Após Bolsonaro ter dito que “casamento” com vice foi um erro, Mourão nega motivos para mágoas

Mourão diz que relação com Bolsonaro está firme e tranquila

Lígia Formenti
Estadão

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou não ver problemas se ficar fora da chapa do presidente Jair Bolsonaro numa eventual disputa à reeleição, em 2022. Sob o argumento de que ainda há um longo período de governo e uma série de tarefas a cumprir, o general avalia ser cedo para essa discussão.

COADJUVANTE – “Quando chegar lá, em 2022, se o presidente precisar de mim, ele sabe que conta comigo como um soldado da visão de país que ele tem. Se não precisar, muito bem também. Não tem problemas quanto a isso”, disse Mourão ao Estado. O vice procurou mostrar alinhamento a Bolsonaro ao afirmar que a palavra final é sempre do presidente. “Eu não sou o ator principal deste filme”.

A entrevista foi concedida um dia depois de vir à tona uma conversa de Bolsonaro em reunião com deputados do PSL, na última terça-feira, para anunciar a saída do partido e a criação de uma sigla batizada de “Aliança pelo Brasil”.

DESFEITA – No encontro, Bolsonaro teria dito que preferia o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL- RJ) como seu vice, e não Mourão. O general contou ter ouvido de participantes do encontro que o diálogo não foi assim e afirmou não ter motivos para mágoas. “Na minha idade, aos 66, são outras coisas que me chateiam”, comentou o vice.

O que o senhor achou da afirmação do presidente Bolsonaro dizendo que o vice deveria ser o deputado Orleans e Bragança?
Aquelas afirmações que foram colocadas na imprensa, pelo dado que tenho, não são verdadeiras. Então não tem o que comentar

O senhor formaria uma chapa novamente com o presidente, em 2022?
Estamos em 2019. Temos de resolver uma porção de problemas, colocar a nossa economia de volta numa situação de recuperação, cuidar da segurança. Temos uma série de tarefas. Não é hora de estar pensando nisso e não estou pensando. Não tenho ambições políticas, nunca tive. Eu, única e exclusivamente, estou aqui para cooperar com um projeto liderado pelo presidente Bolsonaro.

Embora o senhor diga que é cedo, há alguma perspectiva de sua participação na chapa?
Vamos aguardar. Quando chegar lá, em 2022, se o presidente precisar de mim… Ele sabe que conta comigo como um soldado da visão de país que ele tem. Se não precisar, muito bem também. Não tem problemas quanto a isso

O presidente ouve o senhor ? Como está sua relação com o presidente?
Nossa relação é dentro daquilo que é um presidente e um vice-presidente: quando ele precisa da minha opinião, me consulta. Se minha opinião ele considera válida, ótimo. Se não considera, isso faz parte de qualquer processo decisório.

Ele acata?
Quando julgo que as coisas têm de ser colocadas de uma forma mais organizada, eu vou lá e falo com ele. Agora, decisões do presidente são decisões do presidente. A partir do momento em que ele decide, estou 100% com ele.

Então, o relacionamento está firme…
Tranquilo, nunca teve problema.

Houve uma redução de militares no círculo próximo do presidente. A que o senhor atribui isso?
Da mesma forma que o presidente designou algumas pessoas para ocupar determinados cargos, ele também as retirou. Não pode ser olhado o passado da pessoa, se era militar ou civil. Tem de olhar o desempenho.

Como o senhor avalia essa crise do PSL?
O PSL não é o meu partido (Mourão é filiado ao PRTB). Isso é um problema interno do partido. É a mesma coisa de você me perguntar da crise do PT, também não sei. Não tenho nada a ver com isso

Mas o fato de o presidente sair do partido não pode alterar o governo?
Não altera nada porque o PSL teve o seu papel, tem o seu papel e, se o presidente vai criar um novo partido, é uma decisão dele.

Isso não pode ter reflexos importantes nas eleições municipais, no ano que vem?
Vamos aguardar porque tem muita água para rolar. Como as pessoas vão se posicionar, qual a visão estratégica que o presidente e o grupo político dele têm…

Grupo político dele por quê? O senhor não se considera do grupo do presidente?
O grupo político que estou falando é o partido dele.

O senhor conversou com o presidente sobre o comentário da reunião de terça?
Não porque eu sei que o comentário não foi desta forma. Pessoas que estavam na reunião me disseram claramente que ele não falou isso. Então pronto. Não tem que ser comentado.

O senhor não ficou chateado?
Nada. Na minha idade, aos 66, são outras coisas que me chateiam.

No início do governo, o senhor exercia maior protagonismo. Pretende retomá-lo?
Não exerci protagonismo nenhum. As pessoas não me conheciam e me procuravam muito mais para traçar o perfil, saber como eu pensava. A partir do momento que entenderam quem eu sou, deixaram de me procurar. Até porque eu não sou o ator principal deste filme. O ator principal é o presidente.

As últimas semanas foram conturbadas, com o post do vídeo das hienas, com a menção ao AI-5…
Esse assunto já morreu. Teve a questão do vídeo, teve a questão do deputado Eduardo Bolsonaro… Mas, ao mesmo tempo, o ex-presidente (Luiz Inácio Lula da Silva ) chamou para o conflito, querendo transformar o Brasil num Chile. E não vi críticas a isso. Parece que o ex-presidente é um inimputável. Acho que está faltando ponderação em tudo

Chamou para o conflito em que ocasião?
Fez os dois discursos. Faz parte do jogo.

E como fica o cenário político com a libertação do ex-presidente Lula?
Não altera nada. O ex-presidente Lula é um cidadão condenado em três instâncias. Como no Brasil tem a quarta instância, aguarde-se a quarta instância.

14 thoughts on “Após Bolsonaro ter dito que “casamento” com vice foi um erro, Mourão nega motivos para mágoas

  1. A verdade é que ninguém quer largar o osso, mesmo sendo humilhado, se fosse outro, daria resposta no mesmo tom, mas este vice é muito maria mole, não mostra que anteriormente dizia que vice não fala, isto é história pra boi dormir.

  2. Sei não…
    Mourão é outro que vem fazendo papel de xarope!

    Quando apareceu jogando volei na praia disse que as praias já estavam salvas do petróleo derramado, isso antes da quantidade de petroleo aumentar nas praias.

    Agora, falta à Monica Bergamo tornar publica a gravação do que exatamente o Bozó falou; cadê???

    Se for veridica, que o Mourão deixe de lado esse papo furado, que não tem ainda 84 anos pra dizer que o que lhe toca a carne e valores não o afetam.
    Fica parecendo que jogou a carreira e doutrina militar no lixo.

    Estar 100% com um presidente cheio de problemas sérios, gerindo o país mediocremente, posando de garoto propaganda e falando em Cancuns frente aos problemas reais que a nação enfrrnta é preocupante…

    Precisam analisar a água que vem sendo bebida no Palácio….

  3. Curioso…o príncipe desmentiu, a Zambelli desmentiu, a bergamo não tem nenhuma intimidade com bolsonaro (é dirceuzista militante), o Mourão disse que foram desmentidas, mas…o título dá crédito a madame fakenews.
    Estaria a TI se alinhando à imprensa ativista?

  4. O cara está firme como um mourão bem enterrado, não vai confessar que não gostou do que ouviu, mas não é burro de acusar o golpe. Se fosse um dos três zeros a esta hora já estaria no maior do berreiros, mas não é e nem é mimado como os três zeros.

  5. Sei não!

    Mourão, sabendo das qualidades suicidas e idiotas de Bolsonaro, está deixando que o mesmo enforque-se sozinho.

    Para o bem do Brasil, esperamos que esta pendenga seja resolvida logo…..

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