Anastasia e Helio Costa: o Ibope e o Datafolha

Pedro do Coutto

Como sustento sempre, os números das pesquisas estimuladas e espontâneas podem variar em matéria de intenção de voto, sobretudo porque o volume maior de respostas encontra-se sempre nas primeiras. Sem dúvida. Porém as posições dos candidatos não podem ser divergentes entre si. Isso aconteceu entre o Datafolha e o Ibope, quando há três semanas, aproximadamente, na pesquisa estimulada a empresa Folha de São Paulo apontou 37 para Serra, 36 para Dilma, enquanto na espontânea registrava 21 para Dilma e 16 para Serra. Assinalei que houve um equívoco. No levantamento seguinte, curto espaço de tempo depois, o Datafolha assinalava a ultrapassagem veloz de Serra por Rousseff.

A pesquisa Ibope estava mais coerente. Dilma liderando nas duas versões. Agora, na edição de 27 de agosto, ao focalizar o quadro da disputa pelo governo de Minas Gerais, o Datafolha voltou à contradição. Na estimulada apontou 43 para Hélio Costa, 29 para Antonio Anastasia, registrando, vale frisar, que este subia 12 pontos em relação à pesquisa anterior. Mas na espontânea encontrou 17 para Anastasia, 14 para o ex-ministro das Comunicações. Deixou assim uma dúvida no ar.

O Ibope dissipou a nuvem. De acordo com reportagem de Adriana Vasconcelos, O Globo de 29, dois dias depois, portanto, o atual governador de Minas ultrapassou Hélio Costa: alcançou em sua arrancada 35% contra 33. Era de prever. A pesquisa espontânea não divergiu da estimulada. Além disso, comprovando o acerto do Ibope, Hélio Costa dirigia apelo a Lula para que fosse a Minas ajudá-lo na reta de chegada. Como não formulou o apelo antes, conclui-se facilmente que sentiu a necessidade de ajuda. A vida é assim, não só a política. Requer-se a presença de alguém quando se está precisando. Mas esta é outra questão, aliás eterna. A meu ver, entretanto, dificilmente Lula atenderá o apelo.

Ele não vai querer confrontar com Aécio Neves no seu estado, em que, para o Senado, atinge 70% das intenções de voto, e não está se empenhando por Serra. Tanto assim que Dilma está bem à frente nas terras mineiras. Uma presença de Lula obrigaria Aécio a reagir e, além de falar em Anastasia, teria que falar no ex-governador de São Paulo. Não pode ser este o projeto de Luis Inácio. Para Lula, Aécio fica à vontade em Minas, enquanto ele vai se concentrar em São Paulo. O Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral do país, não apresenta mares revoltos. Ao contrário. No RJ, Dilma lidera disparado; 61 a 17.

O vôo de Dilma Roussef é de cruzeiro, céu azul e sem turbulência. Todas as pesquisas assinalam sua vitória. Na minha opinião, pode mandar fazer o vestido da posse. Não há dúvida. Mas eu disse que Lula não deverá ir a Minas. Por coincidência ou não, matéria de Daniela Lima, Folha de São Paulo de 30 de agosto, acentua que o presidente da República vai se concentrar em São Paulo nas semanas finais da campanha, numa tentativa de levar as eleições paulistas para o segundo turno. Mercadante subiu bastante com a primeira investida mais forte de Lula em seu favor. Porém Alckmim segue firme, embora tenha descido alguns pontos. Não será fácil a tarefa do presidente. A diferença, hoje, é de 23 degraus.

Outro assunto

Por falar em vitórias e derrotas, quem será o maior derrotado nas eleições presidenciais? Aparentemente Serra. Mas, coberto por sombras, o ex-ministro José Dirceu. Não fosse seu envolvimento com o mensalão, episódio que levou à sua queda da Casa Civil, seria ele, e não Dilma, o candidato do presidente Lula. E como Rousseff vai ser, seria eleito. Muitos dizem que no Brasil os erros não prejudicam seus autores. José Dirceu é exatamente o exemplo contrário  disso.

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