Após dois anos, o governo Bolsonaro se encontra, mais ou menos, onde Dilma Rousseff nos deixou

Charge – Angelo Rigon

Charge de Angelo Rigon (Arquivo Google)

J.R. Guzzo
Estadão

Uma das palavras mais ouvidas no governo federal nesses últimos meses é “governabilidade”. O que seria esse bicho? Segundo nos contam, trata-se daquele balaio de decisões moralmente lamentáveis e tecnicamente ineptas que os governos, coitados, são obrigados a tomar para conseguirem governar – ou fazem essas coisas feias, mas tidas como indispensáveis, ou não governam nada (em política, argumentam os que estão mandando, a prática deliberada do erro nem sempre é uma desvantagem).

O governo do presidente Jair Bolsonaro, como sabem até as crianças com dez anos de idade, decidiu tempos atrás tornar-se governável em modo extremo – está fazendo tudo o que lhe pedem, e muito do que não lhe pedem, com o elevado propósito de governar o Brasil. Está dando certo para os governantes, ao que parece. E para os governados?

GOVERNAR PARA QUÊ? – A “governabilidade” pode ser uma coisa admirável na teoria política, mas na vida prática a pergunta que se tem de fazer é a seguinte: Se for para dar ao Brasil uma espécie de Dilma-2, o Retorno, com anos de crescimento zero que se alternam com anos de recessão, e com a população escalada para exercer a mesmíssima função, como escrava que trabalha dia e noite para sustentar a máquina estatal – bem, muito obrigado.

É onde se encontra, após dois anos inteiros no comando, o governo atual: mais ou menos onde Dilma Rousseff nos deixou. O Estado continua a engolir (e a gastar) a maior fatia da renda nacional. A economia está onde estava em 2018. A alta burocracia deita e rola. O Centrão, o inimigo número 1 do erário nacional, é de novo a grande estrela do governo.

As leis continuam servindo para proteger os políticos dos cidadãos, em vez de fazer o contrário. Praticamente nenhum índice de “performance”, salvo no agronegócio, saiu do lugar. O que adianta governar desse jeito?

NEM O TREM-BALA – Nesses dois anos, o governo não fechou, não de verdade, uma única empresa estatal – uma meia dúzia de subsidiárias foram vendidas por suas controladoras, e ficou nisso. De concreto, a única coisa que aconteceu foi a demissão do secretário-ministro encarregado da privatização, que nunca teve o que fazer.

Não conseguiram fechar nem a empresa do “trem-bala”, um dos maiores contos do vigário do governo Dilma – o ministro dos Transportes acha que a empresa, que jamais colocou um metro de trilho no chão, é indispensável. Outra joia da coroa petista, a TV Brasil inventada por Lula, continua intacta.

Não foi cortado nenhum privilégio nas altas castas do funcionalismo. A população continua sendo extorquida pela mesma carga de impostos de sempre – 30%, ou mais, numa conta de luz, de telefone ou de farmácia. A economia permanece como uma das mais fechadas e menos capazes de competir do mundo.

Na hora de fazer a indicação mais importante de seu governo, a de um novo ministro para o STF, Bolsonaro veio com o dr. Kassio, o preferido do Centrão e de um senador processado por corrupção.

E NADA MUDOU… – O governo está no seu quarto ministro da Educação em dois anos, e não se mexeu um milímetro nos índices brasileiros na área, que continuam entre os piores do planeta; falaram o tempo todo de política, e os livros didáticos lidos nas escolas continuam insultando abertamente os militares, chamados de “torturadores”, os agricultores, acusados de viverem às custas do “trabalho escravo”, e o próprio governo eleito em 2018, que é denunciado nas aulas como fascista, racista, homofóbico, genocida e destruidor da Amazônia.

Quando lembrado de qualquer dessas coisas, Bolsonaro diz: “Então vota no Haddad”. É melhor mudar o disco. Uma hora dessas ele ainda vai ouvir: “E daí? Qual é a diferença?”

15 thoughts on “Após dois anos, o governo Bolsonaro se encontra, mais ou menos, onde Dilma Rousseff nos deixou

  1. “Aiiiinnnnnnnnnnnnnnnn, o Guzzo criticô o meu Mitozinho queridoooooooooo !!!!! Num pódi, assim eu fico bravinhaaaaaaaaaaaaaaaa!!!”

    (Escrito em MODO JUMENTINHO BORXONARISTA BINÁRIO)

  2. A verdade é eterna. Não adianta afirmar q Dilma foi incompetente. A verdade é que ela foi sabotada pelo congresso, liderado pelo Eduardo Cunha endeusado como grande líder! E veio o golpe, caso contrário o PT ainda estaria no comando e não estaríamos em rumo de colisão como estamos.

  3. O Bolsonaro é também da “lavra” do lula. O povo votou nele, com medo de uma nova Dilma, vestida com as calças do Haddad.
    Se lula seguisse a cartilha dos “bons modos”, teria feito como FHC, deixado a presidência para um adversário se “esborrachar” com a sua herança maldita. Mas quis criar a sua própria “dinastia”, a ignorância falou mais alto, e descambou no Bolsonaro.
    Rogamos clamorosamente que o lula se abstenha de qualquer interferência nas próximas eleições presidenciais, ou teremos que votar novamente no Bolsonaro.

  4. Artigo bastante superficial, daquele tipo que se faz para agradar os incautos.

    Vejam só o simplismo. Cortar os privilégios, diminuir impostos, privatizar. Certamente algumas coisas até podem ser tentadas, mas isso melhoraria a nossa situação? Precisamos de abordagens mais aprofundadas no aspecto econômico.

    Lendo artigos como esse, sempre me vem aquela máxima: ideias simplistas para problemas complexos não servem para nada.

      • Caro F. Moreno,
        desculpe se te sentiste ofendido. Mas é que esses artigos não constroem nada. Apenas críticas superficiais, sem nenhuma profundidade.

        É o que penso, mas não quer dizer que eu esteja certo. Apenas é minha opinião. Como a tua, que considera o artigo irretocável.

        sds.

        • Concordo com sua opinião, 99% dos comentários postados aqui, também se limitam a chover no molhado sem uma réstia de proposta ou ideia de solução e, ainda, sem a clareza e isenção do articulista.
          Não se preocupe, não, só me ofenderei quando a crítica for acertada.

  5. Bolsonaro, não tem projeto de governo nem nunca teve está e a verdade – quando chegou na Presidência já apressou para aprovar a reforma da previdência – para tirar direitos dos pobres trabalhadores de se aposentar – acorda população Brasileira – está e a marca deste governo dos filhos de Bolsonaro.

  6. E não vou entrar nessa não de atacar por atacar o bolsonarismo, só porque a globo, o demotucanismo e o lulismo querem, porque querem o lugar dele, assim como não ataquei o dilmismo, o meu foco é trabalhar o que colocar no lugar de todos ele$, tal seja o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso.

    • Será que a ficha dele finalmente caiu?
      Ou é só um espasmo?
      Guzzo está jogando fora uma vida inteira de bom jornalismo, apoiando Bolsonaro indiscriminadamente.

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