Ao contrário da pintura, na poesia não existe espaço para exaltar a natureza morta

Jorge Ventura - '10 pra quem é 10' - Entrevistas conduzidas por Marcelo Mourão

Ventura critica em versos a natureza morta

Paulo Peres
Poemas & Canções

O publicitário, ator, jornalista e poeta carioca Jorge Ventura, no poema “Emoldurados”, inspirou-se em telas da natureza morta.

EMOLDURADOS
Jorge Ventura

a laranja cortada à faca
sobre a mesa (gomos e gumes)
não exala mais o cheiro das manhãs

móveis da sala cozinha e quarto
abrigam tardes e noites imóveis
como cestas de nozes e avelãs

restam flores palavras secas
migalhas rostos tristes
expectativas inanimadas

afora o sol pela porta pintada a óleo
o  silêncio dos olhos e a certeza
de que a natureza agora é morta

4 thoughts on “Ao contrário da pintura, na poesia não existe espaço para exaltar a natureza morta

  1. Não existe a tal de morte
    Com também não há vida
    Somos ilusões de sensores
    Na matéria em nós contida.

    É uma arquitetura especial
    Com uma delicada textura
    Que nos revela o universo
    Nos faz sentir o aroma das flores
    E sofrer dores e fazer versos!

  2. Não há o que chamam morte
    E certo é não existir a vida
    Somos só ilusões de sensores
    Da matéria em nós contida.

    Sentimos o aroma das flores
    Inferimos sobre todo o universo
    Temos tristezas, prazeres e dores
    E podemos rimar e fazer versos.

    Não há amor, maldade
    E ideal nos nossos ismos
    Só existe uma verdade:
    É que nunca existimos!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.