Ao proteger as empresas. Paulo Guedes quase leva Bolsonaro a um novo precipício

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Na tarde de ontem, na GloboNews, a jornalista Natuza Nery revelou que o presidente Jair Bolsonaro recuou e alterou a medida provisória que havia assinado pela manhã permitindo a redução de salários por quatro meses, a fim de evitar um novo ciclo de desemprego no país.

Ainda pela manhã, outra jornalista, Miriam Leitão, no mesmo canal, criticou a medida, afirmando que ela favorecia acentuadamente as empresas e prejudicavam os trabalhadores.

REAÇÃO GENERALIZADA – Quando a MP foi divulgada, verificou-se uma reação generalizada contra tal absurdo, cuja intensidade levou o presidente da República a recuar. O ato do chefe do Executivo durou, assim, em torno de cinco a seis horas de um texto para outro.

A redução de vencimentos não havia sido acompanhada do não pagamento de impostos, prestações de casa própria, tampouco alugueis. Dessa forma, os assalariados de modo geral na verdade não teriam como pagar os compromissos inadiáveis a cada mês.

O caso que ia sendo criado teria um efeito extremamente negativo no país, pois enquanto os salários estivessem bloqueados, a pergunta lógica que se faz é óbvia: como poderiam comprar os alimentos necessários a sobrevivência das crianças que evidentemente dependem de seus pais?

HAVERIA SAQUES – Na minha opinião, tal ato, de tão absurdo que era, provocaria indiretamente à realização de tentativas de saques nos supermercados. A fome seria uma consequência absolutamente lógica do corte projetado para durar quatro meses.

Essa consequência lógica, no entanto, não foi sequer configurada pelo ministro Paulo Guedes e por sua equipe de economistas que possuem importantes diplomas até em universidades norte-americanas. Assim, conhecem profundamente bem as teorias econômicas, mas ignoram a importância da população escalonada em níveis de rendimento baixíssimos. O projeto econômico desencadearia uma torrente de fatos críticos.

ABANDONO TOTAL – A população na verdade não teria dinheiro para se alimentar e, ainda por cima não poderia adquirir remédios indispensáveis sobretudo no momento em que o Brasil enfrenta a gravíssima pandemia do coronavírus.

Isso de um lado. De outro a total falta de sensibilidade característica daqueles que só visam governar para as empresas, o que, no caso, seria desgovernar para mais de 200 milhões de brasileiros. Na noite de domingo houve panelaços em áreas de classe média e alta. Sinal de alarme para o Palácio do Planalto.

17 thoughts on “Ao proteger as empresas. Paulo Guedes quase leva Bolsonaro a um novo precipício

  1. Já deu! O momento pede que todos se desarmem em busca de uma unidade nacional! Urge que os inimigos da pátria ativem uma trégua para que o inimigo seja único: o vírus chinês! Que tal se os governadores, os parlamentares, o STF e a mídia parassem com a guerra para derrubar o presidente e focassem no que realmente importa ao Brasil e aos brasileiros? (Movimento AVANÇA BRASIL)

    • Belém, ou se derruba o Bolsonaro agora ou vai que dá certo e aí ele fica mais 4 anos os políticos pilantras vão presos vem mais 8 anos de Moro, quem sabe até o dudu bananinha pega uma berada. Os celerados canhotos não vai largar o osso. .

  2. -Quando os trabalhadores ficarem quatro meses em casa, recebendo salários, as empresas quebrarão por estarem, durante quatro meses, sem terem para quem vender e pagando salários?
    -Caso seja um “Não” a resposta, a decisão de recuar foi acertada, pois se o trabalhador permanecer saindo de casa para trabalhar, fatalmente pegará a virose.

    • Quando o trabalhador ficar em casa 4 meses com salários e sem produção, vem hiperinflacao os salários não vão aumentar por não ter como pagar e tudo vai pro brejo do mesmo jeito só a pena acha que não

      • A inflação já está comendo solta, pelo menos aqui no RJ, onde os supermercados aumentaram, em muito, os preços dos produtos.

        É não são produtos supérfluos não, são produtos essenciais.

        • -Será um salve-se quem puder.

          -Não disse aqui que o pacote de cem máscaras descartáveis, antes do virus, custava 10,00 reais e que depois do vírus eu voltei ao local e estava por 300,00 o mesmo pacote?

    • Então surge outra pergunta:
      -As empresas conseguirão manter o número atual de empregados, sem venderem um parafuso, por quatro meses, por as pessoas estarem reclusas?
      -Se a resposta também for “Não”, então a situação dos empregados será pior, pois ficarão em casa, desempregados e sem qualquer ajuda.

  3. O artigo do jornalista Pedro do Coutto – como sempre – irretocável, abordando a questão na sua magnitude, na sua complexidade. O governo ampliará muito a catástrofe se a questão salarial não for observada levando em consideração que o reequilíbrio nos contratos deve ser feito caso a caso, de maneira individualizada ou setorial. Os baixíssimos salários – quase a totalidade – não admitem mais qualquer recuo.

  4. O que temos que ficar “bem atentos” é o fato de se tomam estas medidas; o que farão com os Bilhões de dólares de nossas reservas?!!!
    Eles servirão para mitigar o sofrimento da população ou enriquecer cada vez mais os mesmos?!!!
    VAMOS FICAR ATENTOS.

  5. O atual ministro da economia tem dado mostras repetidas de sua incompetência.
    O presidente da República imobilizado em sinuca não vê que precisa achar alguém com experiência e tutano para substituí-lo antes do ponto sem retorno.

  6. Uma forma de ajudar tanto empresas como pessoas físicas seria o pagamento dos precatórios que estão aos montes nas três esferas de governo. O Estado não estaria, pelo menos nesta ação, favorecendo nem “a e nem b”, apenas quitando dívidas com seus credores já definidos pela justiça.

  7. No confisco do Plano Collor em março de 1990, o Empregador ia até o Banco, e o Gerente desbloqueava o valor da Folha de Pagamento.
    Neste momento, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil poderiam fazer algo parecido. Os Empregadores pagariam este “empréstimo emergencial” mais pra frente.

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