Ao que parece, o Banco Central quer mesmo derrubar a inflação

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Tudo indica que a diretoria do Banco Central tomou juízo e realmente está disposta a retomar o controle da inflação, que está acima de 8% no acumulado de 12 meses. Ao sinalizar que levará a Selic ao nível necessário para que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caia a 4,5% até o fim de 2016, mostra que se livrou da politicagem que prevaleceu no primeiro mandato de Dilma.

Ou o BC faz isso, mesmo com todos os custos fiscais e para a atividade, ou não conseguirá retomar o controle das expectativas, que se mantêm resistentes, mostrando inflação mais próxima de 6% no próximo ano. Desde que Tombini assumiu o comando da autoridade monetária, em 2011, em nenhum momento o custo de vida ficou próximo dos 4,5%. O Banco Central, por sinal, errou todas as projeções que fez para a carestia. Em seus documentos, estimativa um índice, mas o resultado era sempre pior.

DESCONFIANÇA

Por isso os investidores são tão desconfiados em relação às promessas do BC e a autoridade monetária está tendo que se exceder na elevação da Selic. Há especialistas prevendo taxa de 14% ou mesmo 14,50% ao ano. Trata-se de uma aberração para uma economia que tende a encolher ao menos 1% neste ano. Nesse contexto, só nos resta torcer para que o Banco Central se mantenha no rumo certo. O estrago na economia já foi muito além do que podemos suportar.

NOMURA PESSIMISTA

A Nomura Securities, na qual trabalhou o atual diretor de Assuntos Internacionais do BC, Tony Volpon, vai revisar para cima a projeção de inflação de 2016. Acha que está otimista demais ao estimar alta de 4,8%. A nova estimativa deve ir para próximo de 5,5%.

INFLAÇÃO DE 8,22%

Para comprovar o quanto o BC foi leniente com a inflação e, agora, corre atrás dos prejuízos, o IBGE deve mostrar que o IPCA passou de 8,13% para 8,22% no acumulado de 12 meses até abril. É certo que, até o terceiro trimestre do ano, a carestia sempre apontará para cima.

5 thoughts on “Ao que parece, o Banco Central quer mesmo derrubar a inflação

  1. Uma coisa que me preocupa profundamente sobre o futuro do Brasil é como vai se comportar a economia daqui prá frente. Não é preciso citar aqui tudo que aconteceu até agora. O que temos é crescimento do desemprego, inflação em alta, falta de perspectivas de investimentos que gerem empregos e a derrocada de toda uma classe social que ascendeu nos últimos 12 anos (a chamada nova Classe C, conforme reportagem publicada neste site em março). O pior é que não existe perspectiva de quando tudo isso começar a mudar. A carga tributária é crescente todos os anos, mas vivemos em déficit público permanente porque o governo gasta mais do que arrecada e isso não muda. O jornal Valor Econômico de ontem fez previsões tenebrosas sobre os índices de desemprego que poderemos ter ainda esse ano, dobrando o número de desempregados atuais. Afinal, prá onde vamos? O que farão centenas de milhares de trabalhadores que perderão o emprego? Qual futuro teremos quando mais de 40% do Orçamento Federal é destinado à rolagem de dívidas e pagamento de juros sobre as dívidas interna e externa. Os bancos estão batendo recordes de lucratividade a cada balanço divulgado´. Isso tudo junto é muito preocupante. Não temos mais uma perspectiva de crescimento consistente nos próximos anos que gere os milhões de empregos que o Brasil precisa gerar todos os anos para aqueles que ingressam no mercado de trabalho. Os juros daqui são os maiores do mundo e o real já completa 21 anos em julho sem que vejamos nada disso mudar – e quem tem milhões de reais no mercado financeiro não investe no mercado produtivo, preferindo deixar o dinheiro no bacno. Não sei se você que está lendo este comentário compreende a gravidade da situação. Aqui em Feira de Santana, na Bahia, cidade de 600 mil habitantes e a maior do interior do Estado, a oferta de empregos já se reduziu à metade em relação ao ano passado, conforme reportagem exibida hoje no telejornal local da afiliada da Tv Globo, a Tv Subaé. A maior preocupação que vejo por parte dos empresários do setor produtivo é a inação do governo em fazer as coisas acontecerem. O Brasil desta década parece ter perdido a perspectiva de crescimento do PIB – o que pode continuar na próxima década. Teremos um PIB negativo esse ano. E nos próximos anos poderemos ter um um PIB medíocre, com crescimento de 1 ou 2 por cento, o que repetindo o que já disse, não garante a criação dos empregos necessários que a nossa economia precisa criar para os milhões de jovens que ingressarão no mercado de trabalho. A minha preocupação é consistente, porque me baseio em fatos. Por favor, deixe sua opinião sobre meu comentário e acrescente o que você acha sobre isso. Obrigado!!!

  2. Acrescentado um comentário à postagem anterior: o ajuste fiscal do Joaquim Levy não contempla as necessidades de criação de empregos do setor produtivo. Segundo todas as análise que já li sobre o assunto, o único setor realmente contemplado com esse ajuste é o setor financeiro, pois apenas corta gastos sociais que penalizarão os trabalhadores e aposentados, para o pagamento de compromissos das dívidas do Governo Federal. Continuo aguardando a sua opinião. Obrigado!

  3. Prezado Sr. LUIS HIPOLITO BORGES, Saudações.
    A nossa Economia é controlada +- por 60% pelo Capital Internacional ( Multi-Nacionais, Capital Financeiro nos Mercados de Capitais, Hot Moneys, etc). Gigantescos Fluxos de Capitais que entram e saem do País, conforme sua conveniência, e que tem potencial para “desequilibrar toda nossa Economia” com certa facilidade.
    O Governo DILMA I, sem hostilizar abertamente o Capital Internacional, fez uma Política Econômica ( Nova Matriz Econômica) que manteve o DESEMPREGO BAIXO e a INFLAÇÃO dentro do teto da Meta de 6,5%aa, e assim ganhou a Eleição Presidencial. ( Baixou o Juro Básico SELIC para o mínimo de 7,25%aa numa Inflação de +- 6,5%aa (Spread de 0,75%aa), forçando o INVESTIMENTO, pois quem não Investia com essa SELIC perdia Dinheiro, congelou preço dos Combustíveis e Tarifas Públicas, reduziu preço da Energia Elétrica +- 40% (residencial e principalmente industrial), desonerou Folhas de Pagamentos e pontualmente eliminou Impostos como IPI em Carros e linha Branca, etc, e especialmente aumentou até que pode a expansão do CRÉDITO para ativar a Demanda, aumentou o Deficit Público que passou de +- 2,5% do PIB para até +- 7% do PIB e consequente Endividamento Público que passou de +- 55% do PIB para quase 70% do PIB. Isso e muito mais a Presidenta DILMA fez em DILMA I e não conseguiu fazer deslanchar o INVESTIMENTO que faz crescer a Economia.
    Conseguiu isso sim, que o Capital Internacional começasse a retirar Capital do Brasil, e ameaçar de retirar MACIÇAMENTE se não mudasse a Política Econômica. A Presidenta DILMA capitulou, reconheceu a necessidade de Mudança, e mudou em 180º sua Política Econômica, agora fazendo tudo o que o Capital Internacional exige para ficar aqui e até vir em maior quantidade, para que nossa Economia volte a crescer.
    O senhor descreveu bem, teremos um ano de Recessão ( 2015 ), um ano de baixo crescimento (2016) e se tudo der certo e o Capital Internacional vier com tudo, razoável crescimento a partir de 2917. Como o senhor descreve, antes de melhorar ainda vai piorar ( DESEMPREGO, INFLAÇÃO, etc) , mas não será uma catástrofe. Já passamos por Crises piores.
    A Economia trabalha em ciclos (” 7 anos de vacas gordas, 7 anos de vacas magras”), agora estamos em período de vacas magras ( AJUSTES FISCAIS, etc,) mas passará, e lá na frente o sol voltará a brilhar, crescimento bom com Inflação razoável, e DESEMPREGO em queda. O período de fortes turbulência deve durar +- 2 anos. Abrs.

    • Obrigado pelo comentário Sr. Fávio. Realmente a situação atual me deixa muito preocupado. Espero que a sociedade brasileira encontre caminhos que levem a uma situação melhor que a atual, afinal já passamos por situações muito difíceis e conseguimos superar, além do fato de termos uma imensa capacidade de adaptação a situações adversar e uma grande capacidade de empreendedorismo. Saudações!!!

  4. É preciso lembrar que a nossa taxa básica de juros – a selic – está sendo utilizada pelo Banco Central, que responde pela política monetária do governo, tanto para frear o consumo via supressão do crédito como para elevar o rendimento das aplicações em títulos e papéis públicos de modo a atrair o capital externo. Isto, para equilibrar o fluxo de dólares em relação ao país, mantendo-o positivo, de modo a proteger nossas reservas cambiais.

    Se nossa Balança Comercial junto com nossas transações correntes fossem positivas, não haveria necessidade desse sacrifício de sustentarmos o rendimento desse “capital motel”.

    Mas, infelizmente não é assim.

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