Ao rejeitar o embaixador Patriota, Senado fez um papel muito sujo

o embaixador Guilherme Patriota, irmão do ex-chanceler Antonio Patriota

Guilherme Patriota foi recusado por motivos fúteis

Carlos Newton

Não havia justificativa para que um embaixador de carreira, indicado pelo Planalto, fosse recusado no Senado. A explicação que se deu nos bastidores é ridícula. Presume-se que a intenção dos senadores teria sido de simplesmente mandar um recado de insatisfação à presidente Dilma Rousseff. Se realmente o objetivo era este, havia muitas outras maneiras de fazê-lo, sem desmoralizar o Itamaraty e sem atingir a honorabilidade do diplomata Guilherme Patriota.

Seu nome teria sido rejeitado não somente por ser irmão de Antonio Patriota, ex-chanceler de Dilma, mas sobretudo porque foi braço direito de Marco Aurélio Garcia na Assessoria para Assuntos Internacionais da Presidência entre 2010 e 2013. São motivos torpes, não há atos desabonadores.

Mas na sabatina da Comissão de Relações Exteriores, na última quinta-feira, Patriota ouviu críticas a Garcia e se sentiu obrigado a defendê-lo. “Tenho por ele [Garcia] o maior respeito e carinho. É um homem brilhante”, disse o diplomata, antes de ser aprovado por 7 votos a 6.

FACHIN, FACÍLIMO

No plenário, terça-feira, enquanto Patriota era rejeitado, o nome de Luiz Edson Fachin foi aceito com ampla maioria, apesar de existirem provas concretas de sua ligação com o PT e o governo, sem falar no assumido desrespeito à Constituição do Paraná, por trabalhar como advogado quando exercia a função de procurador do Estado. Havia vários motivos para rejeitar Fachin, era só escolher um deles.

Quanto a Guilherme Patriota, acabou sendo recusado por ser sincero e ter defendido um amigo, circunstância que demonstra se tratar de um homem de caráter.

UM CASO ANTERIOR

A imprensa, apressadamente, proclamou que esta foi a primeira vez que um embaixador foi rejeitado pelo Senado. Não é verdade. Em 1961, o presidente Jânio Quadros submeteu o nome do empresário pernambucano José Ermírio de Moraes para embaixador, mas o Senado recusou. Ermírio ficou furioso e resolveu ser senador. Candidatou-se pelo PTB, foi eleito e fez carreira também na política.

Quando estava no leito de morte, chamou os filhos José e Antônio e fez com que prometessem jamais entrar na política. Anos depois, Antonio Ermirio descumpriu a promessa, candidatou-se a governador de São Paulo, foi derrotado e desistiu de ser político.

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

O episódio de terça-feira, no plenário do Senado, exibe o baixo nível da política brasileira, em que o interesse nacional pode ser facilmente suplantado pela predominância do fisiologismo, do servilismo, do corporativismo e até do bairrismo. Ao rejeitar Patriota e aprovar Fachin, os senadores demonstraram que operam com dois pesos e duas medidas, como se dizia antigamente.

O mais curioso é que Renan Calheiros foi contra a indicação de Fachin e agora será julgado por ele, que será ministro-relator do processo a ser aberto no Supremo contra o presidente do Congresso Nacional. Se é que vai haver processo…

8 thoughts on “Ao rejeitar o embaixador Patriota, Senado fez um papel muito sujo

  1. Caro Sr. Newton, permita, lamento, mais assino em baixo,já não me surpreendo, a cada dia os politiqueiros, mostram que ser “AMORAL É POUCO”, a língua portuguesa, tem que inventar um novo nome para essa canalhada que estão nos 3 podres poderes.
    São candidatos natos para a fornalha da consciência quando a porta larga do túmulo se abrir, “PAGARÁS ATÉ O ÚLTIMO CEITIL”, JESUS, O CRISTO, ALERTA DE 2 MIL ANOS. ESSA CANALHADA DEVERIA LER A PRECE DE RUI BARBOSA: “DEUS”, QUE ESCREVEU PARA ELE, COMO POLÍTICO, MAS SERVE PARA OS FALSOS E HIPÓCRITAS, QUE MISTURAM “RELIGIÃO E POLITICAGEM”, CUJO RESULTADO É ESSA PODRIDÃO QUE A CADA DIA AUMENTA MAIS.
    SÓ NOS RESTA: DEUS PAI, NOS SOCORRA POR ACRÉSCIMO DE TUA MISERICÓRDIA.

  2. Discordo, CN. Só o fato de elogiar o sr. Top Top já desmerece o candidato, morador de um dos mais elegantes endereços de NY. Errou o Senado ao não negar também o nome do Fachin. Já temos pt demais neste país. É isso que queremos para os próximos anos, mais gente no supremo defendendo a quadrilha ?

  3. Também discordo Newton. Se era mais um pra fazer a política de ajoelhar-se para Venezuela e Equador, ainda bem que foi rejeitado. Além de ter ficado 4 anos sem embaixador na OEA, estar devendo milhões para essa organização, iria colocar mais um bolivariano? E a questão dele ser adjunto do irmão em Nova Iorque? Não é nepotismo? E o aluguel US$ 23mil mensais? Quem deveria se envergonhar é o Planalto que utilizou o homem como boi de piranha.

  4. Coerência, Carlos, é das últimas coisas que você vai ver no Congresso, mas, se eu entendi, você, “ao falar de dois pesos, duas medidas”, acha que Patriota deveria ser aprovado e Fachin, não. Onde está a sua coerência?

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