Ao defender políticos em estatais e dizer que Sarney não indica ninguém, Lobão faz a piada do ano. Esqueceu que ele próprio é da “cota” de Sarney.

Carlos Newton

Um belo retrato do Brasil pode ser delineado no comportamento do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), ao defender a indicação de políticos para cargos em empresas estatais. Segundo ele, discorrendo sobre o óbvio, não há problema que isso ocorra, desde que a pessoa escolhida seja qualificada para o cargo.

O mais curioso foi o fato de Lobão defender o senador José Sarney, dizendo que não há qualquer diretor no sistema elétrico ou em agências reguladoras ligadas ao setor de energia que tenha sido indicado pelo presidente do Senado.

“Dizem que o PMDB está indicando quase todo mundo do setor elétrico. E, dentro do PMDB, o doutor José Sarney, que indica diretores para toda parte. Doutor José Sarney não tem um diretor no sistema elétrico, um diretor nas agências. Em todo o instante, se declara que ele fez uma ocupação. Como é que se pode conviver com uma situação dessas”, proclamou Lobão durante discurso na cerimônia de posse do novo presidente da Eletrobras, José da Costa.

Como se dizia antigamente, Lobão tenta esconder o sol com uma peneira, ou pensa que a opinião pública e a imprensa são formadas por imbecis. É fato público e notório que Doutor José Sarney apadrinha os novos presidentes de Furnas e da Eletrobrás. O pior é que todos sabem que o próprio Lobão também faz parte da “cota” do presidente do Senado.

Se Lobão quiser defender Doutor José Sarney na próxima vez que se defrontar com os jornalistas, melhor seria contar uma nova versão da historia do Chapeuzinho Vermelho. Para os cidadãos, o que importa é que os indicados para o setor elétrico sejam técnicos qualificados. Se Sarney estiver fazendo isso, tudo bem. E o resto é silêncio, como dizia Érico Veríssimo.

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