Após Bolsonaro dar mais poder à Casa Civil, equipe de Guedes deve forçá-lo a sair da pasta

Charge do Aziz (Charge Online)

Pedro do Coutto

Com o decreto transferindo para o chefe da Casa Civil a execução do orçamento, o presidente Jair Bolsonaro, sem dúvida alguma, esvaziou fortemente a posição política e administrativa de Paulo Guedes. Afinal de contas, é fato inédito que a execução do orçamento fique a critério do chefe da Casa Civil e não de acordo com as diretrizes do ministro da Economia, que, aliás, acumula as funções de ministro da Fazenda e do Planejamento.

O presidente da República sustenta que a base parlamentar do Planalto precisa ser atendida e que a liberação de recursos para bases eleitorais de adversários políticos ficavam com muito dinheiro. A crítica, portanto, foi direta a Paulo Guedes que não pode, na minha opinião, simular que não ouviu.  O ponto nevrálgico da questão está na sua atuação política, uma vez que pelo o que se entende da fala do presidente estava fortalecendo adversários do governo nas eleições de outubro deste ano.

ESTRUTURA ABALDA – No O Globo, Manuel Ventura, Daniel Gullino e Daniel Shinohara focalizam a decisão que, sem dúvida alguma, abala a estrutura do governo, sobretudo na medida em que força a substituição do titular da Economia. Na Folha de S. Paulo, Idiana Tomazelli e Marianna Holanda, também na edição de ontem, destacam que Bolsonaro tirou o poder de Paulo Guedes no sentido de fazer com que a Casa Civil transfira recursos previstos nas emendas dos deputados que formam o Centrão, sua base parlamentar.

A matéria ainda assinala que Guedes ficou mal no episódio. Diante desse panorama é provável que integrantes da equipe deixem os cargos. Existe também a questão que deputados e senadores do Centrão realizaram acertos paralelos para a liberação de emendas parlamentares para obras em redutos eleitorais.

Com o decreto, o titular da Casa Civil, Ciro Nogueira, deverá liberar as mudanças em cada linha de despesa, acentuam também Idiana Tomazelli e  Marianna Holanda. Como se constata, mais uma crise abala o governo com reflexo no quadro político eleitoral. Tenho dúvida se a saída de Paulo Guedes acrescenta alguns votos a Bolsonaro ou acarretará perdas com reflexos nas urnas.

CADA UM POR SI– Seja qual for o reflexo, teria sido melhor para o governo que essa nova crise não tivesse ocorrido, mas ela acentua a força irresistível do fisiologismo, sobretudo quando se aproximam as eleições. Não se trata apenas, Bolsonaro talvez não tenha entendido, de uma posição de deputados e senadores em favor da reeleição do presidente. Trata-se sobretudo do empenho de parlamentares para que eles próprios se reelejam, independentemente do destino do presidente da República.

Em matéria de Centrão, precedentes não faltam. O bloco apoiou Fernando Henrique Cardoso, apoiou Lula da Silva, apoiou Dilma Rousseff até o seu segundo mandato, apoiou Temer e apoia Jair Bolsonaro. Mas a vinculação nas urnas de outubro dependerá do fato de se Bolsonaro lhes acrescenta votos ou lhes retira sufrágios.

Na segunda hipótese, partirão para alianças estaduais que sejam mais vantajosas do que a aplicação dos recursos financeiros de suas emendas orçamentárias. Afinal de contas estamos tratando de política. Portanto, liberados os recursos das emendas, cessam os motivos fisiológicos para que parlamentares continuem ao lado do governo e da campanha do presidente.

REFLEXO NO EXÉRCITO –  A reportagem de Daniel Della Coletta e Vinicius Sassine revela que logo após a divulgação da mensagem do general Paulo Sergio Nogueira, comandante do Exército, em favor da vacinação e proibindo as fake news na Força, uma nova tempestade ameaçou atingir o governo.

Bolsonaro, acentua a matéria, reuniu-se com o comandante do Exército quando o presidente manifestou receio de que as diretrizes do general gerassem uma nova crise. Logo, Bolsonaro revelou de fato estar contra as determinações do comandante do Exército ao que se refere às vacinas e também às fake news. O encontro foi no Palácio da Alvorada e sua motivação,segundo informaram, foi tratar de projetos estratégicos das Forças Militares.

Bolsonaro negou a existência de recomendação, acentuando que a matéria é uma questão de interpretação. Entretanto, os que combatem a obrigatoriedade da vacina sob a alegação da liberdade de aceitá-la ou não, esquecem uma outra obrigação determinada pelo Estado às famílias que é a de matricularem os seus filhos e filhas acima de 6 anos de idade na rede de ensino. A matrícula não é facultativa, dada a sua importância social e educativa. Portanto, digo, a vacinação também deve ser obrigatória.

6 thoughts on “Após Bolsonaro dar mais poder à Casa Civil, equipe de Guedes deve forçá-lo a sair da pasta

  1. Eu escrevi mais de uma vez aqui nos comentários que a validade do Posto Ypiranga era dez/21. Errei.
    Aguardemos. O certo é que ele será o bode expiatório.

  2. O ministro deu declaração ontem, minimizando a perda do controle do orçamento para o ministro da Casa Cívil. E ainda disse que foi muito boa para ele, essa perda, porque diminuirá a pressão do Congresso sobre ele.
    Portanto, o ministro Paulo Guedes botou panos quentes, diante dessa nova invertida desceria por Bolsonaro.
    O ministro sabe, porque não é bobo, que algumas medidas estratégicas visam melhorar a performance do chefe, junto ao Centrão, os empresários e os eleitores para subir nas pesquisas. As emendas do Orçamento em época de eleição, se assemelham como “sangue na veia” jorrando recursos para obras nas bases eleitorais de deputados bolsonaristas e candidatos, que querem manter e conquistar mandatos.
    Pergunto: essa manobra é diferente do que Sarney, FHC, LULA e Dilma fizeram? Lógico que não, o governo Bolsonaro é igualzinho a todos que o precederam, somente muito ingênuos pensam o contrário. Teve que se abraçar ao Centrão como todos os outros presidentes, instituindo o descarado toma lá dá cá, na maior cara de pau. Não vão deixar de dormir uma noite, por causa disso. O fazem até com gosto, porque o dinheiro não é dele, são recursos da nação e foram disponibilizados para gastar como eles quiserem. Isso vai mudar um dia? Só quando o Sol nascer quadrado, quer dizer, Nunca.

  3. O ministro Paulo Guedes, não está preocupado, com a reforma agrária no seu Ministério. Sabe porque?
    Quando Bolsonaro assumiu em janeiro de 2019, deu superpoderes ao seu Posto de Gasolina. Guedes acumulou as pastas do Planejamento, do Trabalho e da Previdência Social, além da poderosa Fazenda, mandando na Receita, no CADE, no IBGE, numa infinidade de instituições da área econômica.
    Como seu legado foi desemprego em alta, inflação em alta, juros em alta, recessão profunda e um desânimo entre empresários e trabalhadores com os rumos do país, Bolsonaro desesperado com seu ministro que só promete, mas, não entrega nada ao chefe, vem tirando alguma poderes dele. Nada que impeça, o ministro de continuar até o final, porque se não fosse o Bolsonaro, que tem o dedo podre para escolher ministro, optando sempre pelos piores, o economista Guedes encerraria sua carreira, se aposentando sem nunca ter sido Ministro. Portanto, Guedes vai aproveitar essa grande chance, até o final, acreditando né, quem sabe, ficar mais quatro anos, caso a reeleição do chefe seja confirmada nas urnas.
    Podem proibir tudo, menos o sonho de cada cidadão, seja ele rico ou pobre, seja o Guedes ou o Mantega, o Malan, o Meireles o Arminio Fraga, Edmar Bacha, o Pastore, todos querem o Ministério da Economia.
    E o trabalhador, como fica nessa história de sonhos, pensando que um dia, a realidade mude e que ele possa arrumar um emprego com carteira assinada, com Plano Médico para ele e a família, ver seus filhos entrar na Universidade, se aposentar com proventos satisfatórios. Por que digo isso: porque não existe nada mais triste, do que a recessão e a inflação, que atinge em cheio a classe trabalhadora, que perde seu emprego, a sua dignidade, a sua autoestima e o obriga a viver de bico, na informalidade e as vezes nem isso, com alguns reféns da caridade alheia.
    Será que Paulo Guedes, o atual ministro, pensa nisso? E os outros citados, por acaso têm essa consciência do resultado das políticas ortodoxas, que implementam, se lixando para as reações de causa e efeito na classe trabalhadora e nas famílias desses cidadãos,?
    É (título de uma peça de Millôr Fernandes, estrelada por Fernanda Montenegro, Fernando Torres e Zezé Mota), exprime tudo. É, eles não enxergam esse detalhe.

  4. Mesmo, um número expressivo de bolsonaristas foram aos Postos de Saúde tomar a Vacina. O general Ramos tomou também e fez aquele papelão tentando se esconder e o jornalista descobriu. Disse ele: ” pô, também quero viver”.
    Seja militar, cívil, o trabalhador, o empresário, quem tem juízo, toma a vacina, afinal, quem quer ser entubado e depois torcer por um milagre.
    Esse negócio de toma, não toma, já deveria ser assunto encerrado. Então, voltam com isso daí, como um disco arranhado, tocando a mesma melodia.
    Só falta, para completar a loucura, o retorno da campanha do Kit Prevenção, composta de Cloroquina, Ivermectina e Azonerctina. Receitavam até um remédio para Vermes, chamado de Anitta. Um amigo, me confessou que tomava um comprimido diariamente, porque lhe disseram, que combatia o Covid. Pedi a ele, enfáticamente, que procurasse um médico urgente. Enfim, tomou juízo.

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