Ao propor a descriminalização do uso de drogas, FHC apenas tenta bancar o “moderninho”

Carlos Newton

O documentário “Quebrando o Tabu”, apresentado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defende uma tese que merece repúdio da sociedade. Todos os países que liberaram o consumo de drogas estão voltando atrás, como ocorre na Holanda, na Suíça e em Portugal, onde passaram a ser assistidas cenas deploráveis de dependentes se injetando na veia, em plena rua.

O documentário foi dirigido por Fernando Grostein Andrade, irmão de Luciano Huck, que é um dos patrocinadores. FHC defende a descriminalização de todas as drogas, o que é um absurdo completo. Como liberar ópio, heroína, crack e oxi, por exemplo, que têm efeito devastador?

Fala-se em tráfico de cocaína, mas há muitos anos já não é vendida em país algum ao consumidor final. O que ele usa é uma mistura que inclui drogas sintéticas e outros produtos químicos que nada têm a ver, como ácido bórico, que é um veneno para matar baratas. Há mais de dez anos, o órgão que combate as drogas nos Estados Unidos fez uma comunicação oficial aos usuários, alertando-os de que a cocaína já passara a ser misturada a outros produtos nos próprios centros produtores, como a Colômbia.

Hoje, nem se fala em cocaína. O que se vende é o cristal meth, a metanfetamina, que é muito mais potente e mais barata. Trata-se de um produto sintético, desenvolvido a partir do ácido utilizado nas baterias de veículos. Lembram-se das baterias antigas? Em volta dos buracos onde se colocava a solução, não se criava uma espécie de pó branco? Pois é a metanfetamina, imaginem só onde nossos jovens estão metendo o nariz.

A cocaína era um produto natural, eliminado normalmente pelo organismo, não ficam resíduos no corpo. Mas quanto às drogas sintéticas, ninguém ainda estudou profundamente o que acontece. Só se sabe que há drogas mais fortes que as outras, como a heroína, o crack e o oxi.

A dependência a essas drogas pode chegar a tal ponto que o tratamento inicial é manter o usuário em camisa de força, para sua própria proteção, porque no desespero ele pode se automutilar, como arrancar um olho, por exemplo. Imagine-se um dependente, semanas a fio imobilizado numa camisa de força. Está é a realidade que FHC certamente desconhece, por isso quer descriminalizar o consumo.

FHC deveria até se declarar suspeito para falar no assunto, porque tem problemas de drogas na família e com certeza é por isso que se interessa tanto pelo assunto, já que, quando jovem, fumou machonha, mas não tragou. Como faz tudo para aparecer, decidiu bancar o “moderninho”, tomando a frente dessa campanha, que parte do falso pressuposto de que isso vai reduzir o tráfico e a violência urbana.

Na verdade, mesmo com toda a repressão, o consumo só aumenta. Já faz 50 anos que a Organização das Nações Unidas criou uma convenção para combate às drogas, mas não saiu disso. Na semana passada, a Comissão Global de Políticas sobre Drogas (movimento liderado por ex-presidentes latino-americanos e cujo chefe é o próprio FHC) emitiu um relatório afirmando que a guerra contra o narcotráfico e o uso de drogas fracassou. O documento sugere ainda que os governos adotem experimentos legais que descaracterizem o consumo de drogas como crime e deem apoio às vítimas, como vem sendo feito na Suíça, em Portugal e na Holanda.

Quer dizer, estão propondo a mesma solução preconizada por FHC e pela família Huck. Segundo a ONU, o consumo de opiáceos cresceu 35,5% entre 1998 e 2008; o de cocaína, 27%; e o de maconha, 8,5%. Isso, com toda a repressão. Descriminalizando, o que pode acontecer?

O assunto é intrincado e difícil até de entender. Mas é certo que, se a droga é a origem dos mais graves crimes, o usuário não pode ser tratado apenas como uma vítima, uma vez que alimenta esse círculo vicioso. Justamente por isso a lei já protege o dependente, impedindo o cumprimento de pena. E também é certo que, ao invés de liberar o consumo de drogas, o governo deveria construir centros dignos para tratamento e reabilitação de usuários.

Faltam hospitais especializados e o tratamento pelo SUS é medieval. O pior é que, em clínicas públicas ou especializadas, o terapêutica é igual. Entopem o dependente com outras drogas poderosíssimas, e ela acaba trocando as drogas ilegais pelas legais, vendidas nas farmácias com aquela sinistra traja preta. Que Deus nos ajude.

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