Ao mesmo tempo, o Brasil se vê obrigado a importar etanol e gasolina, às pressas. Isso significa que a Agência Nacional de Petróleo não planeja nada, não serve para nada. É apenas um cabide empregos criado por FHC.

Carlos Newton

Aqui no blog, temos mostrado a inutilidade das agências reguladoras criadas pelo então presidente FHC, de triste memória. Não servem para nada, exceto abrir empregos para os protegidos dos detentores do poder. Veja-se o exemplo da Agência Nacional do Petróleo (ANP), cujo presidente era genro do próprio FHC. O que faz?

Estamos em plena crise do etanol, todos sabem, o preço disparou, a presidente Dilma Rousseff já autorizou adicionar 1% de água ao álcool anidro (leia-se: etanol), quando o teor máximo permitido era de 0,4%, e está sendo providenciada importação de etanol dos EUA, que são os maiores produtores.

No meio desse tiroteio, a ANP divulga nota oficial, dizendo o seguinte: “Com base nos dados e informações apresentados e examinados não foram constatados sinais de descontinuidade no abastecimento de etanol”. Mas os jornais informam que, pelo contrário, no interior de São Paulo (maior produtor do país) e em alguns estados do Nordeste já há relatos de escassez do produto, o que tem frustrado os donos de carros flex.

Na verdade, a entressafra deste ano é uma das mais críticas da história e, ao contrário das expectativas e da escalada dos preços nos postos de abastecimento, o consumo não recuou o suficiente. Hoje, encher o tanque com álcool não é vantajoso em nenhum local do país.
E não há nenhuma novidade nisso, pois no ano passado a Câmara de Comércio Exterior (Camex) zerou o imposto de importação do etanol, e a medida vale até o fim de 2011. A alíquota era de 20% e caiu a pedido dos usineiros, que na época já previam dificuldades em suprir o mercado interno.

Assim, diante da possibilidade real de o Brasil sofrer com a falta de etanol, produtores e distribuidores decidiram importar dos Estados Unidos parte do combustível necessário para garantir o abastecimento ao longo dos próximos 45 dias.

A compra no mercado americano deve girar em torno de 700 milhões de litros — metade da demanda média nacional em um mês. O volume importado, fabricado à base de milho e não de cana-de-açúcar, será utilizado na mistura da gasolina que é vendida aos motoristas (cada litro recebe a adição de 25%).

A próxima safra de cana começa a ser colhida no fim de abril e abastecerá o mercado doméstico só a partir de maio. Até lá, o etanol deverá experimentar novas altas, inviabilizando ainda mais a comercialização. Em média, o litro já custa R$ 2,13 no país.
O governo, que teme pelo pior, age como se a Agência Nacional do Petróleo nem existisse.

Desde o início do ano, o Planalto monitora de perto a produção e o consumo de etanol. A presidente Dilma Rousseff não quer que erros do passado se repitam e encomendou à área técnica dos ministérios da Agricultura e de Minas e Energia estudos detalhados sobre o potencial de produção e de comercialização com foco na entressafra — período de novembro a abril. Os relatórios estão em fase final de elaboração. Nos bastidores, já se admite efeitos da alta do etanol sobre a inflação neste primeiro semestre.

Além de importar etanol, o governo também teve de comprar gasolina no exterior. Dia 15 de abril, chega ao Brasil um megacarregamento de gasolina importada pela Petrobrás. O diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, alega que o combustível será armazenado para garantir o abastecimento no mercado interno – que ficou aquecido, com a alta do preço do etanol.

O aumento do consumo de gasolina ocorre na entressafra da cana-de-açúcar, quando a disponibilidade de etanol é ainda menor e os preços sobem. No ano passado, a Petrobras importou 3 milhões de barris de gasolina de várias origens no início do ano, o que não fazia há cerca de 40 anos. As refinarias da Petrobrás trabalham a plena capacidade, produzindo 380 mil barris diários de gasolina, totalmente absorvidos pela demanda doméstica.

Como o Brasil há vários anos se tornou autossuficiente e passou a ser exportador de petróleo e derivados, o que se verifica é uma total falta de planejamento, porque as entressafras na produção de cana-de-açúcar ocorrem todos os anos, são totalmente previsíveis. Não é admissível faltar nem uma coisa – etanol – nem outra – gasolina. Aliás, para planejar o abastecimento é que existe a tal Agência Nacional do Petróleo. Mas só serve mesmo é como cabide de emprego.

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