Após mudança ministerial, Bolsonaro avalia compensar Osmar Terra com embaixada

Em estudo, representações da Argentina e da Espanha

Gustavo Uribe
Julia Chaib
Folha

Com a decisão de deslocar o ministro Onyx Lorenzoni da Casa Civil para a Cidadania, o presidente Jair Bolsonaro discute oferecer o comando de uma embaixada ao ministro Osmar Terra. O assunto, segundo assessores presidenciais, tem sido tratado pelo presidente com o Ministério de Relações Exteriores, como uma forma de compensar a saída de Terra da Esplanada dos Ministérios.

Em estudo, segundo a Folha apurou, estão duas representações diplomáticas: Argentina e Espanha. À frente de ambas estão nomes indicados pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). Bolsonaro pretende definir a mudança com Terra até esta sexta-feira, dia 14.

RENÚNCIA – Para assumir a embaixada, o ministro precisaria renunciar ao mandato de deputado federal pelo MDB. Segundo aliados de Terra, ele já foi comunicado da possibilidade e tem avaliado o convite.

Na semana passada, como a Folha mostrou, o presidente decidiu retirar Onyx da Casa Civil e passou a cogitá-lo para a Cidadania. O ministro foi avisado nesta quarta-feira, dia 12, que será deslocado para a pasta, que gerencia, por exemplo, o programa Bolsa Família.

PERFIL REFORÇADO – A ideia é que, a partir de agora, a Casa Civil deixe de atuar de maneira informal na articulação política e tenha o perfil gerencial reforçado. Em conversas reservadas, o presidente vinha reclamando da lentidão de programas federais e do atraso na conclusão de projetos. Para ele, a insistência de Onyx em atuar junto ao Poder Legislativo comprometeu o ritmo do governo.

Para evitar que o cenário se repita, o presidente convidou para o posto um militar, o general Walter Souza Braga Netto atual chefe do Estado-Maior do Exército e que foi interventor federal na área de segurança pública no Rio de Janeiro.

RESISTÊNCIA – Segundo relatos feitos à Folha, no entanto, Braga Netto tem resistido ao convite, o que levou o presidente a avaliar duas alternativas: o general Geraldo Antonio Miotto, atual Comandante Militar do Sul, e o almirante Flávio Augusto Viana Rocha, atual comandante do 1º Distrito Naval.

Caso nenhum dos militares aceite assumir a pasta, o presidente avalia uma solução interna: deslocar Ramos da Secretaria de Governo para a Casa Civil. Nesse caso, Bolsonaro considera colocar à frente da articulação política o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), amigo de longa data.

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