Antes do fim do inquérito, Celso de Mello já absolveu Moro, só falta absolver Bolsonaro…

Celso de Mello arquiva pedido de apreensão de celular de Bolsonaro ...

Celso de Mello está procurando dar um jeito de “absolver” os dois

Carlos Newton

Conforme demonstramos neste domingo aqui na TI, o ministro Celso de Mello já formou opinião no Inquérito 4831, antes mesmo de ser ouvido o presidente Jair Bolsonaro, que se apresentou ao Supremo como vítima de suposta denunciação caluniosa e outros crimes que teriam sido perpetrados pelo então ministro da Justiça, Sérgio Moro, ao acusar o chefe do governo de tentar interferir na Polícia Federal.

Pelo que consta no site do Supremo, em cópia enviada à TI pelo comentarista Marcos Franco, os nomes de Moro e de seu advogado já nem constam no resumo indicativo do inquérito, que passou a ter como “investigado” apenas o presidente Bolsonaro.

INQ 4831
NÚMERO ÚNICO: 0024271-86.2020.1.00.0000
INQUÉRITO
Origem: DF – DISTRITO FEDERAL
Relator: MIN. CELSO DE MELLO
Redator do acórdão:
AUTOR(A/S)(ES):MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROC.(A/S)(ES):PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
INVEST.(A/S):JAIR MESSIAS BOLSONARO (PRESIDENTE DA REPÚBLICA)
ADV.(A/S): ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO

MORO INOCENTADO– Como dizem os franceses, Moro foi inocentado “avant la lettre”, antes mesmo da conclusão do estranho inquérito. No caso, o presidente mandou abrir a investigação dizendo ter sido vítima de crimes supostamente praticados pelo então ministro. Agora, Bolsonaro virou o único investigado e Moro nem é mais parte no inquérito, o que demonstra a esculhambação reinante no Supremo Tribunal Federal.

Quem lê o resumo no site do STF fica pensando que o procurador-geral da República, Augusto Aras, abriu um inquérito contra o presidente da República, ao invés de fazê-lo contra o então ministro fa Justiça, conforme aconteceu na realidade.

Em tradução simultânea: o investigado por denunciação caluniosa e outros crimes era Moro e o inquérito foi aberto tendo  Bolsonaro como vítima ou denunciante. Se o presidente depois passou a ser também investigado, isso não muda o procedimento policial nem inocenta Moro. Ou seja, Bolsonaro ainda terai de ser ouvido na condição de suposta vitima ou autor da denúncia-crime.

ERRO CLAMOROSO – Como se vê, está havendo um erro clamoroso, pois os nomes de Moro (como investigado) e de seu advogado não poderiam ser excluídos do resumo do procedimento no site do Supremo.

Somente ao final do inquérito, se ficasse provado que Bolsonaro errou e apresentou falsa denunciação caluniosa, é que as coisas poderiam mudar.  Na forma da lei, nenhum inquérito investiga a vítima ou o suspeito, sempre investiga o caso. Somente ao final do inquérito é que se pode concluir que a vítima (Bolsonaro) não sofreu dano e, portanto, cometeu ilegalidade ao fazer a denúncia dos crimes de Moro, o investigado,no caso.

No decorrer do inquérito, a vítima jamais poderia ser classificada de investigado, especialmente se ainda nem foi ouvida. É por essas e outras que o Brasil é o país da piada pronta.

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P.S. 1 Em suma, Celso de Mello já “inocentou” Moro e só falta “inocentar” Bolsonaro, embora um dos dois tivesse de obrigatoriamente ser culpado, numa disputa desse tipo, com troca de acusações caluniosas (prática de crime).

P.S. 2 – Já ia esquecendo: o artigo  sobre o processo contra os três filhos de Roberto Marinho, que anunciamos ontem, será publicado daqui a pouco. C.N.)

8 thoughts on “Antes do fim do inquérito, Celso de Mello já absolveu Moro, só falta absolver Bolsonaro…

  1. O nome da única verdade política deste país é RPL-PNBC-DD-ME, o projeto novo e alternativo de política e de nação, com Democracia Direta e Meritocracia, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso. O resto, é tudo mais dos me$mo$.

  2. Caro CN,
    Uma vez mais apresenta equívoco – como lá na matéria de origem, em que o leitor Marcos fez o comentário.

    Também comentei naquela matéria.

    O pedido do Aras foi para apurar os fatos narrados pelo então Ministro Moro na coletiva.

    Isso porque os fatos poderiam indicar aqueles tipos penais citados – pelo PGR – no pedido de abertura de investigação.

    A apuração, primeiro, analisa os fatos que Moro aponta para o Presidente porque eventuais crimes de Moro contra a honra do Presidente só se configura possível se não confirmados tudo que alegou contra o Presidente.

    E tanto é assim que o Presidente figure como investigado – porque é a conduta dele que está sendo apurada no inquérito aberto no Supremo seguiu. Se fosse contra o Moro, teria que ir para 1ª instância, quando deixou o Ministério.

  3. A meu ver, o grande erro de Moro foi ter acreditado na palavra de Bolsonaro e abandonado um emprego estável, após 20 anos de trabalho. Na prática, voltou à estaca zero de sua vida profissional.

    E Bolsonaro, tudo vem fazendo para enfraquecer e mutilar a lava-jato, com ostensivos atos nesse sentido.

    A parte do texto que expressa “… o que demonstra a esculhambação reinante no Supremo Tribunal Federal” bem caracteriza o comportamento “tabajara” da instituição, que persegue cidadãos por imaginários delitos de opinião e liberta ladrões do dinheiro do povo.

    • O próprio Moro matou a Lava Jato, quando aderiu ao Bolsonaro, uma das raras células do judiciário que ousou bater de frente contra a alta corrupção da nação, com o Bolsonaro calculando que cooptando o Moro para si estava matando o seu possível maior empecilho com uma só cajadada: cooptando a Lava Jato como um todo com a admissão, ou desmoralizando e aniquilando-a com a demissão.

  4. Não há nenhuma esperança de acabarem com a lambança que existe nos 3 poderes. Somos Jecas Tatus – é a verdade nua e crua que se mostra por todo canto, nos palácios e nas ruas.
    O Morador Numero 1, dito ser a autoridade suprema, se comporta de modo tão vil que chega a dar pena. Não sei se é burrice, carranquice, ou ele é apenas um idiota, mas o certo é que faz tudo errado e ainda por linhas tortas.
    Exemplos? Moro, um herói honrado não durou muito tempo para ser logo defenestrado; Mandetta quis agir certo, ser eficiente, mas logo despertou ciúmes do grande incompetente.
    Tem mais: agora é a vez da educação, um trem sempre em pane que nunca sai da estação. Mas para a Cultura, que promove versos e canções, essa foi aquinhoada com nossos escassos recursos: 3 bilhões!

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