Amigo de Fidel afirma que o acordo com EUA um sonho

Lesnik dedicou a vida ao reatamento Cuba/EUA

Giuliana Vallone
Folha

Entre as vozes que celebraram o acordo entre EUA e Cuba em Miami, na Flrida, uma se destaca na multido: o jornalista cubano Max Lesnik, 84 anos, que dedicou sua vida no exlio campanha pela retomada das relaes diplomticas entre os dois pases.

“Desde o fim dos anos 1970, fiz campanha para romper a tradicional confrontao entre Cuba e os EUA, buscando uma conciliao entre os dois governos. Tudo isso, que para mim era um sonho, tornou-se realidade agora”, disse Folha em seu escritrio em Little Havana.

Lesnik foi militante da Juventude Ortodoxa, partido de oposio ao regime do ditador Fulgencio Batista, e conheceu Fidel Castro quando ambos cursavam a Universidade de Havana. Juntou-se guerrilha em Cuba em 1958, como chefe de propaganda do movimento Segunda Frente Nacional de Escambray.

Quando Fidel tomou o poder em Cuba, em 1959, ele apoiou o regime. Mas passou a discordar dos rumos da revoluo quando percebeu que ele buscava se aliar Unio Sovitica e, em janeiro de 1961, partiu rumo a Miami.

COM JIMMY CARTER

Como contraponto ao forte movimento anticastrista na cidade, criou a revista “Rplica”, para fazer campanha a favor do regime comunista. “Quando Jimmy Carter [presidente dos EUA entre 1977 e 1981] estava em campanha Casa Branca, fiz uma entrevista com ele, que me disse que sua inteno era melhorar as relaes com Cuba.”

“Essa revista chegou a Fidel quando Carter j havia assumido, e ele sugeriu que eu participasse das conversas sobre o assunto.”

Em 1978, Lesnik voltou ao pas. “Fidel me recebeu no ptio do palcio presidencial e perguntei: Como devo te chamar? Comandante?’ Ele me respondeu: No, para voc sou Fidel’.” Desde esse encontro, Lesnik vai frequentemente a Cuba e se tornou grande defensor da normalizao nas relaes entre os dois pases.

“No tive absolutamente nenhuma participao desta vez. Mas no estabeleo nenhuma diferena entre o que foi comeado por Carter e que foi implementado agora.”

UMA NOVA ERA

Para Lesnik, a relao entra agora em uma “nova era”, em que cubanos nos dois pases sero beneficiados. “Qualquer Estado, quando se sente seguro, porque no h ameaa de um inimigo externo ou interno, mais relaxado e permite mais liberdade.”

Em oposio ao ceticismo que toma conta da comunidade cubana em Miami, ele acredita que o fim do embargo econmico pode passar no Congresso americano, mesmo com maioria republicana.

“O fim do embargo de interesse econmico dos EUA, no a favor de Cuba. um mercado a 200 quilmetros de distncia, com 11,5 milhes de pessoas”, afirmou.

Aos que especulam se Ral se ops ao irmo ao negociar com os EUA, Lesnik afirma: “Ral sempre foi fidelista. Dizer que ele fez isso sem que Fidel concordasse no ter ideia de quem eles so.”

Giuliana Vallone
Folha

Entre as vozes que celebraram o acordo entre EUA e Cuba em Miami, na Flrida, uma se destaca na multido: o jornalista cubano Max Lesnik, 84, que dedicou sua vida no exlio campanha pela retomada das relaes diplomticas entre os dois pases.

“Desde o fim dos anos 1970, fiz campanha para romper a tradicional confrontao entre Cuba e os EUA, buscando uma conciliao entre os dois governos. Tudo isso, que para mim era um sonho, tornou-se realidade agora”, disse Folha em seu escritrio em Little Havana.

Lesnik foi militante da Juventude Ortodoxa, partido de oposio ao regime do ditador Fulgencio Batista, e conheceu Fidel Castro quando ambos cursavam a Universidade de Havana. Juntou-se guerrilha em Cuba em 1958, como chefe de propaganda do movimento Segunda Frente Nacional de Escambray.

Quando Fidel tomou o poder em Cuba, em 1959, ele apoiou o regime. Mas passou a discordar dos rumos da revoluo quando percebeu que ele buscava se aliar Unio Sovitica e, em janeiro de 1961, partiu rumo a Miami.

COM JIMMY CARTER

Como contraponto ao forte movimento anticastrista na cidade, criou a revista “Rplica”, para fazer campanha a favor do regime comunista. “Quando Jimmy Carter [presidente dos EUA entre 1977 e 1981] estava em campanha Casa Branca, fiz uma entrevista com ele, que me disse que sua inteno era melhorar as relaes com Cuba.”

“Essa revista chegou a Fidel quando Carter j havia assumido, e ele sugeriu que eu participasse das conversas sobre o assunto.”

Em 1978, Lesnik voltou ao pas. “Fidel me recebeu no ptio do palcio presidencial e perguntei: Como devo te chamar? Comandante?’ Ele me respondeu: No, para voc sou Fidel’.” Desde esse encontro, Lesnik vai frequentemente a Cuba e se tornou grande defensor da normalizao nas relaes entre os dois pases.

“No tive absolutamente nenhuma participao desta vez. Mas no estabeleo nenhuma diferena entre o que foi comeado por Carter e que foi implementado agora.”

UMA NOVA ERA

Para Lesnik, a relao entra agora em uma “nova era”, em que cubanos nos dois pases sero beneficiados. “Qualquer Estado, quando se sente seguro, porque no h ameaa de um inimigo externo ou interno, mais relaxado e permite mais liberdade.”

Em oposio ao ceticismo que toma conta da comunidade cubana em Miami, ele acredita que o fim do embargo econmico pode passar no Congresso americano, mesmo com maioria republicana.

“O fim do embargo de interesse econmico dos EUA, no a favor de Cuba. um mercado a 200 quilmetros de distncia, com 11,5 milhes de pessoas”, afirmou.

Aos que especulam se Ral se ops ao irmo ao negociar com os EUA, Lesnik afirma: “Ral sempre foi fidelista. Dizer que ele fez isso sem que Fidel concordasse no ter ideia de quem eles so.”

3 thoughts on “Amigo de Fidel afirma que o acordo com EUA um sonho

  1. No de hoje que os cubanos sonham em ter “RELACIONES CARNALES” com os americanos. O problema
    que sempre foram esnobados pelo Tio Sam.
    Agora, sob nova direo e cheirando a terceiro mundo, os americanos resolveram reincorporar a ilha a sua
    rbita, dai essa aproximao.
    J j os cubanos vo esquecer o tal bolivarianismo, comunismo e outros “ismos”, que eles mais do que
    ningum, sabe que no funciona.
    Da minha parte, dou a maior fora para os cubanos, sair logo do miser que foram metidos a mais de 50 anos.

  2. Z Ignorante est certssimo.

    O interessante que a revoluo prometia justia e paraso para os cubanos. Deu no que deu.

    E assim aconteceu com Cuba que , ao expulsar o capital se ferrou. Muitos donos desse capital, que fazia a festa na Ilha eram da mfia, que foram para Las Vegas, que sozinha fatura mais que a Ilha presdio e com salrio mnimo de mais de 3 mil dlares contra 20 de Cuba.

    Como disse Millr: “No existe socialismo sem um oramento”

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