 22 de abril. Assim, o presidente está “abanando com o chapéu dos outros”!
      Correto ou estou errado nas datas e nos fatos.
      Abraço.
      Fallavena

  3. Witzel não é do tipo simpático, mas é preciso reconhecer que o Bolsonaro está trocando os pés pela mãos: Hoje ele congratulou a PF pelas buscas no Palácio do governador do Rio.
    Mas quando se trata de investigar o filhinho acusado de rachadinhas, ele faz reunião com ministros, xinga até a mãe de Mateus, demissiona o diretor da PF, troca a PF no Rio para proteger os amigos seus. Investigar o governador pode, mas investigar o filhinho do presidente “cocô” não pode.
    I miss Dilma.

  4. Guerra de quadrilha.

    A quadrilha bolsonarete quer a derrubada da quadrilha Witzel.

    O mais hilário é que a Globo também quer a queda da quadrilha Witzel!

    Isso porque a Globo, que apoia a esquerda identitária, que também quer a queda da quadrilha do Witzel, trabalham constantemente para manter a polarização Bolsonaro x Lula; Lulismo x Bolsonarismo, até 2022.

    Globo (identitários) e Bolsonaro trabalhando juntos!

    Quem diria!

  5. O governador dos cariocas só está sendo mais do mesmo. Nem mesmo o Cristo Redentor de braços abertos consegue ajudar os cariocas, povo desgovernado por governadores e prefeitos corruptos, muito interessados em defender os interesses seus, de seus patrocinadores e de mais ninguém. O único consolo que restou aos cariocas foi o de apagar as mágoas com o Carnaval, sem ele nem a beleza natural luxuriante do estado serviria para nada. Que Deus livre os cariocas dos canalhas que os governam.

  6. Se utilizou da mesma prática do Sérgio Cabral, qual seja, o fornecedor tinha que contratar o escritório de advocacia da mulher.

    Rio de Janeiro ainda está longe, pelas opções, de ter governantes sérios.

  7. “Lembram da hashtag BolsoWitzel?! E a hashtag Vote 17?! Tão famosas nas redes sociais durante as eleições de 2018… E hoje seus eleitores estão aí fingindo demência!
    Era “contra a corrupção”, né?! Agora tá um apontando o dedo que fazia arminha para a cara do outro.

    Ah! Lembrei de mais uma hashtag que bomba na familicia:
    #CadêQueiroz??”

    R.Mello

  8. Quem não deve não teme. Por mim, todas as autoridades públicas, incluindo funcionários públicos, deveriam ser permanentemente investigados no tocante às ações de interesse público.

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