Após chamar Moraes de “canalha”, Bolsonaro oferece cursos de boas maneiras a seus blogueiros

Bolsonaro chama Moraes de “canalha” e diz que não cumprirá suas decisões | Poder360

No Sete de Setembro, Bolsonaro confiava no apoio militar

Carlos Newton

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Defesa, Braga Netto, cometeram um erro fatal quando pensaram que o Alto Comando do Exército poderia se cooptado para apoiar um golpe de Estado. Tanto Bolsonaro quanto Braga Netto constantemente faziam questão de lembrar a todos que o presidente da República era o “comandante supremo das Forças Armadas”.

Em tradução simultânea, para eles isso significava que o presidente da República, com apoio dos militares, poderia praticar qualquer ato que, em sua suprema opinião, fosse de interesse nacional.

ERA UM SONHO – Como se sabe, sonhar não é proibido nem paga imposto. Bolsonaro sonhava em governar com plenos poderes, despoticamente, e o general Braga Netto sonhava em ficar no lugar dele, porque sabia que os militares – se houvesse um golpe de estado – jamais aceitariam que Bolsonaro continuasse no poder e escolheriam um general para substituí-lo.

Esse enredo parece brincadeira, mas é rigorosamente verdadeiro. Para atapetar o caminho do golpe, Bolsonaro colocou sucessivamente na Casa Civil dois generais da ativa, Eduardo Ramos e Braga Netto, e por coincidência, ambos estavam chefiando o Alto Comando do Exército quando foram nomeados para o Planalto. Coincidência?

O plano era muito bem bolado, mas deu errado porque Bolsonaro e Braga Netto não perceberam que na vida tudo tem limites.

UM LÍDER DELIRANTE – No Sete de Setembro, ao vislumbrar na Esplanada dos Ministérios – até onde a vista alcança –aquela multidão que o apoiava, o ego de Bolsonaro decolou. Depois, em São Paulo, outra multidão estonteante, e Bolsonaro começou a fazer malabarismos.

“Dizer a vocês, que qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais”, disse o presidente, esquecido de que, pela Constituição, ninguém pode descumprir decisão judicial.

Ou esse ministro [Alexandre de Moraes] se enquadra ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas turve a nossa liberdade. Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir, tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha. Deixa de oprimir o povo brasileiro, deixe de censurar o seu povo. Mais do que isso, nós devemos, sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade“, acrescentou, cometendo flagrante crime de responsabilidade, em cadeia nacional.

E MUITO MAIS – “A paciência do nosso povo já se esgotou Nós acreditamos e queremos a democracia. A alma da democracia é o voto. Não podemos admitir um sistema eleitoral que não fornece qualquer segurança. Nós queremos eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública dos votos. Não podemos ter eleições onde pairem dúvidas sobre os eleitores. Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Não vamos mais admitir que pessoas como Alexandre de Moraes continue a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa Constituição. Ele teve todas as oportunidades de agir com respeito a todos nós, mas não agiu dessa maneira como continua a não agir“, disse Bolsonaro.

No final, o presidente voltou a desafiar as instituições. “Preso, morto ou com vitória. Dizer aos canalhas, que eu nunca serei preso“, e encerrou o discurso.

TUDO AO CONTRÁRIO – Depois dessa maluquice toda, Bolsonaro achou que, com os caminhoneiros envoltos na falsa greve, o país entraria no caos e os militares apoiariam o golpe,

Avaliação errada. A resposta do Alto-Comando do Exército foi um “tranco” no presidente, que recebeu ordens expressas para se desculpar com Moraes. Foi assim que Bolsonaro ligou para Michel Temer, com quem nunca teve a menor intimidade, e mandou um jato de 25 lugares para conduzi-lo sozinho a Brasília, com objetivo de escrever uma declaração pedindo desculpas à nação e telefonar para Moraes.

Temer vazou à mídia que o ministro do STF ouviu Bolsonaro, mas  não prometeu nada. E agora, quase um mês depois, o “canalha” Moraes dá o troco, avisando que a candidatura de Bolsonaro será cassada se insistir em fake news, como ocorreu em 2018.

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P.S. – Bolsonaro e os filhos não fizeram o menor comentário. Mas sua advogada eleitoral, Karina Kufa, vestiu a carapuça e anunciou que os blogueiros bolsonaristas terão de fazer um curso para evitar fake news na campanha. A respeito, Bolsonaro e os filhos não deram uma só palavra. Como se vê, a política muda muito rapidamente no Brasil. (C.N.)

4 thoughts on “Após chamar Moraes de “canalha”, Bolsonaro oferece cursos de boas maneiras a seus blogueiros

  1. A tarefa de fazer propaganda eleitoral do mito e da sua famiglia ficou mais difícil agora, espalhar notícias falsas dará cadeia. Quem se elegeu nesta base, tocando o terror vai ter que reaprender a fazer propaganda, nem que seja mentirosa mas com um arzinho de verdade. E o Moro vindo aí com tudo.

  2. Alexandre de Moraes, o advogado do PCC, não passa de um facínora que abusa das leis, interpretando-as de acordo com os seus próprios interesses. A sua face carregada de ódio, decorada com uma sebosa careca, é o retrato fiel da corrupção generalizada que infectou a justiça brasileira. Se os nossos generais tivessem um mínimo de vergonha na cara, os urubus togados do stf (supremo tribunal de filhos-da-puta) já estariam todos na cadeia.

  3. Só um maluco mesmo na presidência para enquadrar um ministro do Supremo. Não há precedentes. Mas calou o “Supremo Moraes” que apareceu para perpretar a suprema ironia: ameaçar futuros atos nas próximas eleições. Nunca ví juiz, mormente do STF, fazer ameaças a quem quer que seja. Juiz julga fatos concretos passados, com base nas provas constantes dos autos. Fora daí é arbítrio, ilegalidade, autoritarismo, abuso de poder. Ou coisa parecida.

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