Ao recorrer a fake news, adeptos de Bolsonaro confessam a estupidez do presidente

Charge do Miguel Paiva (Site 247)

Pedro do Coutto

Reportagem de Daniel Giullino, Fernanda Alves, Marlen Couto e Paula Ferreira destaca a farsa adotada pelos adeptos mais próximos de Bolsonaro na tentativa de apagar a estupidez cometida contra um repórter de O Globo no domingo, diante de muitas testemunhas. A reportagem está publicada na edição de terça-feira, e revela o desastre que o presidente da República cometeu na agressão a um jornalista.

Transtornou-se, partiu para a agressão, pressionado pela explicação impossível envolvendo depósitos feitos na conta bancária da primeira-dama Michele Bolsonaro.

A violência da resposta, penso, foi proporcional à culpa confessada. Isso porque não existe explicação lógica para o movimento bancário que teve como protagonistas Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e Márcia Aguiar. A Kopenhagen nunca foi tão noticiada como no caso Flávio Bolsonaro. Se a falsificação resolvesse questões criminais, nenhum culpado seria preso.

SALÁRIOS DE SERVIDORES -A Fundação Getúlio Vargas divulgou importante comparação entre os salários dos servidores e dos trabalhadores da iniciativa privada. Reportagem de Fernando Canzian, Folha de São Paulo, também de terça-feira, destaca o trabalho da FGV, entretanto sem estabelecer a diferença entre um universo e outro da administração. É claro que os servidores das estatais, como Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil e do Banco Central, para ficarmos apenas nesses exemplos, ganham bem mais do que os funcionários públicos federais, estaduais e municipais.

A confusão ganha dimensões maiores se incluídos como se funcionários públicos fossem os concessionários dos cartórios públicos. Por aí se vê a distorção abrangida na matéria que não faz a separação devida entre os citados. Mas não foi somente esse o grande equívoco, embora já suficiente para revelar a falta de norte no trabalho da FGV.

TABELIÃES – A Fundação Getúlio Vargas acentuou que os donos de cartórios têm renda mensal média de 100 mil reais. Mas francamente o que tem isso a ver com as carreiras do funcionalismo público? A concessão de Cartórios pode ser considerada medieval e uma característica da monarquia brasileira que ainda resiste ao tempo. Mas não é esta a questão.

A FGV diz que o governo federal e os governos estaduais e municipais despendem por ano 920 bilhões de reais e que tal volume deveria ser reduzido. À primeira vista o número pode impressionar. Inclusive na fixação percentual que tal despesa representa em função do teto orçamentário.

ORÇAMENTOS TOTAIS –  Entretanto, o teto federal é de 3,6 trilhões de reais e para que o cálculo fosse exato teriam de ser computados os valores dos orçamentos dos estados e municípios. São 27 estados e 5.600 municípios.  A FGV esquece também que os servidores das estatais têm direito ao FGTS. Os funcionários públicos não.

A comparação portanto tem de incluir as diferenças entre um tratamento e outro. Os servidores das estatais são celetistas. Os do Banco Central também. Os altos salários encontram-se nas estatais, e quanto ao funcionalismo os melhores vencimentos encontram-se no Poder Judiciário. Para iluminar as controvérsIas os pontos divergentes têm de ser considerados. A FGV não considerou.

6 thoughts on “Ao recorrer a fake news, adeptos de Bolsonaro confessam a estupidez do presidente

  1. Como não obtive resposta, repito a pergunta que fiz na coluna anterior: o autor ouviu o áudio das perguntas do jornalista da família Marinho? se ouviu, por quê não as transcreveu para seus leitores? se não ouviu, por quê faz juízo de valor?

  2. Prezadíssimo pedro do Couto. Apenas duas observações sobre o seu excelente texto. Você foi na ferida. Essa mistureba que a FGV fez denota ou falta de conhecimento do assunto ou, pior, extrema má-fé ao tratá-lo.
    Se me permite a ousadia em tentar corrigir, tabeliões é forma não reconhecida pela língua portuguesa, que só aceita tabeliães.
    Outra questão: eles não são concessionários do serviço público, mas delegatários.
    Atualmente, desde a edição da Lei nº 8.934/1994, a forma de acesso a esses cargos é mediante concurso público, garantido o direito dos então ocupantes. Mas, lá se vão 26 anos – devem restar poucos daqueles titulares.

    O maior problema que vejo é a manipulação dos valores estabelecidos por leis estaduais para os emolumentos – nome que se dá aos diversos custos cartorários. Aqui no nosso roubado Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, a elaboração de uma escritura de compra e venda imobiliária varia conforme o preço do imóvel objeto da transação.
    Como?
    Ora, se os emolumentos são um tributo, da espécie taxa, devem ter seu valor proporcional ao custo do serviço, mas nunca relacionado com a eventual capacidade tributária do contribuinte, como devem ser os impostos.
    Com essa ilegalidade, não é raro uma escritura custar 10.000 reais, o que, convenhamos, é um absurdo.
    E assim os tabeliães enriquecem.

  3. Sr. Pedro do Couto!
    Parece que o Sr. entende muito sobre as remunerações do funcionalismo público! Apresente os seus cálculos para iluminar as divergências!
    MOSTRE UM DETALHES TODOS os benefícios que desfrutam, em todas as esferas.(federal, estadual, municipal, executivo, legislativo e judiciário)

  4. Sr. Pedro do Couto!
    Complementando; se o senhor possui estudos e/ou cálculos mais consistentes que os da FGV divulgue, apresente; ilumine; faça as considerações, inclua os anuênios, quinquênios, aposentadoria integral. Estou muito curioso com as suas revelações, pois imagino que está muito bem entrosado neste ambiente de privilégios indecentes.

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