Amarelinho 1 x Obama 0

Carlos Chagas

Enfim, prevaleceu o bom-senso: o presidente Barack Obama não vai discursar, hoje, nas escadarias do Teatro Municipal, imobilizando toda a Cinelândia, inclusive com o fechamento do Amarelinho. Preferiu, ou preferiram seus agentes de segurança, que  o pronunciamento seja feito lá dentro. Liberada a praça, que continuará  sendo do povo, o mais político dos bares nacionais  permanecerá aberto. Se o presidente dos Estados Unidos pudesse livrar-se das centenas de gorilas que o protegem e isolam, na saída do teatro poderia dirigir-se  ao Amarelinho para provar o melhor chope do Rio de Janeiro. De qualquer forma, melhor assim.
                                                       
Quanto ao resto, registre-se a passagem de Obama pelo campo do Flamengo, único local nas proximidades da Lagoa Rodrigo de Freitas onde pode pousar o helicóptero dos Fuzileiros Navais americanos, um mastodonte que até nos intimida. A presidente do clube pretendeu oferecer ao visitante uma camisa do time mais querido do país,  mas foi proibida pela segurança. Parece que por medo do contágio das cores preta  e vermelha. 
 
O PT NÃO DEIXA
 
A comissão  especial do Senado que cuida da reforma política aprovou, como sugestão ao plenário, o fim da reeleição para presidente da República, governador e prefeito.  Como alternativa, os mandatos passariam de quatro para cinco anos. A proposta corrige a malandragem imposta pelo então  presidente Fernando Henrique, eleito para quatro mas que permaneceu oito anos no poder. Só por milagre um governante, no exercício de suas funções, deixa de ser reeleito. Vale mais a caneta do que a disputa eleitoral. Tanto assim que o Lula repetiu a prática. Como o PT continua no palácio do Planalto, com Dilma Rousseff, nem por milagre os companheiros aceitarão a mudança. Até porque, depois dos supostos oito anos da atual  presidente, poderão seguir-se outros oito do Lula. Irá o PT entregar o ouro ao bandido?
 
CUIDADO COM OS FINS DE SEMANA
 
Dois ou três ministros estão fazendo ouvidos moucos para a instrução não escrita de  Dilma Rousseff, de que Brasília também é capital do país  nos fins de semana e que não devem afastar-se daqui para  viagens sem objeto administrativo.  Insistem, esses bissextos auxiliares presidenciais, em passar sexta, sábado,  domingo e segunda em seus estados. Tem um que assina ponto em Manaus, desde que retornou ao ministério. Devem cuidar-se, porque se por acaso  convocados, não sendo encontrados, correm o risco de ficar permanentemente em seu torrão natal.
 
NEM PASSARÁ PERTO 
 
Decidiu o vice-presidente Michel Temer que mesmo nas viagens mais prolongadas de  Dilma Rousseff ao exterior, não ocupará o gabinete dela.  Ainda agora em abril a presidente irá à China, ausentando-se por pelo menos cinco dias. Ainda assim, Temer continuará no anexo a que tem direito. Dizem seus íntimos que despachar no terceiro andar do  palácio do Planalto, só em definitivo, depois de ganhar a eleição.  O vice-presidente parece avesso a mordomias, porque nem reside  no palácio do Jaburu, sua residência oficial. Prefere um hotel que nem cinco estrelas possui.

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