Apagões: coincidência ou sabotagem?

Carlos Chagas

Paranóias à parte, mas em política não há coincidências nem espaços vazios. Em menos de três dias,  dois apagões: um no Nordeste,   atingindo todos os  estados da região durante  madrugada de sábado para domingo;   outro em São Paulo, na tarde de terça-feira, prejudicando mais de dois milhões de paulistanos. Justamente quando a presidente Dilma Rousseff decidiu  enfrentar os fisiológicos do PMDB e negar ao partido presidências e diretorias de empresas elétricas. 

Surpresas do destino?  Armações da sorte? Quem quiser que acredite, ainda que  no governo não apareça  uma só voz para levantar a hipótese de sabotagem.  Seria reconhecer a própria fraqueza. Mas que parece estranho, isso parece. Vamos esperar o próximo  apagão para tirar a prova. Se acontecer ainda esta semana  seria  bom tornar públicas as investigações que já  se fazem em surdina…

MICHEL EM CONE DE SOMBRA

Michel Temer encontra-se entre duas bandeiras, no meio da batalha. Vice-presidente da República, cabe-lhe  apoiar a decisão de Dilma Rousseff de afastar os fisiológicos do PMDB das presidências e diretorias das empresas elétricas estatais. Seu dever é solidarizar-se com a presidente na tarefa  de nomear técnicos para funções técnicas.
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Mas como presidente de fato do partido, apesar de licenciado, teria condições de calar a boca do líder Henrique Eduardo Alves e dos deputados que ameaçam retaliações pela perda da Eletrobrás, da Eletronorte, de Furnas e outras empresas?   Abandonaria o PMDB à própria sorte, quebrando as promessas de que o pão seria repartido logo no início do governo? Não foi indicado pela unanimidade de seus companheiros precisamente para garantir-lhes permanência   nos espaços  de poder conquistados no governo Lula?
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Por essas e outras o homem sumiu, ainda que pareça impossível permanecer  mais tempo em cone de sombra…

BOMBEIROS NO GOVERNO

Pelo    menos dois  ministros estão empenhados em levar o senador Roberto  Requião ao palácio do Planalto para demorada   conversa com a presidente Dilma Rousseff. Receber da fonte primária informações sobre a estratégia e as metas do governo, bem como sobre as dificuldades e obstáculos surgidos até agora seria a melhor solução para que o ex-governador do Paraná resistisse à tentação de enveredar pelo caminho de sua primeira passagem pelo Senado.  Qual?  O de não ter compromisso com governo algum, levando para o microfone críticas de toda espécie, sem poupar aliados nem  adversários. A solidariedade de Requião parece fundamental para o governo enfrentar os tempos difíceis de seu  relacionamento  com o PMDB.

TEIA DE INTRIGAS

Continuam os setores conservadores da economia, eufemismo para definir os especuladores, mobilizando os meios de comunicação para levar a opinião  pública à conclusão de ser a presidente Dilma mais uma peça no  tabuleiro do neoliberalismo. Querem apresentá-la como fiel seguidora dos postulados estabelecidos por Fernando Henrique e continuados pelo Lula, em matéria de política econômica. Não hesitam, os conservadores, em explorar situações  pontuais, como a do reajuste do salário-mínimo, para a conclusão de  que como gerente do país,   a presidente repudiou  idéias   progressistas.  Qualquer dia desses, para desfazer a teia de intrigas, Dilma poderá  surpreender com alguma proposta radical no  rumo da extinção da pobreza e da miséria. Conseguirá?

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