Ameaças de golpe militar fez Bolsonaro perder ainda mais votos para 2022

Charge do Adnael (humorpolitico.com.br)

Pedro do Coutto

As ameaças de Jair Bolsonaro envolvendo a perspectiva de golpe militar do país com a suspensão das eleições presidenciais e com a iniciativa de não respeitar as decisões do STF criaram para o presidente da República um cenário cada vez mais complicado ao que se refere às eleições do próximo ano para a Presidência da República quando ele próprio disputa a reeleição.

A lógica indica o seguinte, se ele é candidato à reeleição, mas as eleições podem não se realizar, ele deixou evidente que o seu projeto é de tornar-se ditador do Brasil, pois caso contrário, seria uma contradição incrível, mais um absurdo, alguém candidatar-se a uma eleição que considera possível de não ocorrer. Ninguém pode ser candidato a algo que não existe, portanto o seu projeto seria absolutamente antidemocrático.

INVESTIDAS ANTIDEMOCRÁTICAS – Depois do episódio que culminou com a leitura da sua carta em tentativa de conciliação,elaborada por Michel Temer, seu antecessor, a intenção de Bolsonaro a mim parece a de ganhar tempo em consequência de uma pauta artificial. Mas para ele é praticamente impossível afastar-se do projeto de poder. Os números do Datafolha divulgados na noite de sábado pela GloboNews e pela TV Globo, e objeto de ampla análise de Igor Gielow e Renata Galf, Folha de S. Paulo de domingo, destacam que as investidas antidemocráticas não acrescentaram nada à candidatura do atual presidente.

Pelo contrário, o Datafolha acentua que 50% do eleitorado acha que Bolsonaro pode dar um golpe de Estado no país; 45% acham que não tem a menor condição. Mas entre os 50% que admitem a hipótese, encontra-se a parcela de 30% que admite fortemente o perigo. Se o golpe de Estado militar preocupa tanta gente no Brasil e as pesquisas do mesmo Datafolha apontam o fraco desempenho eleitoral de Bolsonaro é porque a tese que leva à ruptura institucional não dá voto e retira até sufrágios no caminho difícil da reeleição. Inclusive porque diante da pesquisa a respeito do regime político do país, 70% afirmam ser plenamente democráticos.

Logo, a tese ditatorial não é caminho para as urnas do ano que vem. Além disso, 76% da opinião pública são favoráveis ao impeachment do presidente se ele na prática ignorar as decisões da justiça entre as quais as do ministro Alexandre de Moraes. Dois terços dos eleitores e eleitoras, faixa percentual de 66% que defendem a democracia, consideram que os ataques de Bolsonaro às autoridades e aos políticos são uma ameaça ao regime democrático.

OPINIÃO PÚBLICA –  O Datafolha deixou mais uma vez nítida uma tendência que me parece irreversível de modo absoluto: não à ditadura e sim à democracia e à liberdade. Na opção entre ditadura e democracia pode ser colocado como um ponto de análise o artigo de Bruno Boghossian, Folha de S. Paulo de ontem, que deixa no ar a indagação de que, no fundo, diante do obstáculo de alcançar o apoio das urnas, qual a saída que Jair Bolsonaro prevê para si mesmo. A opinião pública, portanto, já deu a sua resposta. O quadro político institucional brasileiro está na obrigação de complementá-la.

O Datafolha acentuou a fraqueza política de Bolsonaro: em um confronto no segundo turno, ele perde para Lula por 56% a 31%, margem bastante ampla, e perderia também para Ciro Gomes e João Doria. A derrota para João Doria é ainda mais significativa, uma vez que não acredito que ele não renuncie ao governo de São Paulo para tentar a Presidência em 2022.

IOF – As páginas econômicas dos três grandes jornais do país, O Globo, a Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo, têm focalizado os efeitos do decreto discutível do presidente Jair Bolsonaro em elevar o Imposto sobre Operações Financeiras numa escala de 30% para as pessoas físicas  e de 25% para as pessoas jurídicas. A diferença, mais uma vez, acentua a política não de redistribuição, mas de maior concentração de renda. O IOF para todos nós, pelo decreto, sobre de 3% para 4% que incidem sobre o valor da transação. Para as empresas, o IOF sobe de 1,5% para 2%.

A diferença significa o seguinte: para quem pagar a conta em seu cartão de crédito o tributo é de 4%, mas se as transações também financeiras se referirem a dois bancos, por exemplo, o tributo é de apenas 2%. Está aí um fato que destaca mais uma vez o caráter fortemente conservador da política econômica de um governo que se encontra em contradição a si mesmo.

A questão da redistribuição de renda marca bem o debate entre as esquerdas de hoje, os progressistas e os centro da direita formado por conservadores, moderados e extremistas. Se progressistas são os que defendem a redistribuição de renda e os conservadores ocupam a posição contrária, é porque no fundo, de acordo com o sentido da própria linguagem, ser conservador  é ser contra o progresso. É o tal caso, não adianta ver apenas o fato, é preciso ver no fato.

7 thoughts on “Ameaças de golpe militar fez Bolsonaro perder ainda mais votos para 2022

  1. Embora não tenha lido aqui na TI nenhuma desculpa dos que ajudaram Bolsonaro chegar lá. Tenho a impressão de que em breve os mesmos escreverão: Volta Lula!

  2. A quem o jornalismo de narrativas pensa que engana? A ele mesmo, já que o povo não dá a mínima para frases feitas, como “golpe do Bolsonaro” e outras baboseiras descoladas dos fatos.

    A credibilidade do jornalismo de narrativas é a mesma do DatafAlha: zero!

  3. Imaginem se o generalato iria em caso de um golpe militar entregar a nação para Bolsonaro… Acho que só ele, Braga Netto, Heleno e os zeros mais uma meia dúzia de políticos fanatizados acham isso.

  4. Um periquito posou na minha janela e diz: General batendo continência ao Mito, fora das “quatro linhas” NEVER!
    Um outro, parecendo mais velho, diz: No dia que Tiradentes, egresso da PM de Minas, foi esquartejado pela Coroa, Deus, na sua infinita sede de justiça, profetizou “Um miliciano vingador virá, que a Nação destruirá”

  5. Pedro do Couto, de forma simples, mostrou a diferença entre os progressistas e os conservadores. Para o povo, o aumento do IOF foi de 4%, para os empresários e banqueiros 2%. Bolsonaro e sua equipe são concentradores de Renda, governam para a Elite, que sempre cafetizou o Brasil. Quem apoia, deve estar com a vida ganha ou com o boi na sombra ou ainda, adoram um governo ditatorial.
    Talvez, não saibam, o que sejam prisões, torturas, nas masmorras dos quartéis? Por simplesmente, pensar diferente ou ser rotulado de esquerdista, comunista ou maoista.
    É, o Brasil é que sairá diminuído, disso tudo.

  6. A esquerda enche a boca pra falar golpe.
    Tudo que contraria esquerda é golpe.
    Se Bolsonaro for flagrado comendo na rua um pastel com caldo de cana, um jornalista vai denunciar, comer pastel na rua é coisa de populista essa gente sempre são golpistas.
    O olho do pirata só enxerga a pilhagem.

    • Quem não enxerga o cheiro de golpe, desconhece a história do Brasil.
      A nascente República foi um golpe contra o Imperador.
      D pois veio o Movimento Tenentista de 1922. Em seguida a Revolução de 30. Em 1954, a tentativa de golpe contra Getúlio. Em 1955, a tentativa de impedir a posse de Juscelino, com as revoltas de Aragarças e Jacareacanga. Tentaram impedir a posse de Jango em 1961 e depósito s foi deflagrado o golpe de Estado em 31 de março de 1964.
      É pouco ou quer mais.
      O preço da liberdade, é muito alto para fazer vista grossa, como aquele que não é cego, mas, não vê um palmo acima do nariz

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