Analistas questionam a estratégia de Bolsonaro para ter maioria na Câmara

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Pedro Venceslau e Tulio Kruse
Estadão

A ideia de negociar diretamente com frentes parlamentares temáticas, aventada pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), divide especialistas no assunto. Somadas, as bancadas ruralista, evangélica e da bala, com quem o capitão reformado tem afinidade, representam cerca de 200 votos na Câmara. Alguns analistas políticos, no entanto, duvidam que esses grupos formem uma base sólida para votar temas que não sejam de seu interesse.

“Isso é uma furada. Bancada informal se organiza em torno de um interesse muito exclusivo que, em geral, busca se apropriar de recursos do Orçamento”, diz o analista político e diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto Queiroz.

TEMAS ESPECÍFICOS – A professora do departamento de Ciência Política da Unicamp Andrea Freitas concorda. “Pode funcionar para temas específicos, como o tema da redução da maioridade penal. Mas não se tratará só dessas questões no governo todo”, afirma Andrea. “Terá muito mais dificuldade para aprovar uma reforma econômica polêmica.”

A base dos partidos que fazem parte de sua coligação partidária ou demonstraram apoio no segundo turno (PSL, PTB, PSC, PSD, DEM e Podemos) equivale a pouco mais de 140 deputados.

Para Queiroz, será inevitável articular uma coalizão nos moldes tradicionais, especialmente com caciques do chamado Centrão que demonstraram disposição para apoiá-lo na semana passada. “Eles (Centrão) querem declarar o apoio, e ficam utilizando a retórica de que estão independentes, apenas vão liberar as bases, mas, na verdade, estão é temerosos de que, uma vez declarado o apoio, o candidato descarte.”

SEM LIDERANÇAS – Já o cientista político Murillo de Aragão, da Arko Advice, vê um enfraquecimento dos líderes partidários tradicionais, após a renovação de mais da metade da Câmara.

O prestígio do Centrão, diz ele, depende da aprovação de matérias favoráveis ao próximo governo ainda no fim deste ano.

3 thoughts on “Analistas questionam a estratégia de Bolsonaro para ter maioria na Câmara

  1. Coalizão nos moldes tradicionais não é aquela “toma lá da cá” ou seja eu te apoio, mas quero isso e isso em troca? Não é justamente isso que o Bolsonaro quer combater e elimina e por isso recebe tanto apoio da população?
    Os analistas estão tão perdidos quanto os políticos, não sabem o que vai acontecer.
    Se Bolsonaro não estivesse preparado para ser presidente, não encararia esse desafio. Seria bom da crédito ao provável novo presidente, pois está há mais de 30 anos na política e sabe, com certeza, muito bem o que deve fazer, Eu acredito.

  2. A cada eleição aparecem heróis inflados por artificialismos que, não desmistificados, após o processo fica tarde para avaliar que as diferenças de uns para os outros se apresentam na fórmula com a qual se entrelaçam no Congresso Nacional. Observo que as bancadas mais conservadoras, neste segundo turno, estão ao lado de Jair Bolsonaro como nas eleições passadas apoiaram Aécio Neves. Quem duvida pesquise as correlações de forças e consequentes posturas nas eleições 2014 ou nesta, analisando posições colegiadas ou individuais adotadas em cada matéria votada nas comissões ou no plenário, assim como o perfil dos apoiadores de um lado e de outro. Portanto, diante da importância desta etapa final das eleições presidenciais, os perfis das bancadas eleitas podem (ou devem) ser apuradas como parâmetro, a tempo de estabelecer reflexão mais centrada sobre os destinos de nosso país.

    Não é novidade que o deputado federal Jair Bolsonaro atua no meio de bases conservadoras e reacionárias na Câmara dos Deputados, há 28 anos, tendo no entorno dezenas de parlamentares envolvidos em corrupção que já celebravam sua eleição à Presidência da República bem antes de se consagrar vencedor no primeiro turno, expressando tal realidade pelos estados e municípios. De forma que é falso manter o debate sob a ótica moralizante, como instigam desde a velha UDN e o conservadorismo costuma pautar. A propósito, devemos cobrar do Poder Judiciário que seja ágil e eficaz na punição de envolvidos em escândalos e ao Congresso Nacional (Câmara e Senado, em cujas casas legislativas atuarão esses 350 bolsominios parlamentares) que investigue com rigor os casos de corrupção, enquadrando corruptores empresários ou corruptos políticos sejam de qual linhagem ideológica forem.

    A esquerda que tanto vem sendo responsabilizada por desleixos públicos e desmandos administrativos, como alguns costumam generalizar e por razões óbvias de sua natureza os grandes grupos midiáticos induzem a isto, outra vez elegeu não mais do que 150 parlamentares contra esses aproximados e espantosos trezentos representantes da direita, restando 63 na margem de erro que flutuam conforme as matérias. As políticas nacionalistas e sociais que saem do Congresso são meras concessões dessas maiorias, obtidas a custo de muita luta, no mais prospera o entreguismo como quem vende a alma ao custo de bananas. Então, vamos debater como Bolsonaro poderá agir no poder, já estando amarrado com tais apoios? Combater corrupção só na conversa demagógica já celebrando acordão com as bancadas da bala (Taurus), da bíblia e da bola que juntas teriam condições de moralizar o país mas agem contrariamente, não dá. Francamente!

    CONTA REFEITA: Em julho, Onyx afirmou que Bolsonaro teria uma base de 112 parlamentares, de diversos partidos de centro e direita, incluindo DEM, PSDB e MDB. Agora, ele afirma que essa base mais que duplicou para cerca de 350 com a formalização do apoio das bancadas evangélica, rural e da segurança. Ele acredita que essa proporção deva se manter na próxima legislatura, principalmente devido à eleição dos 52 deputados do PSL. “A conta está sendo feita. Estou indo na quinta-feira para o Rio de Janeiro para fazer a projeção dos novos”, disse. https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,bolsonaro-devera-ter-base-de-mais-de-300-parlamentares-caso-eleito-diz-onyx-lorenzoni,70002540832

    EM TEMPO: O deputado Onix Lorenzoni recebeu R$ 100 mil da empresa para pagar despesas de campanha e não declarou, crime eleitoral segundo acentua o ministro Luís Roberto Barroso: “Caixa 2 é crime, desvalor de conduta que precisa ser adequadamente punido na nossa legislação. É objeto de reprovação, não há dúvida alguma. Ele desiguala a disputa eleitoral. É abuso de poder, abre a porta para troca de favores. O caixa 2 em tudo é negativo, é nefasto para o processo democrático”. https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/em-video-deputado-onyx-lorenzoni-admite-ter-recebido-dinheiro-de-caixa-2/

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