Ao Exército, Pazuello nega transgressão e diz que estava acompanhado de Bolsonaro

Questionado sobre um possível pedido de demissão, Pazuello negou qualquer ação nesse sentido(foto: Tony Winston/MS)

Na defesa, Pazuello diz ter agido com honra pessoal

Renato Souza
Correio Braziliense

Em documento enviado ao Comando do Exército nesta quinta-feira (27/5), o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, negou ter cometido transgressão disciplinar ao participar de ato político no Rio de Janeiro, no último domingo (23). Ele afirma que agiu de acordo com a “honra pessoal”, e cita o artigo 06 do Regimento Disciplinar do Exército.

Neste trecho, o código deontológico prevê que a aplicação do regimento da corporação deve ser aplicado levando em consideração a “honra pessoal: sentimento de dignidade própria, como o apreço e o respeito de que é objeto ou se torna merecedor o militar, perante seus superiores, pares e subordinados”.

COM O “CHEFE” – Pazuello alega que estava no evento com o presidente Jair Bolsonaro, chefe supremo das Forças Armadas. O regimento proíbe que militares das Forças Armadas participem de ato político. No evento em que Pazuello frequentou, estavam reunidos motociclistas e militantes que apoiam o presidente.

O general chegou a subir no trio elétrico e discursar brevemente para a multidão. A decisão final sobre punição ou não é do comandante da Força, general Paulo Sérgio. A penitência pode ir de uma advertência, repreensão, até prisão.

Paulo Sérgio está na Amazônia e, de acordo com fontes militares, tem até oito dias para decidir sobre o caso de Pazuello. Ele se encontrou com Bolsonaro em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. A tendência é de que a punição seja branda — para evitar atritos com o presidente — que promete suspender qualquer penalidade, o que pode gerar uma crise sem precedentes entre a caserna e o governo federal.

ALÉM DA PUNIÇÃO – O que se discute na caserna não é apenas uma punição a Pazuello em si. O ex-ministro da Saúde, por enquanto acomodado como adido na Secretaria-Geral do Exército, já admitiu a colegas que errou. Trata-se de tentar preservar a ordem e a disciplina nos quartéis e, mais do que isso, evitar mais um desgaste de imagem e a politização da tropa.

Na prática, neste momento, o Palácio do Planalto só pode pressionar, mas não tem como intervir para alterar a tramitação do procedimento disciplinar do qual Pazuello é alvo. A apuração segue rito previsto no Estatuto dos Militares e no Regimento Disciplinar do Exército.

Generais a par das conversas avaliam que o ministro da Defesa, Braga Netto, deve tentar uma solução meio-termo, para evitar uma crise entre o presidente e o comandante. Para eles, será preciso mediar a vontade do general Paulo Sérgio, a opinião do ministro Braga Netto e a de Bolsonaro.

PASSAR PARA RESERVA – “É possível, sim (que passe para a reserva), e acho que é o mais provável, se ele for desautorizado. Não tem muita saída. Se o ânimo dele for entregar o boné, é uma boa solução. Mas não sei o que o general Paulo Sérgio vai fazer. A posição dele, a do ministro da Defesa e a negociação com o presidente são variáveis importantes”, diz o general Sérgio Etchegoyen, que foi ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo de Michel Temer.

A opinião é compartilhada pelo general da reserva Francisco Mamede de Brito Filho. “Como comandante, eu procuraria fugir de uma escalada de crise, mas tomaria uma decisão autônoma. Se depois alguém viesse dizer que fui injusto, cancelando minha posição, eu entregaria meu cargo no dia seguinte, porque perderia a liderança da tropa. Imagine você ser desprestigiado, ser contrafeito numa decisão tão importante quanto essa de preservar a disciplina na instituição. É algo muito sensível e o presidente sabe disso”, afirma Brito Filho.

5 thoughts on “Ao Exército, Pazuello nega transgressão e diz que estava acompanhado de Bolsonaro

  1. Se o exército, deveras, tivesse uma estrutura consolidada por homens honrados, formas em carne e osso do RDE; no governo vigente, o Ministério da Defesa ia gerir apenas Marinha e Aeronáutica. Membros do Exército Brasileiro, de cabo a rabo, jamais prestariam continência a um ex-integrante seu, que lá exerceu o papel escuso de quinta-coluna, que saíu da Corporação como arquiteto de um atentado não consumado.
    Ao contrário, a força terrestre nem só se submeteu a Bolsonaro como o seu comandante-em-chefe, mais ainda: serve-lhe à função de “carranca”, para hostilizar e dissuadir os opositores do presidente.

  2. Não adianta querer disfarçar: o “chefe supremo” das nossas FFAA não passa de um mequetrefe. Um infeliz que já nasceu moleque e que não tem cacife para ser nem porteiro de cabaré na Lapa. É uma pena que o brasileiro vote tão mal !

  3. Isso é um general brasileiro…
    Ê como se dissesse ao povo que general é uma besta quadrada inútil que ganha uma baba do contribuinte pra fazer merda em público,

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