Amor é fogo que arde sem se ver

Como dizia Rubem Braga, a poesia é necessária. E hoje, Dia dos Namorados, vamos postar um soneto clássico de Camões. E vamos divulgar também uma poesia de Cleidiner Ventura, de São Paulo, enviado por Paulo Peres, do blog Poemas e Canções.

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AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER

Luiz de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

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INFÂNCIA

Cleidiner Ventura

Fui criança
e brinquei
nas largas ruas
do interior onde nasci.

Vi circos e lá trabalhei,
o meu rosto era pintado
de um malvado pierrô.

Brinquei na enxurrada
quando caía a chuva.

Fui criança e brinquei!
Brinquei com bonecas,
as mais diversas.

Hoje volto lá,
as largas ruas perderam o pó,
tornaram-se centros comercias.

Os circos pra lá não vão,
não há espaço.

A chuva cai,
bem mais lenta.

Das minhas bonecas,
nem vestígios;
eu cresci, tudo mudou!

 

 

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