Ameaça de Paulo Guedes se demitir, no fundo, obrigou Bolsonaro a se pronunciar

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Com Guedes ou sem Guedes, Bolsonaro terá de tocar as reformas

Pedro do Coutto

Teve muita repercussão a ameaça do Ministro Paulo Guedes de que, se a reforma não for aprovada nos moldes que o governo deseja, ele deixará o Ministério da Economia. A declaração primeiro foi veiculada na edição da revista Veja, e em seguida pelo O Globo, edição de ontem. A matéria completa está na Veja que está nas bancas esta semana.

A impressão que se tem é que a reportagem de O Globo, como o jornal acentua, partiu do acesso a edição online da revista, o que mostra a ampliação do episódio. No Globo, assinam a matéria Gustavo Maia, Marcelo Correa, Daniel Gullino e Bárbara Nóbrega.

FUNÇÃO LEGISLATIVA – Os deputados e senadores, por seu turno, estão na obrigação de rebater a ameaça do Ministro Paulo Guedes, pois, se ficarem em silêncio, terminam concordando com o Ministro e abrindo mão da própria tarefa do Legislativo. Se o Legislativo não assumir seu papel de poder emendar a proposição, terá se conformado apenas como órgão carimbador das mensagens do Executivo. Isso de um lado.

De outro, o episódio abrange declarações do presidente Bolsonaro, que nelas incluem a perspectiva de considerar a saída de Paulo Guedes na equipe do governo. Disse o presidente da República que ninguém é obrigado a ser ministro, mas depois amaciou, afirmando que representará uma catástrofe para a economia brasileira a não aprovação da reforma da Previdência.

RESULTADO INÓCUO – A reportagem de O Globo acrescentou que Paulo Guedes está no seu direito se deixar o Ministério, é verdade se não aprovarmos a reforma realmente próxima ao texto original, e se o texto original sofrer muitas alterações, terá se transformado num resultado inócuo.

Jair Bolsonaro ainda fez referência as manifestações de rua projetadas por seus eleitores, mas disse que não participará de nenhuma delas.

Assim, a crise tornou-se mais densa e mais difícil de se administrar. Na minha opinião não há nenhuma possibilidade de a reforma da Previdência poder proporcionar uma receita de 1 trilhão de reais em 10 anos ou 100 bilhões por ano. Esses 100 bilhões neste ano seria decorrentes de que cortes? Só pode ser, o que é impossível, reduzindo aposentadorias e pensões. Porque o adiamento de aposentadorias com exigência maior de idade de contribuição para o INSS somente poderia começar a fazer efeito daqui a pelo menos três anos. Para mim o Ministro Paulo Guedes está viajando a bordo de uma ilusão.

ADEUS A FUAD ATALA – O grande jornalista Fuad Atala faleceu sexta-feira. Excelente profissional. Integrava a turma do Correio da Manhã, cujos integrantes encontravam-se sempre para lembrar o passado. Depois do Correio da Manhã Fuad Atala trabalhou por mais de vinte anos em O Globo e depois na Ultima Hora.

Na eternidade, acredito que seu amor pelo velho Correio da Manhã não acabará nunca. Ele jamais faltava às reuniões semestrais da velha guarda do lendário jornal carioca.

2 thoughts on “Ameaça de Paulo Guedes se demitir, no fundo, obrigou Bolsonaro a se pronunciar

  1. Quem assiste a Globo News, percebe que a Globo defende com ardor a Reforma da Previdência, nos moldes do Paulo Guedes.
    A Reforma da Previdência tem que ser feita, mas longe do que o Guedes quer, em que os trabalhadores serão arrochados e o maior beneficiário serão os banqueiros.
    Vou torcer para que a Reforma da Previdência, se for aprovada, não seja como o Paulo Guedes quer e ele cumpra a sua palavra de deixar o ministério. O problema é que com a saída do Guedes, Bolsonaro pode nomear um bom ministro, ou igual ao Guedes, ou um indicado pelo Olavo. Da cabeça do Bolsonaro pode sair qualquer coisa.

  2. Esse negócio de ficar ameaçando sair é coisa de menino. Tem de enfrentar o que vier e do jeito que vier. Aceitou ser ministro então arque com as consequência, com maturidade.

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