Antes de ser econômica, a crise mundial é financeira, bancária e de corrupção. Três visíveis redundâncias.

Helio Fernandes

A última grande crise do mundo aconteceu em 2008, quase no início da Era Obama. A primeira, em 1929, pouco antes da eleição de Roosevelt párea a Casa Branca em 1932. As duas, marcos da corrupção, do enriquecimento ilícito e do empobrecimento de mais de 98 por cento da população.

O chamado “crack” de Wall Street reuniu os três setores. Começou na Bolsa, que vinha em alta “fabricada” de mais de 8 anos, “contaminou” os bancos, e foi o auge e o apogeu da corrupção. A prova disso é que empresários que se dedicavam a criar e a trabalhar com seriedade, dignidade e credibilidade, cresceram, prosperaram e enriqueceram sem prejudicar ninguém.

Em 1930 (na chamada Grande Depressão), empresários começaram a construir o edifício Empire State Building, durante dezenas de anos, grande atração. Que continua sendo, apesar de terem surgido construções mais altas.

Não havia a menor fiscalização, as Bolsas eram cassinos camuflados, mais rendosos do que os de Las Vegas, mesmo sem roletas ou caçaníqueis. A partir desse trágico e dramático 1929, foram impostas (?) regras que deveriam normalizar as operações, orgãos de fiscalização com “poder de polícia”. Não adiantou nada, a não ser no “comecinho”.

Os bancos eram associados das corretoras, melhor, lideravam as bolsas do mundo, a partir de Wall Street. Diariamente eram jogadas fortunas colossais, o único que perdia era o cidadão sem defesa. Tudo foi afrouxando, a corrupção se institucionalizando e se fortalecendo.

Surgiu então um novo parceiro, que ajudou a massacrar o investidor desprotegido: a Companhia de Seguro, tão gananciosa quanto os bancos e as corretoras. (Esses “seguradores” ficam para depois, é muito ruim para um fim de ano, num dia em que o mundo deve “acabar”).

De 1929 a 2007/2008, aconteceram muitas roubalheiras de bancos, seguradoras e corretoras, sempre com o silêncio distante, cúmplice e protetor dos governos. Nessa época citada, mais de 6 mil bancos dos EUA foram comprometidos e protegidos. Esses pequenos, sem falar nos 4 ou 5 grandes, poderosos, só nos EUA.

Esses 6 mil bancos criaram o que foi chamado de suprime, empréstimos indiscriminados, sem qualquer análise ou garantia. Esses bancos e seus executivos faturavam os lucros e as bonificações, tinham a certeza de que seriam protegidos, que foi o que aconteceu.

Então a corrupção financeira se transformou em crise econômica, os maiores bancos e seguradoras se abalaram. Mas por pouco tempo, os governos sofregamente surgiam em “proteção”, a “calamidade” não pode arruinar as economias mundiais.

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AGORA, 4 ANOS DEPOIS, CORRUPÇÃO
BANCÁRIA QUE PODE CHEGAR A TRILHÕES

A consequente crise econômica ainda não foi solucionada e surge a inconsequente corrupção bancária, por enquanto na casa de centenas de bilhões de dólares, mas que chegarão, certamente, a trilhões, e com a absolvição de todos.

A primeira nota escandalosa foi a multa aplicada ao HSBC, que também enriquece no Brasil. Multado em quase 2 bilhões de dólares, pagou e “pediu desculpas”. Entre as muitas acusações, a mais grave para um banco: lavagem de dinheiro.

Veio a seguir um banco da Suíça (o UBS), multado em 1 bilhão e 500 milhões de dólares, 3 bilhões na nossa moeda. Também pagou, não se sabe se pediu desculpas. E finalmente aparece o terceiro, o poderoso Barclays, acusado de manipular a Libor. Esse mais assustador do que os outros.

Os números são tão altos que valores não foram revelados. Mas sabe-se que centenas de milhares (talvez milhões) foram prejudicados, terão que receber o dinheiro de volta. Aí o trilhão entra em cena, sem qualquer dúvida.

Para terminar por hoje: o sistema é tão frágil e tão corrupto, que a manipulação teve como grande inventor e executor, um jovem de 33 anos. Pela idade, não tem a experiência e a “cancha” necessárias a uma jogada como essa. Surgirão cúmplices, aproveitadores e protetores.

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E O MUNDO NÃO ACABOU

Milhares ou milhões de todos espalharam e acreditaram que o mundo acabaria hoje. Escrevo ao meio dia, faltam 12 horas de “angústia”. Há muitos anos, perguntaram ao próprio Einstein se haveria a terceira guerra mundial. A resposta imediata: “A terceira será nuclear. Então, a quarta será com paus e pedras, é só o que sobrará”. Durmam tranquilos.

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