Aos que se angustiam no Natal

Eduardo Aquino

Antes de mais nada, sou solidário a eles, e mais, compreendo-os perfeitamente. Quase diria que uma parcela dos que não suportam o Natal é quase genética, um gene “antidatismo”, que muitas vezes se estende para odiar também o dia de aniversário, o Carnaval, o Dia das Mães ou dos Pais. E, para espanto dos festeiros, essa turma não curte nem mesmo o famoso réveillon, aparentemente uma excitação universal e global, a ponto de ser comemorado 12 horas seguidas, dependendo do fuso horário; as TVs vão mostrando fogos estourando de Pequim, Sidney, Moscou, Paris e… Copacabana.

É bem verdade que o Natal não é mais o mesmo. Perdeu a magia e o encanto, com uma superpopulação de Papai Noel que Deus me livre! Dos sofisticados shoppings, onde decorações exuberantes estimulam filas de consumidores e selfies intermináveis, até os Papais Noéis mambembes de pequenos comércios, ou os populares como os da 25 de Março, do Saara, ou da rua dos Carijós. Magros, barba branca mal-ajustada e sininhos empunhados por desempregados ou biscateiros, obrigados a sorrir para as cada vez mais novas e raras crianças ingênuas que ainda se extasiam com o Bom Velhinho.

Que pena que tais crianças estejam em extinção e, para os pais, seja difícil explicar tantos Papais Noéis que, somados ao bombardeio de comerciais onde o bom e banalizado “velhinho” e a sacanagem dos primos mais velhos, fica difícil acreditar em chaminés (ainda existem?), pés de meia e os antiquados trenós. E o que dizer das indefectíveis musiquinhas de Natal, poluindo nossas memórias afetivas? Chegamos à conclusão de que o romantismo, a ingenuidade e o onirismo estão em baixa. Ok, o Natal é bipolar!

COMPULSÃO CONSUMISTA

Parte da população assalta o comércio, em uma compulsão consumista que beira ao doentio. São os “natalmaníacos”: decoram as casas, árvores com enfeites, luzinhas no jardim, na varanda. Organizam festas homéricas, e haja castanha, nozes, perus, farofa de ovos, pernis, frutas diversas, foguetes, e as músicas “noite feliz, noite feliz”. Enquanto isso, os angustiados e deprimidos ficam loucos para acelerar o tempo, submergir no dia 22 de dezembro e reaparecer no dia 3 de janeiro. Alegam que tais festas lembram pessoas já falecidas, ou brigas que dividiram famílias, ou Natais de privação, ou que remetem a perdas, e sei lá mais o que… O certo é que essas duas tribos, os que amam e odeiam o fim de ano, se contrastam, muitas vezes se cobram, e não se entendem. A todos, eu digo que a arte da compreensão é o humilde aprendizado de trocar de lado com o outro.

A diversidade é uma dádiva, e ninguém está certo nem errado. Aos que se entristecem nessa época, algumas dicas: se apresentem como são, não tentem fingir o que não sentem, não façam o que não querem. Mas com a suavidade e sabedoria de não ser a gota de limão que talha um litro de leite. Afinal, os que amam festas e comemorações são a maioria. Durma mais cedo, leia um livro, assista a um filme (não natalino) e, no dia seguinte, almoce o resto da ceia e curta a alegria dos que ganharam seus presentes.

ESPÍRITO DE NATAL

Aceite a ressaca sem sentido dos que encheram a cara e vão rebater até o dia 2 de janeiro. Faça sua caminhada e compartilhe com as crianças a alegria de suas bicicletas novas e presentinhos nas praças da cidade. Pois é essa alegria espontânea e original que sustenta o espírito de Natal. Enquanto houver crianças que acreditam no Velhinho e seu trenó, a essência natalina será preservada. Pois reviver essa magia é preservar a criança que no fundo nos habita. A todos, um Natal que seja da forma e do conteúdo de modo a respeitar a todos!

5 thoughts on “Aos que se angustiam no Natal

  1. Mais um Natal em nossas vidas.
    Nova chance de recomeço.
    Momento de reflexão, de equilibrar a vida.
    O nascimento de Cristo nos leva a refletir sobre o que fizemos de positivo e onde nos omitimos; também o que fizemos de negativo, e as atitudes que não deram certo.
    Natal também é tempo de perdão. Não só de sermos tolerantes conosco, mas de compreender as falhas e erros alheios.
    Natal é para se comemorar, dia de desejarmos o bem para parentes, amigos, conhecidos, filhos, pais, irmãos, sobrinhos, chefes, empregados, desempregados, pessoas sadias, doentes, para todos os seres humanos, indistintamente.
    Natal é alegria e tristeza.
    Alegre porque estamos acompanhados de quem amamos, e triste pelos que também amávamos e que não estão mais presentes.
    E Natal é presente. Não importa o valor, vale a intenção da lembrança.
    Quero desejar aos comentaristas e frequentadores da Tribuna da Internet um Natal de amor, de muito calor humano.
    De muitos abraços, apertos de mão, beijos e afagos.
    Que a ceia seja deliciosa, e alegria de dividir a mesa com os convidados para esta noite especial seja muito bem posta, seja bonita.
    A comida pode até ser simples, mas que seja feita com amor, com ternura.
    E brindemos, mesmo com água, mas celebremos a vida, a companhia, o carinho, a presença dos amados que vieram compartilhar conosco o nascer de esperanças, de renovação, e de se buscar impulso para continuarmos a viver com esta sensação maravilhosa de a cada ano estarmos unidos, porque esta é a razão do Natal:
    A paz, a harmonia, o bem-estar de todos, e a consciência deste poder, que nos foi outorgado por Cristo neste dia, de que somos seus agentes de felicidade!
    Quero a tua felicidade e da tua família com muito fervor nesta data, e pelos dias seguintes até o próximo Natal, quando mais uma vez renovaremos esses votos com a mesma intensidade.
    FELIZ NATAL!
    UM VENTUROSO 2.015!
    Chico Bendl

  2. Gostei muito do texto, estou no início da casa dos 20 e já sinto falta das comemorações de quando ainda mais jovem a ponto de falar “na minha época” (será que já não estou virando um “veiaco”), tempos de luxo que não sabia o quão bom era e não aproveitava com a devida proporção.
    Hoje e possivelmente na virada de ano possivelmente sequer comemorarei as festas com a família o que me faz lamentar ainda mais o que não aproveitei quando criança. Por isso, por mais clichê que seja, digo que aproveitem o momento assim como podemos aproveitar cada respiração que damos nos momentos de tranquilidade.
    Momento de mudar não é na virada do ano e sim agora!
    Bom fim de ano a todos, saúde e felicidade a vocês e suas famílias.

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