Ao convocar governadores, Dilma reduz seu espaço político

Pedro do Coutto

Exatamente isso. Ao convocar os governadores para um encontro em Brasília, hoje, dia 30, a presidente Dilma Rousseff reduz mais ainda seu espaço político nas decisões nacionais e tenta diretamente incluí-los na esfera de atuação do governo federal. Reportagem de Marina Dias e Valdo Cruz, Folha de São Paulo de 28, expõe nitidamente o quadro que a presidente da República pretende criar. Uma divisão de responsabilidades, sem dúvida. Responsabilidades que a ela pertencem, e não pode dividi-las com chefes de executivos estaduais. A divisão constitucional de poderes é um fato intransponível.

A ideia teria partido dela própria ou de alguns auxiliares diretos? Não se sabe, mas pouco importa. É totalmente negativa. Como se tornou a iniciativa de propor um diálogo reunindo Dilma, Lula e Fernando Henrique, rejeitado por FHC, e agora condenado por ela própria, conforme acrescentam, em matéria complementar, Andreia Sadi e Mariana Haubert, na mesma edição da FSP.

Marina Dias e Valdo Cruz dizem que um dos objetivos superficiais do encontro seria um apelo para que cada governador pudesse influir nas bancadas federais respectivas para evitar a aprovação, no Congresso nacional, de projetos que aumentam despesas públicas, ou então para evitar a derrubada de vetos que, segundo o Planalto, alterariam a economia do país.

INCAPACIDADE

De tão absurda, custa a crer que tal colocação tenha sido levada a efeito. Pois traduz, em seu conteúdo, um sinal de incapacidade de o governo federal poder exercer seus próprios deveres legais. A aceitação seria uma forma de realizar uma pressão indireta sobre os senadores e deputados. Com isso, analisando-se bem a matéria, criar-se-ia uma maneira pouco velada de uma renúncia parcial, através da inegável transferência de atribuições. A política de reunir governadores (interventores de 37 a 45, período ditatorial de Vargas) acabou com sua deposição a 29 de outubro, que antecipou as eleições presidenciais de 2 de dezembro e, sobretudo, com a Constituição de 1946. Como se observa do desenrolar da história do Brasil, política de governadores pertence ao passado. Hoje estamos em 2015. A distância é muito grande.

Além do mais, no momento em que escrevo, não se sabe se a ideia permanece de pé e também se os governadores aceitaram o convite. Pode ser que a adesão ao convite não venha a ser integral. Ou se, durante o encontro, quais os que poderão tecer restrições ao esquema traçado por Dilma Rousseff. Como se vê desenha-se uma situação de risco político no trajeto entre as diversas sedes estaduais e o Palácio do Planalto. Situação absolutamente desnecessária, pois dela quais resultados concretos poderia ou poderão surgir? Nenhum.

TEMPO PERDIDO

Até porque, sabendo das dificuldades existentes, deputados e senadores vão logo avisar aos governadores que não poderão aceitar o papel totalmente secundário de que a proposta, no fundo, se reveste. Eles sabem disso tão bem quantos próprios governadores, ambos tendo a opinião pública como testemunha. Tempo perdido, portanto. E tem mais um aspecto essencial em matéria política: o poder não se divide. Até hoje, todas as falsas tentativas falharam. Essa, do encontro da presidente com governadores, fatalmente, será mais uma na extensa relação de exemplos.

Falei em tempo perdido. Pois é. A presidente deveria melhor aproveitá-lo na tarefa, que cabe exclusivamente a ela, de reerguer o governo e a economia do país. A população está pagando um preço muito alto pelas contradições e erros acumulados.

6 thoughts on “Ao convocar governadores, Dilma reduz seu espaço político

  1. ALAMIR LONGO

    I
    Descobri que Vovó Dilma
    Não é somente uma atleta
    Pois além das pedaladas
    Na sua linda bicicleta
    Nossa meiga presidente
    Também revelou-se poeta.

    II
    No circo do Pronatec
    A lambança foi completa
    Vovó Dilma versejou
    A uma plateia seleta
    E ganhou tantos aplausos
    Que quase saiu da meta.

    III
    Falou como mulher sapiens
    De maneira bem concreta
    Foi logo dando o recado
    Sempre assim, muito direta…
    Como fez com a mandioca
    Sua raiz predileta.

    IV
    Da sua vertente de versos
    Brotam veias de poeta
    Da engenharia das letras
    Vovó Dilma é uma arquiteta
    Tem tanta sabedoria
    Que impressiona até profeta.

    V
    A tal de filosofia
    Muita dúvida acarreta
    Mas vou tentar decifrar
    Da maneira mais correta
    O que disse a presidente
    Quando quis falar em meta.

    VI
    Bem assim versejou ela:
    “Não vamos colocar meta,
    Vamos deixar a meta aberta
    E quando atingir a meta”
    Completou a presidente,
    “Então dobramos a meta.”

    VII
    Pois viram com que clareza
    Vó Dilma falou de meta?
    Quem não entendeu sua rima
    Tão cristalina e direta
    É um ‘coxinha golpista’
    Ou é gente analfabeta!

  2. Morro de rir ao ver como os Governadores da “Dita Oposição” ficam lambendo os saltos altos da dona Dilma Igualzinho a turma do Mensalão e do Petrolão. Esta é a PPC (Perfeita Oposição Comprada).

    Com esta Oposição nós estamos ferrados, muito ferrados.

  3. Morro de rir ao ver os Governadores da “DITA OPOSIÇÂO” lambendo os saltos altos da Dona Dilma.

    Pelo jeito todos querem entrar na “Panela Mensalão ou Petrolão”.

    Depois a Mídia Comprada vem dizer que no Brasil existe Oposição.

    • Fvr cancelar este ultimo comentário.
      Não sei o que está ocorrendo e por que não estou recebendo a informação que o comentário tenha sido enviado e recebito pela Tribuna da Internet.

      Grato e desculpe o transtorno.

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