Amanhã: eleição sem título, sem candidato, sem voto, só documento com foto. Essa eleição, 48 horas depois de um debate triste, melancólico, sem polêmica, projeto, compromisso

Na República, os presidentes não tinham votos nem disputavam eleição. Deodoro e Floriano foram “indiretos”, Prudente, Campos Salles e Rodrigues Alves, paulistas, Nilo Peçanha, substituto por 17 meses, Afonso Pena,o primeiro civil não paulista, morreu no cargo.

Surgiu a oportunidade Rui Barbosa. 1910, 1914, 1918, 1919. Na primeira eleição, combateu as três maiores potências. A Igreja, o Exército, o Republicano, partido único. (Disputou como independente, possibilidade que acabou em 1934). Perdeu, mas com excelente votação.

Em 1914, começando a campanha, foi procurado por Pinheiro Machado (diziam que “fazia” presidente, nunca elegeu a ele mesmo), com uma proposta. “Rui, você concorda com a reforma da Constituição, é indicado pelo Partido Republicano, está eleito”. Rui pediu 72 horas, no dia seguinte foi para a tribuna do Senado (Pinheiro Machado também era senador), fez discurso violentíssimo olhando o próprio adversário, declarou: “Estou renunciando à candidatura, não quero que suspeitem que garanto eleição, rasgando a Constituição”. E foi embora.

Em 1918, se preparava para disputar, os maiores estados se juntaram para apoiar Rodrigues Alves, excelente figura, ex-governador de SP no Império, depois presidente da República, novamente governador. Rodrigues Alves não queria, estava com 70 anos (isso em 1918), muito doente, não fez campanha, não saiu de sua chácara em Guaratinguetá. Rui não disputou, apesar dos recados respeitosos do candidato. (Eleito, não daria para tomar posse).

Em 1919, com a vacância do cargo, começaram a negociar nova eleição. Todos os grandes estados queriam indicar o presidente, resolveram eleger Epitacio Pessoa, que estava em Versalhes, representando o Brasil na RENDIÇÃO INCONDICIONAL da Alemanha, na Primeira Guerra Mundial.

Eleito e não empossado, Rodrigues Alves convidou Rui para esse cargo, recusou, sabia que haveria outra eleição. E houve. Com Rui candidato, aos 69 anos, cansado, mas correndo o Brasil todo. Ganhou Epitácio (tio de João Pessoa) que não saiu de Paris, a Constituição permitia. Rui perdeu, abandonou a vida pública sem chegar a presidente.

Esse “passeio”, para mostrar a falta de representatividade presidencial no Brasil. Entre uma ditadura de 15 anos e outra de 21 (agravadas pela renúncia de Jânio Quadros), a única eleição presidencial de Vargas, 43 por cento dos votos, não havia segundo turno. Depois, Juscelino 36%, Lacerda 29% (para governador), implantaram o segundo turno, ou terminariam empatados.

Estamos 24 horas antes da eleição, e 24 depois do que chamam insensata e despropositadamente de debate. Na verdade, não foi nada disso, foi monótono, cansativo, sem qualquer definição, uma hora e 50 minutos jogados fora, segundo institutos que “mediram a audiência”, por causa da hora, começou com pouca gente, caiu ainda mais.

O proprio jornalão da Organização, em manchete, chora, lamenta, se arrepende, mas confessa: “Debate sem polêmica fecha a campanha presidencial”. A culpa, lógico, dos dois lados. Da TV Globo, que “pautou” o encontro da forma a mais inconsequente possível, as perguntas eram feitas PREOCUPADAMENTE e respondidas SOFRIDAMENTE.

Os grandes problemas do Brasil só passaram perto do Plinio Arruda Sampaio, ninguém fugia dele e sim dos assuntos que tentava introduzir no programa.

Amanhã, 130 milhões estão inscritos para votar, têm que comparecer, é OBRIGATÓRIO. Até anteontem, a coisa mais importante do país, era o TÍTULO DE ELEITOR. Qualquer um que completasse 18 anos (logo desceu para 16, tratava de se alistar. Enfrentava filas colossais, ficava orgulhoso, “já tenho meu título, vou votar”.

Amanhã, não esqueçam: uma carteira com foto, “joguem o título de eleitor no lixo”. (Royalties para Cezar Peluso, presidente do Supremo.

Dona Dilma tentou um debate LIMPO, só falava em saneamento: “GASTAMOS 40 BILHÕES, e no meu governo, vou gastar muito mais”. Ótimo, mas só cuidará de SANEAMENTO. E os outros grandes problemas, se perderão no tempo, na incompetência e na convicção de que vai ganhar amanhã (nem se discute) , consagrada pelo cidadão-contribuinte-eleitor.

José Serra, onde vai buscar condições para disputar a presidência pela segunda vez? Em 2002, o PSDB (leia-se: FHC) queria retirar sua candidatura, resistiu, afirmou: “Estou com 60 anos, minha vez é agora”. Eu disse que NÃO ERA, NÃO FOI.

Agora, com 68 anos, pensa (?) que tem chance, é capaz de acreditar na mesma coisa, em 2014, com 72 anos.

Dona Marinha tem obsessão por MEIO AMBIENTE, o resto não interessa. O governo Lula (ainda?) compra dólar desde que ele estava a 3,20, dizem: “Compramos para o dólar não cair demais. É preciso contê-lo”. Mas a moeda já está em 1,68 (no momento em que escrevo) e o Banco Central COMPRANDO. os prejuízos acumulados são chamados de RESERVAS. Ninguém tratou do assunto, como fugiram de tudo o que é importante e imprescindível.

Ninguém falou nas fabulosas DÍVIDAS (INTERNA E EXTERNA), em INFRAESTRUTURA (palavra amaldiçoada), Saúde, Educação, Transportes, a não ser como forma de preencher o tempo, o espaço e a paciência do telespectador.

***

PS – Nenhum compromisso, projeto, programa, realização fechada. E as privatizações-doações? Ninguém falou nada. Assim como Lula ASSIMILOU e ASSUMIU tudo, Dona Dilma fará o mesmo.

PS2 – Não há mais o que dizer, estamos na hora de votar OBRIGATORIAMENTE. Mas reflitam, examinem, pesem os nomes, não apenas para presidente.

PS3 – Como o Brasil é o único pais que faz todas as eleições no mesmo dia, (deixando de fora a municipal, que devia ser a mais importante, 195 milhões moram no município) examinem bem.

PS4 – Governador, senador, deputado federal e estadual, são importantes. Fiquemos preparados para PARTICIPAR ATIVAMENTE, desde o 1º de janeiro.

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