Ao sequestrar o Sete de Setembro, Bolsonaro conseguiu desagradar as Forças Armadas

As ameaças de Bolsonaro em discursos no 7 de Setembro - BBC News Brasil

Bolsonaro usou, oportunisticamente, a grande data nacional

Ricardo Bruno
O Globo

Após se apropriar do verde e amarelo e da bandeira nacional, Jair Bolsonaro conseguiu ofuscar as comemorações da Independência brasileira. Reduziu o Sete de Setembro a um espetáculo grotesco, beligerante, um revide público às instituições com viés profundamente antidemocrático.

 E o fez movido exclusivamente por interesses pessoais, num movimento em que sobrepôs as questões que o afligem — entre elas a possibilidade de prisão — aos valores de bravura e coragem historicamente evocados nesse dia pelas Forças Armadas.

DISSE SANTOS CRUZ – A irresponsável subordinação dos grandes temas nacionais à pauta estreita do bolsonarismo certamente não agradou aos comandantes das tropas. A fala do general Carlos Alberto Santos Cruz de que o 7 de Setembro foi sequestrado por interesses políticos não foi fortuita, fruto de um arroubo verbal disparado ao acaso. Ao contrário, representa com clareza a posição de setores importantes da caserna.

Em 199 anos de independência, pela primeira vez um presidente da República — logo um ex-oficial do Exército Brasileiro — se coloca acima da nação. Trata as questões penais que o atormentam com mais importância do que o conjunto de valores que dignificam a história das Forças Armadas e, de resto, do povo brasileiro.

Historicamente, o Sete de Setembro é o momento em que as Forças Armadas exaltam a essência do patriotismo dos brasileiros, dada a importância do fato para a construção da identidade nacional.

ACHINCALHES AO STF – Os conceitos que fundamentam a Independência constituem a base de nossa formação cívica. Na terça-feira, contudo, os compromissos inarredáveis de devoção pública à pátria e a seus símbolos foram substituídos por achincalhes do presidente da República à Suprema Corte. 

Assim, valores cívicos basilares da nação, os quais as Forças Armadas tradicionalmente exaltam e dos quais se orgulham em datas simbólicas, foram obnubilados pela fanfarronice presidencial.

Ressalvadas as diferenças ideológicas e de caráter de seus protagonistas, a mobilização de Jair Bolsonaro para o Sete Setembro poderia ensejar a apresentação de medidas estruturais para a transformação do país, a exemplo do que fizera João Goulart com as reformas de base no comício da Central do Brasil.

SEM PROJETOS – Ao juntar em praça pública a sua base de sustentação política, Bolsonaro poderia estar criando, hipoteticamente, as condições objetivas para apresentação de um conjunto de metas e diretrizes governamentais num ato altissonante em que supostamente obteria o aval popular para seus planos. Ainda que se discordasse de tudo que ele propusesse, seria inegavelmente um momento afirmativo do governo.

 Nada disso aconteceu. É esperar demais de Bolsonaro. Minúsculo em tudo o que faz, ele se ocupou apenas de uma contraofensiva retórica às investigações do STF que podem eventualmente levá-lo à cadeia.

Capturou o sentimento pátrio do Sete de Setembro para promover uma patuscada cívica. Sequestrou valores nobres num movimento que, por baixo, malbaratou a história de bravura e coragem das tropas na construção da identidade nacional.

13 thoughts on “Ao sequestrar o Sete de Setembro, Bolsonaro conseguiu desagradar as Forças Armadas

      • Bolsonaro conseguiu ser mais grotesco que Luiz Inácio.
        Os dois são páreo duro em ignorância, morbidez e covardia.
        A justiça brasileira precisa punir os atos antidemocráticos desse covarde que transformou um evento cívico em um ato que não é digno nem mesmo do meretricio.
        Em qualquer país que tivesse uma justiça independente teria prendido por desrespeito ao povo brasileiro, ou seja se o STF fosse eleito por magistrados de notável saber jurídico, e não indicado pelo inquilino do Planalto.
        Vergonhoso mesmo é ainda estar solto.
        Depois o Moro que é parcial.

  1. “conseguiu desagradar as Forças Armadas” e degradá-las as well! Lembre-se que com ele estavam ex membros da forças armadas, agora na RESERVA, e que não têm permissão por lei de usar suas patentes dormentes quando em função pública.
    Esse presidente é pior que um estilete fincado na carne sob a unha!

  2. Só falta desenhar; o que o Ricardo Bruno quis dizer é que se o ‘tosco’ não tivesse ido e denunciado o convite para o ‘conchavo’ no início de seu governo e pior aceito o que foi proposto e com isso mandar para as calendas sua bandeiras de campanha; o povo em peso estaria com ele para o que desse e viesse; expulsando a canalhada dos podres poderes.
    Mas a realidade é que ele faz parte da podridão e pior ainda é querer o poder ditatorial para o seu ‘clã dos infernos’.

  3. No que trata das razões criminosas do narcomiliciano (ora na presidência) para sequestrar o simbolismo do 7 de Setembro, o articulista saiu-se muitíssimo bem!
    .

    • Que força de mobilização?
      Não tem nem 20% dos votos.
      Está sonhando?
      Acorda.
      Bolsonaro teve o limão na mão, mas não sabe O que é limonada.
      Perdeu todas as chances que a sociedade e os momentos históricos lhe concederam porque não tem humildade e nem inteligência.
      É mais idiota que Luiz Inácio.

  4. Hoje é um grande dia.
    As oposições tem como humilhar Bolsonaro e a manifestação de sete de setembro.
    Os milhões que não votaram nele tem a revanche ao alcance das mãos. Já antevejo a participação apocalíptica com o tsunami humano vertidos de vermelho em todas as praças e cidades do Brasil.

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